Dez contos escolhidos, Eça de Queirós.

Detalhes do produto

  • Capa comum: 256 páginas
  • Editora: José Olympio (15 de maio de 2017)
  • Idioma: Português
  • ISBN-10: 8503013142
  • ISBN-13: 978-8503013147

Antologia reúne contos consagrados e algumas narrativas menos conhecidas no Brasil
Esta bela seleção de contos do grande Eça de Queirós compõe um panorama dos temas característicos da obra do grande autor português. Seja pela crítica direta aos costumes de sua época ou pela alegoria de situações que mudam com a sociedade, Eça escreveu sobre o comportamento humano, do qual era arguto observador. Sempre em linguagem leve e direta, usando das sutilezas como tempero; o principal eram os personagens e suas histórias. Um talento que o projetou como o mestre do romance português moderno e que também pode ser conferido por meio dos seus contos.

Esse livro contém dez contos de Eça de Queirós e é uma maneira deliciosa de conhecer um pouco da cultura de Portugal e, também, de degustar um pouquinho da obra desse grande escritor.

Formado em Direito pela Universidade de Coimbra, Eça exerceu o jornalismo, a advocacia e função administrativa nas cidades de Évora, Leiria e Lisboa. Depois de aprovado para a carreira diplomática, foi nomeado para servir em Havana, Bristol e Paris. Ao longo desse tempo de trabalho profissional para prover o sustento da família, ele produziu a sua obra literária, iniciada no tempo de estudante.

Amava profundamente a sua pátria e, por isso mesmo, não deixava de criticá-la lançando sua ironia sobre vários aspectos da sociedade portuguesa na tentativa de reformá-la, o que podemos observar em todas as fases de sua carreira de escritor que, ora criticava ferrenhamente a pátria, ora se reconciliava com ela.

A família é um tema muito recorrente em Eça de Queirós, o que se explica se observarmos que no século XIX a ideia de progresso tinha a família como a base de sustentação da sociedade capitalista burguesa que almejava o desenvolvimento demográfico. Assim, podemos observar na obra do autor que a sociedade da época delimitava os papéis do homem e da mulher na sociedade: a ele caberia o espaço público do trabalho e da produção de riqueza; a ela, o espaço privado do lar e a missão sagrada de educar as crianças para a construção da pátria.

Suas histórias são apegadas ao território nacional, sempre ambientadas em cidades e no meio rural, para enaltecer ou para lamentar a pátria, e nesses contos reunidos encontramos aquilo que marca profundamente o trabalho do autor: um forte comprometimento com a identidade cultural de Portugal que, naquela época, vivia a passagem de reino a república, que somente foi proclamada em 1910.

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A casa das sete mulheres, Leticia Wierzchowski

  • Capa comum: 462 páginas
  • Editora: Bertrand (29 de maio de 2017)
  • Idioma: Português
  • ISBN-10: 8528622045
  • ISBN-13: 978-8528622041
  • Dimensões do produto: 22,6 x 15,2 x 3,2 cm
  • Peso de envio: 581 g

Durante a Revolução Farroupilha (1835-1845) — uma luta dos latifundiários rio-grandenses contra o Império brasileiro —, o líder do movimento, general Bento Gonçalves da Silva, isolou as mulheres de sua família em uma estância afastada das áreas em conflito, com o propósito de protegê-las. A guerra que se esperava curta começou a se prolongar. E a vida daquelas sete mulheres confinadas na solidão do pampa começou a se transformar. O que não está nos livros de história sobre a mais longa guerra civil do continente está neste livro de Leticia Wierzchowski, um exercício totalizador sobre a violência da guerra e sua influência maléfica sobre o destino de homens e de mulheres.

Bento Gonçalves é um revolucionário que luta por direitos e liberdade. Ao deixar sua casa para liderar a Guerra dos Farrapos, decide enviar sua mulher, seus filhos, sua irmã e suas sobrinhas para a casa de sua outra irmã, onde estarão longe dos conflitos e protegidos do perigo. Contudo, a guerra se estende e a família tem muitas perdas, e aquelas mulheres sofrem de uma enorme solidão que atinge cada uma de maneira peculiar.

