Resenha: As brumas de Avalon, vol. 02 – A grande rainha.

As brumas de Avalon, volume 02, escrito por Marion Zimmer Bradley.
 
 

Bradley, Marion Zimmer. As Brumas de Avalon. In Marion Zimmer BRadley, As brumas de Avalon, a grande rainha. vol. 02. Rio de Janeiro: Imago, 2002.

Neste livro o leitor desvenda o destino de Morgana, após sua fuga de Avalon, que vai se refugiar na casa de sua tia Morgause. Lá ela dá a luz seu filho e o deixa aos cuidados de Morgause, que descobre o segredo de Morgana vê na criação de seu sobrinho um trunfo sobre o Reino. Temos aqui, também, o drama de Guinevere, entre seu amor por Lancelote e suas obrigações conjuguais com Arthur, e seus intentos de fazer com que seu marido quebre o juramento à Senhora de Avalon (Viviane)  O conflito entre o cristianismo e o paganismo está bem marcante neste livro, com uma evolução da história de Guinevere contra Morgana, e a divisão do Reino no que seria,depois, a Grã-Bretanha.


Minhas impressões
Na minha opinião, este é o melhor livro da saga.  Temos o nascimento do filho de Morgana, o casamento de Arthur com Guinevere, a reclusão de Igraine no convento, a paixão crescente entre Lancelot e Guinevere, e as inúmeras reflexões desta sobre a liberdade e força de Morgana,  ao mesmo tempo em que sua inveja e preconceito contra a antiga religião ficam marcantes. É uma escrita rica em detalhes sobre as questões mais íntimas das personagens.

Vemos, aqui, uma Morgana em evolução, enquanto Guinevere se mostra cada vez mais mesquinha e irritante. A personagem Morgana cresce com o passar das páginas,  demonstrando uma ousadia e força, ao mesmo tempo delicada e sensível. Arthur aparece em conflito entre satisfazer os desejos de sua esposa, seu amor por sua irmã e sua lealdade a Avalon. Este conflito parece estar presente em todas as personagens, inclusive Lancelote, que sofre por amor a Guinevere e Arthur, e seu desprezo por Morgana, que continua apaixonada pelo primo. É uma verdadeira ciranda, que nunca se resolve. A cada tentativa das personagens de se encontrarem em seus sentimentos, o afastamento é inevitável, o que me causou uma ansiedade em desvendar a história por completo.

Há inúmeras discussões entre cristianismo e paganismo, como vemos numa passagem em que Morgana toca harpa e canta no casamento de Arthur, sendo reprimida pelo Bispo e questionada por Guinevere, quando responde:
 
De súbito, Morgana manifestou-se:
 
 – Se Maria Madalena tocava harpa e dançava, ainda assim foi salva, e em lugar nenhum está escrito que Jesus lhe tenha dito para calar-se com humildade! Se ela derramou bálsamo precioso na cabeça do Senhor, e este não permitiu que os discípulos a censurassem, bem poderia ter recebido com agrado seus outros dons. Os Deuses dão aos homens o que têm de melhor, e não o pior. 
 
Patrício retrucou, secamente: 
 
– Se é essa a forma de religião conhecida aqui na Bretanha, estamos realmente necessitados de concílios como o que foi convocado pela nossa Igreja!

Em várias passagens teremos diálogos como este acima, deixando a conclusão para o leitor, pois a autora em nenhum momento se posiciona a favor de uma ou outra forma de pensar, apenas descrevendo os pensamentos, o caráter e as atitudes das personagens, e suas ligações com a religião e a crença.

Teremos um acontecimento decisivo para o futuro de Viviane e de Avalon, pois por causa desse acontecimento, outros se desenrolarão. Isso acontece por todas as linhas da história, vários fatos que nos parecem pequenos e sem grande importância terão consequências futuras gigantescas.

A homossexualidade aqui também é retratada entre Lancelote e Arthur, mas a forma deliciada e respeitosa como a autora tratou o assunto é o ponto alto da história, pois deixa o leitor confuso sobre o que de fato aconteceu entre eles, o que somente se revelerá adiante, em outro volume do livro.

É uma história para ler com atenção e despido de qualquer preconceito porque muitas falas e pensamentos das personagens dialogam com a nossa própria visão de mundo, o que pode nos trazer conclusões surpreendentes.
Gostou da resenha? Deixa seu comentário aqui embaixo para que eu possa fazer outras assim. Se não gostou, deixe também, para que eu possa melhorar. 😉
 
 
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4 comentários em “Resenha: As brumas de Avalon, vol. 02 – A grande rainha.

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