Resenha: Holocausto Brasileiro – Projeto #lendo100mulheres

 UPDATE: Acho que peguei muito pesado com minhas opiniões nesta resenha, chegando a parecer grosseira porque estava muito frustrada com a leitura e resenhei assim que terminei o livro, portanto, pensei muito e resolvi editar o post em 24/05/2016.

Holocausto Brasileiro, escrito por Daniela Arbex.

Formato: eBook Kindle

Tamanho do arquivo: 25311 KB

Editora: Geração Editorial (1 de junho de 2013)

Vendido por: Amazon Servicos de Varejo do Brasil Ltda

Idioma: Português

ISBN 978-85-8130-156-3

 

Descrição:

Durante décadas, milhares de pacientes foram internados à força, sem diagnóstico de doença mental, num enorme hospício na cidade de Barbacena, em Minas Gerais. Ali foram torturados, violentados e mortos sem que ninguém se importasse com seu destino. Eram apenas epiléticos, alcoólatras, homossexuais, prostitutas, meninas grávidas pelos patrões, mulheres confinadas pelos maridos, moças que haviam perdido a virgindade antes do casamento.Ninguém ouvia seus gritos. Jornalistas famosos, nos anos 60 e 70, fizeram reportagens denunciando os maus tratos. Nenhum deles — como faz agora Daniela Arbex — conseguiu contar a história completa. O que se praticou no Hospício de Barbacena foi um genocídio, com 60 mil mortes. Um holocausto praticado pelo Estado, com a conivência de médicos, funcionários e da população.

Resenha

 

O livro é no estilo livro-reportagem que tem a pretensão de trazer um documentário dobre as barbáries cometidas dentro do hospital psiquiátrico Colônia de Barbacena. Traz algumas passagens da vida de alguns ex-pacientes, bem como de alguns ex-funcionários e conta algumas histórias sobre o tratamento que era dispensado aos doentes. Também conta que muitas pessoas internadas no hospital não eram doentes, mas apenas pessoas que transgrediram o sistema de alguma forma, seja moral ou social.

A história do hospital é brevemente relatada, alguns dos abusos cometidos também e há muitas histórias sobre alguns dos sobreviventes. A autora também fez questão de destinar muitas páginas para o fotógrafo autor das fotos que ilustram a obra, relatou passagens das vidas de alguns médicos que trabalharam no hospital e contou de forma breve como o hospital foi desativado.

Minhas impressões

13116328_1740516776220491_8533071690578866777_o
Foto do Instagram

 

Terminei a primeira leitura do projeto #lendo100mulheres e o que era pra ser uma leitura super empolgante virou uma expressão de “é, né”. Que livro ruim. Sinceramente, cheguei a pensar que fora uma perda de tempo porque o que eu li no livro poderia ser facilmente encontrado pela internet, e teria me poupado algumas linhas desagradáveis que me soaram como “babação de ovo” desnecessária ao fotógrafo, a alguns médicos e muitos políticos.

Contaram com o apoio do diretor João Raymundo Coutto da Matta, até receberem o primeiro salário.

Por essa nota, que se repete em muitas linhas da mesma maneira, a autora faz questão de dar nome e sobrenome a alguns, mas outros funcionários menos expressivos eram apenas chamados de “Zé”, “Maria”, ou seja, pareceu-me que a autora deu nome e sobrenome a quem importava.

A autora não se aprofundou no assunto, não contou a história do hospital, de como foi construído, quem o fundou, o porquê foi criado, o porquê da escolha daquela Cidade, não tem sequer uma planta do lugar.

Na chegada, como o motorista havia errado o caminho, o jornalista e a fotógrafa Jane Faria entraram pela porta dos fundos, onde havia mato alto e lixo…

Querida Daniela Arbex, se um dia você ler isto, CADÊ AS FOTOS DESSE LUGAR COM MATO ALTO E LIXO? E cadê as fotos do lugar onde eles dormiam, que você descreve como  coberto de capim? Sobram fotos dos pacientes nus no pátio, mas outras descrições ficam sem qualquer ilustração, parecendo que esse trecho só serviu para informar o nome da fotógrafa. Fica a reflexão.

No todo as histórias são pinceladas, com aquele texto super apelativo e desnecessário porque a história de horror fala por si mesma, não precisava nominar o inominável. e o mais curioso é que a autora traça esse raciocínio num trecho:

As palavras sofrem com a banalização. Quando abusadas pelo nosso despudor, são roubadas de sentido

Como eu acredito que tudo o que a gente lê serve para alguma coisa, posso dizer que o livro valeu por essa frase que é bastante emblemática.

Conclusão: é aquele tipo de leitura chata, estilo Globo Repórter, sabem? O livro mal informa e não desperta grandes emoções.

Então é isso, não vou me alongar porque a leitura não me disse muita coisa, aliás, não me disse nada de interessante. Eu acho que esse livro foi escrito em homenagem a médicos, políticos e jornalistas, porque porque a história do lugar virou pano de fundo para babação de ovo. #prontofalei

Gostaria de abrir o debate, então, se você já leu e tem uma opinião diferente, deixe nos comentários, vamos trocar uma ideia!

Beijocas.

 

 

Anúncios

2 comentários em “Resenha: Holocausto Brasileiro – Projeto #lendo100mulheres

  1. Eu achei que tinha resenhado esse livro lá no blog. Comprei porque achei o tema super interessante, e, se tratando de barbáries no Brasil, como historiadora, não encontro muitas fontes sobre. Não considerei o livro ruim como um todo, acredito que se escrito por um profissional de História os temas pertinentes viriam mais à tona, como o histórico da cidade e a história mais aprofundada do hospital em si. É claro que é um livro jornalístico onde se fala mais dos que são presente, não daqueles que são passado. Eu não acho que a leitura, para mim, tenha sido uma perda de tempo pois eu não conhecia nada em relação ao caso e pra mim só veio à abrir uma possibilidade de pesquisa e aprofundamento do caso. Acredito que seja um livro para vender, mas acima de tudo, por mais rasa que seja a pesquisa da moça, acaba trazendo algumas questões pertinentes à tona, como maus tratos em ambientes hospitalares.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Oi, Grazi! Eu procurei no teu blog e não encontrei a resenha. Queria saber o que você achou do livro mesmo, estava louca pra conversar contigo sobre, mas como fiquei sem celular, estou com pouco acesso à internet, só quando entro no notebook. Então, eu acho exatamente isso que você falou sobre a autoria do livro, que se fosse feito por um historiador ganharíamos muito mais. Eu já conhecia a história de alguns hospitais psiquiátricos porque na época que lançou o “bicho de sete cabeças ” ( se não viu, veja!) eu fiquei obcecada pelo assunto e li muita coisa a respeito. No mais eu achei a leitura rasa e sensacionalista, fiquei muito frustrada com o livro e escrevi esse post assim que acabei de ler, na emoção mesmo. rs bjos e obrigada por deixar a tua opinião!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s