O diário de Anne Frank

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O diário de Anne Frank é considerado um dos maiores livros de não ficção do mundo. Começou a ser escrito no dia 12.06.1942 por Anne, então com 13 anos de idade, e terminou no dia 01.08.1944, com seu último registro. Ela escrevia para si e, de início, não tinha maiores pretensões a não ser desabafar sobre o seu cotidiano. Contudo, em 29.03.1944, no auge da segunda guerra mundial e com as ocupações nazistas sobre a Holanda, ela ouviu na rádio local que o governo holandês coletaria os escritos e memórias das pessoas que viveram naquele período e, assim, decidiu editar seus escritos para uma publicação futura.

O livro é um registro pessoal da vida de uma adolescente judia de origem alemã que, acompanhada de sua família e de um grupo de amigos, fugiu da Alemanha para a Holanda e, para não se submeter às cruéis leis antissemitas de Hitler, foi obrigada a viver escondida num pequeno sótão de um prédio comercial por aproximadamente dois anos. Foi um longo período em que sussurrou para não ser descoberta, esteve privada da luz do sol, alimentou-se quase exclusivamente de batatas, teve restringida a liberdade de fazer suas necessidades fisiológicas, ouviu o som tenebroso das bombas que caíam sobre a cidade sem sequer cogitar buscar um abrigo mais seguro, e sobreviveu de favores de umas poucas pessoas que se dispuseram a arriscar suas vidas para esconder e alimentar esse pequeno grupo de judeus. Foi durante esses dois anos que Anne Frank manteve notas detalhadas dos anos iniciais de sua conturbada adolescência.

No começo do livro ela transmite a falsa impressão de que é uma criança mimada e prepotente, mas com o passar das páginas a adolescente conquista a atenção do leitor e se mostra uma menina que, apesar da pouca idade, possui muita maturidade para lidar com a situação calamitosa que se instaurou na sua vida e de sua família.

Anne era uma adolescente com todos os dramas e inseguranças próprios dessa fase da vida humana, com o bônus de encontrar-se num contexto de perseguição por causa da sua ascendência judia. Ela sofreu com suas alterações de humor, teve problemas de relacionamento com as pessoas, sentiu medo, teve pesadelos, ganhou esperança, apaixonou-se e, muitas vezes, nutriu sentimentos conflitantes por aqueles com quem conviveu, sendo essa uma forte marca presente em seus textos.

Percebemos seu crescimento pessoal fluir nas páginas do diário, que não deixa de transmitir esperança de uma vida normal apesar de toda a dificuldade enfrentada. E isto é o que mais chama a atenção: a enorme vontade de vencer a guerra e sair do pequeno cômodo para ganhar o mundo. Na verdade, Anne não tinha apenas esperança, ela tinha coragem e certeza que algo de bom aconteceria, e chegou, inclusive, a fazer muitos progressos para retomar a sua vida fora do quarto, como, por exemplo, estudar com afinco e aprender novos idiomas, tudo como parte do plano de se tornar uma grande escritora. Sua forma de escrever é envolvente e consegue tornar interessante a convivência entre oito pessoas dentro de um pequeno cômodo por um período tão longo de tempo.

É uma história que emociona por trazer o testemunho do crescimento de uma jovem com personalidade forte, ambiciosa e inteligente, que tinha enormes projetos e uma grande vontade de ser livre para contribuir com a humanidade através de seus textos, mas que teve a esperança ceifada pela crueldade e loucura do regime nazista. Uma história que deve ser contada para que jamais se repita.

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Os ocupantes do quarto e seus benfeitores.

 

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Fachada do prédio onde ficava o esconderijo

 

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Publicado por Christine Oliveira

Estudante de Letras na UFF pelo sistema EAD (Consórcio CEDERJ). Advogada amante da boa fotografia e dos bons livros.

Se Junte à Conversa

29 comentários

  1. Li O Diário de Anne Frank faz um tempinho… Você leu ou assistiu ao filme “O menino do pijama listrado”? São livros que fazem a gente pensar na diferenciação entre as pessoas… Não foi algo que aconteceu apenas em uma época, mas com certeza é algo que não deveria acontecer nunca mais!
    Bjs!

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  2. Considero esse livro um dos relatos mais comovente e realista já feito. Li várias vezes, em várias idades diferentes, a primeira foi quando tinha a mesma idade da Anne, achei numa biblioteca e como já tinha uma certa noção do que foi a segunda guerra mundial, não esperava um final feliz.
    Estranho é que a cada leitura o livro parece não perder o peso, pelo contrário, conforme alcançamos a maturidade, pior fica o sentimento de impotência diante de tantas guerra no mundo.
    Doí saber que nunca teremos Anne de volta, doí saber que muitas outras Annes morreram na segunda guerra, doí saber que muitas outras Annes ainda vão morrer, porque não importa a quantidade de mortos, uma criança morta é sempre uma criança morta, não interessa por qual causa seja, a guerra destro infâncias. Nunca consegui ler comumente até o fim, sempre choro quando penso que Kitty foi para Anne uma heroína, da mesma forma que Anne foi para mim.

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  3. Esse livro sempre foi muito forte e intenso, li quando era mais nova mas acho que seria bom ler de novo para ver minha percepção agora como adulta. Acho uma leitura bem dolorosa, mas necessária para entendermos o peso que a segregação e a guerra têm, relatos assim não podem ser esquecidos.
    Beijos, Blog Amanda Hillerman !

