Resenha: O casal que mora ao lado, Shari Lapena

  • Capa comum: 294 páginas
  • Editora: Record (7 de abril de 2017)
  • Idioma: Português
  • ISBN-10: 8501109541
  • ISBN-13: 978-8501109545
  • Dimensões do produto: 22,8 x 15 x 1,8 cm
  • Peso do produto: 340 g

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Sinopse:

É o aniversário de Graham, e sua esposa, Cynthia, convida os vizinhos, Anne e Marco Conti, para um jantar. Marco acha que isso será bom para a esposa; afinal, ela quase nunca sai de casa desde o nascimento de Cora e da depressão pós-parto. Porém, Cynthia pediu que não levassem a filha. Ela simplesmente não suporta crianças chorando.
Marco garante que a bebê vai ficar bem dormindo em seu berço. Afinal, eles moram na casa ao lado. Podem levar a babá eletrônica e se revezar para dar uma olhada na filha. Tudo vai dar certo. Porém, ao voltarem para a casa, a porta da frente está aberta; Cora desapareceu. Logo o rapto da filha faz Anne e Marco se envolverem em uma teia de mentiras, que traz à tona segredos aterradores.

Anne é uma mulher forte, inteligente, que casou com Marco, um homem bonito e de parcos recursos, que tenta manter a família sem a interferência dos pais de Anne, que são milionários. Eles tiveram uma filha há seis meses e juntos estão lidando com a depressão pós parto de Anne, que, após o nascimentos da filha, está afastada do emprego, sentindo-se fora do padrão de beleza, desleixada e aprendendo a lidar com a maternidade. Marco está tentando entender a doença da esposa e faz de tudo para ajudá-la, mas sente-se cada vez mais repelido e impotente.

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O casal contratou uma babá que não pode comparecer na noite em que eles resolvem tirar uma folga para comparecerem em uma festinha de aniversário na casa do vizinho. Como as casas são geminadas, ou seja, coladas uma com a outra, o casal resolve ir a festa assim mesmo, e se revezam de meia em meia hora para olhar a filha, Cora. Anne não está muito confortável com essa ideia, mas aceita sob a insistência de Marco, que pondera sobre a necessidade dos dois divertirem-se um pouco sozinhos, na esperança de que isso também ajude sua esposa, o que parece plausível para Anne naquele momento.

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A noite não corre muito bem porque Anne percebe um flerte entre a vizinha e seu marido, o que a deixa ainda mais desconfortável e instável mas, como ela bebeu um pouco de vinho, tem dúvidas sobre a sua percepção da realidade, então obriga  Marco a acompanhá-la de volta para casa. Quando estão saindo da casa dos vizinhos para entrar na casa deles, Anne percebe que a porta da frente da casa está entreaberta, e corre para ver Cora. Anne constata que a filha sumiu.

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O casal fica desesperado e  chama a polícia, e a partir desse momento vira alvo da desconfiança da polícia, dos vizinhos, parentes e da opinião pública. Como eles puderam deixar a filha de seis meses dormindo sozinha enquanto se divertiam em bebedeira na casa dos vizinhos? Será que Anne matou a própria filha numa crise psicótica? será que Marco encobriu o crime para salvar sua esposa? Essa é a imagem que o casal passa a ter na comunidade, e vira alvo das investigações do detetive Rasbach e sua equipe.

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A partir daí temos a história se desenvolvendo sob diversos pontos de vista. O narrador onisciente nos apresenta as percepções dos fatos por Anne, Marcos e Rasbach, e vai esmiuçando cada lampejo de ideia que surge na mente de cada um, colocando suas dúvidas diante dos nossos olhos para serem sanadas, ou não.

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O desenvolver da trama se dá num ritmo frenético que impede o leitor de interromper a leitura, pois os capítulos são curtos e muito ricos de reflexões e de novas peças que vão se encaixando para formar a convicção sobre a cena. Mas a cada nova pista, a cada revelação de segredos que cada um esconde, o leitor é levado a uma nova chave que pode abrir a próxima porta para desvendar o mistério.

Minhas impressões de leitura

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Eu comecei a leitura bastante cética porque não costumo ler thriller psicológico, então não sabia muito bem o que esperar. Fui pega logo nas primeiras páginas, e não consegui mais largar. Li o livro em menos de 24h porque os capítulos são curtinhos e a narrativa é muito rápida, te dá a informação sem entregar todo o jogo, deixando um ar de mistério muito envolvente, mas sem cair na mesmice.

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Tudo ia muito bem até o enigma começar a ser desvelado. Acho que a autora poderia ter nos revelado a autoria do sequestro da mesma forma que  nos foi entregando as primeiras pistas, e não revelando quase tudo na metade do livro. Quando descobri como o rapto tinha se dado fiquei um pouco decepcionada. Não por ser previsível, mas pela forma como foi contado. A cena da revelação é muito simplória, e me tirou um pouco da imersão. Foi como virar uma chavinha no meu cérebro e me avisar: ei, isso é ficção!

Após a revelação da autoria, a narrativa segue no mesmo ritmo frenético, e o leitor tem a sensação de que ainda não sabe tudo o que aconteceu. Essa foi uma parte interessante, porque aguçou ainda mais a minha curiosidade.

Mais elementos vão sendo adicionados ao desfecho, e é como se a história fosse “desembaçando” até alcançarmos com nitidez tudo o que estava encobertos pelas mentiras e manipulações que nem mesmo o leitor, com todas as informações e pontos de vistas de todos os personagens, conseguiria enxergar por si só.

Mas o final foi impactante demais. Era previsível, por todo o contexto histórico da personagem, que agisse daquele jeito, mas era mesmo necessário? Senti que ficou algo fora do eixo, que não se encaixou com o rumo dos acontecimentos.  Por outro lado, não era algo impossível de acontecer, era algo de certa forma até previsível, mas a cena que o motivou não teve muito sentido para mim. E outros fatos que foram acrescentados,  meio que para preencher o final, sem muito detalhamento de como aconteceram para culminar no ponto central, deixou uma impressão de efeito Frankenstein, uma história enxertada pelas beiradas, apenas para encaixar personagens que tiveram uma certa importância e foram perdidos pelo caminho.

Eu realmente gostei de acompanhar toda a trama, de desvendar o mistério junto com as personagens, e consegui me inserir facilmente dentro da narrativa. Senti como se estivesse lá dentro, observando cada passo, respirando aquela atmosfera sombria, cheguei a sentir uma certa falta de ar em determinado momento, pela agonia que uma das personagens estava passando, tive muitos sentimentos conflituosos, me conectei facilmente com as personagens durante a leitura e, no geral, essa foi uma experiência muito prazerosa para mim.

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A autora foi advogada e professora de inglês antes de tornar-se escritora. O livro é seu primeiro Thriller e foi finalista do Goodreads Choice Awards na categoria mistério e Thriller e figurou várias semanas na lista dos mais vendidos do New York Times.
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