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  4. Oii, tudo bom?
    Esse é um dos meus livros favoritos da vida ❤ A Anne, de início, realmente parece prepotente, mas, acho que são reflexos da idade. Ela começa seu diário como uma menina imatura que dá atenção demais a coisas fúteis e passa a uma menina amadurecida pelo tempo e que sofreu na pele os horrores da guerra. A forma como suas reflexões se tornam cada vez mais consistentes e sentir através de suas palavras tudo aquilo que viveram mexeu muito comigo. Enfim! Adorei sua resenha, e você realmente começou suas leituras com o pé direito ^^'

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  5. A esperança é algo muito forte no livro, no meio de tanto terror, para Anne só resta a esperança. Esse livro é fabuloso, lindo, genial e triste. Li há muito tempo, emprestado, preciso comprar meu exemplar.

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  6. Por coincidência essa foi minha primeira leitura do ano passado e simplesmente amei. Também achei a Anne prepotente e metida no começo, mas ao decorrer do livro me conquistou. Cheguei a ficar admirada com tanta maturidade e o dom da escrita que ela tinha. Me emocionou muito o fato dela ter certeza de que iriam sair do Anexo e ver como tudo acabou. Mas fico orgulhosa da Anne ter realizado um sonho que tinha, de ser escritora. Ela não viveu para ver, mas está vendo lá de cima.
    Adoreeeiii a resenha Chris!
    Beijocas

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  7. Olá!
    Esse é um dos meus livros favoritos. Me encantei com Anne, que apesar de tudo o que estavam passando sempre manteve a chama da esperança. E a maneira dela escrever? Que coisa mais linda. Queria eu escrever tão bem quanto ela.
    Dizem que é nas dificuldades que nossos dons se afloram, no caso dela é realmente verdade.
    É um livro que todos deveriam ler.
    Beijos.

    Li
    Literalizando Sonhos

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  8. Comprei o livro da Anne na Bienal de São Paulo, ano retrasado, mas até agora não consegui ler ainda. Minha irmã leu e disse ser muito bom. Vou tentar encaixar em uma das minhas leituras.

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  9. Oi,
    Ainda não li esse livro, mas quero muito ler. É uma obra muito importante para a história. Dificilmente se vê a individualidade de cada um em um período de guerra onde todos são apenas números. Assim passamos a ver mais humanidade no outro e entendê-lo melhor, não é?
    beijos

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  10. Li esse livro muito tempo atrás e lembro que gostei muito, apesar de ficar pensando em todo sacrifício que Anne e os seus passaram. Apesar de tudo a melhor parte foi acompanhar a rotina dos ocupantes do anexo, os sentimentos e conflitos de convivência entre eles, além do amadurecimento de Anne com o passar dos dias. Só em imaginar (me colocar) no lugar deles não sei se teria controle emocional e esperança para viver dois anos trancada e convivendo com o medo diário de ser descoberta e arrastada para algum campo de concentração sem possibilidade de sobreviver. Acredito que o medo afeta cada pessoa de forma diferente e a postura positiva da Anne deve ter ajudado todos ao seu redor.

    Sei texto ficou muito bom, toda explicação sobre a publicação do diário e suas versões/edições. Além disso suas impressões só acrescentaram qualidade ao texto. E te entendi porque também senti isso quando li. É incrível essa certeza que Anne tem que tudo terminará bem e sua capacidade de fazer planos, mesmo diante de toda limitação (falta de liberdade e paz) em que vive.
    Como vc mesma destacou esse livro toca cada pessoa de um jeito e com certeza se o lermos em fases diferentes de nossa vida nossas impressoes serão diferentes também.
    Enfim amei ler sua resenha e parabéns por começar o ano tão bem!!! Beijos

    Leituras, vida e paixões!!!

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  11. Olá! Nunca li esse livro, sério! Sempre vejo as pessoas falando bem, mas nunca tive a oportunidade em ler. Deve ser um relato bem interessante e emocionante sobre a vida dela e o que ela sentiu durante esse período sombrio da história. ESpero poder ler logo, beijos!

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  12. Oiee!!
    Esse é um dos livros que só fico enrolando pra ler. Sabe quando você quer muito ler mas aparecem outros que coloca na frente? Pois é! Acontece comigo desde o ano passado com esse livro. Só vejo resenhas positivas dele e é uma maneira de saber mais sobre esse passado que tanto fez pessoas sofrerem.
    Não sabia que tinham tantas versões desse livro e achei bacana sua explicação.
    Vou tentar ler logo logo.
    Bjo

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  13. Olá! Tenho muito interesse na leitura desse livro, embora ainda não tenho achado um tempinho para degustar essa leitura.
    Adorei a sua resenha, super completa de informações e detalhes, como esse que eu não sabia, sobre o pai dela ter feito um “resumo” do diário “original” + diário “editado” por Anne, retirando as partes sobre a sexualidade e sobre as brigas com a mãe.
    Imagino que, mesmo na situação difícil em que se encontrava (escondida e tentando proteger a sua vida), Anne viva crises de humor e enfrente os problemas normais da vida de qualquer pessoa, como você narra na resenha.
    Super curiosa, parabéns pela resenha!
    Beijos!

    Karla Samira
    http://pacoteliterario.blogspot.com.br/

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