Ninguém sai imune, todas sofrem as consequências da revolução, mesmo que distantes: uma enlouquece, outra é abandonada, uma sofre a perda dos filhos, outra se entrega a um amor proibido. Temos várias histórias narradas sob dois pontos de vista: um narrador onisciente e uma das personagens que escreve todas as suas dores em um diário.

Assim vamos descortinando a história e vivenciando todas as dores e sofrimentos dessas sete mulheres incríveis que, decerto, traduzem e dão uma amostra ao leitor das consequências da Guerra nas famílias envolvidas.

Um romance que tem como pano de fundo a Guerra Farroupilha e apresenta personagens históricos como Bento Gonçalves e o casal Anita e Giuseppe Garibaldi. Assim a história é desenvolvida, e o leitor fica em dúvida sobre o que de fato aconteceu e o que é imaginação da autora. A trama é tão bem construída e detalhada que nos confunde sobre a realidade e a ficção, e nos traz uma curiosidade crescente sobre os fatos históricos que marcaram essa parte da nossa História.

Eu gostei muito da leitura fluida, detalhista e muito envolvente da autora. Logo darei início aos outros dois volumes que trazem a continuação da saga e postarei a resenha aqui para vocês: Um farol no Pampa e Travessia.

O Sorriso da Hiena, Gustavo Ávila.

  • Capa comum: 266 páginas
  • Editora: Verus (5 de junho de 2017)
  • Idioma: Português
  • ISBN-10: 8576865947
  • ISBN-13: 978-8576865940

É possível justificar o mal quando há a intenção de fazer o bem? Uma trama complexa de suspense e jogos psicológicos.

Atormentado por achar que não faz o suficiente para tornar o mundo um lugar melhor, William, um respeitado psicólogo infantil, tem a chance de realizar um estudo que pode ajudar a entender o desenvolvimento da maldade humana.
Porém a proposta, feita pelo misterioso David, coloca o psicólogo diante de um complexo dilema moral. Para saber se é um homem cruel por ter testemunhado o brutal assassinato de seus pais quando tinha apenas oito anos, David planeja repetir com outras famílias o mesmo que aconteceu com a sua, dando a William a chance de acompanhar o crescimento das crianças órfãs e descobrir a influência desse trauma no desenvolvimento delas. Mas até onde William será capaz de ir para atingir seus objetivos?
Em O sorriso da hiena, o leitor ficará fisgado até a última página enquanto acompanha o detetive Artur Veiga nas investigações para desvendar essa série de crimes que está aterrorizando a cidade.

Fizemos um diário de leitura em live no Instagram para este livro, vocês lembram? Eu amei a experiência porque não estou acostumada com esse tipo de história e tudo me surpreendeu. Foi uma leitura eletrizante uma verdadeira viagem!

A caracterização das personagens é perfeita, traz uma humanidade e um senso de realidade tão fortes que conseguimos ter sentimentos ambíguos por quase todos os envolvidos na trama. A história é complexa e ao mesmo tempo muito fácil de assimilar porque o autor tem uma escrita fluída, clara e detalhista, sem perder a velocidade.

Não curti muito quando uma das personagens, que é policial, vai até a casa do David sozinha. Acho que um policial não cometeria esse erro aqui no mundo real, e essa foi a única passagem que me tirou da imersão da leitura. 

De resto amei cada detalhe! A história é genial, o retrato das cenas cinematográficas que ainda estão claras e muitos vivas na minha memória, mesmo após quase três meses da leitura, me fizeram eleger este como um dos livros favoritos de 2017.

Cenas Londrinas, Virgínia Woolf.

  • Capa comum: 96 páginas
  • Editora: José Olympio (8 de maio de 2017)
  • Idioma: Português
  • ISBN-10: 8503013126
  • ISBN-13: 978-8503013123
  • Dimensões do produto: 21 x 14 x 0,5 cm
  • Peso do produto: 141 g

Um retrato da década de 1930 em Londres — e uma aula sobre como explorar a consciência da modernidade.
Cenas londrinas compila seis crônicas nas quais Virginia Woolf confirma sua paixão por sua cidade natal. Virginia faz um retrato da década de 1930 ao observar o encanto da moderna Londres. Ao se deslocar para a perspectiva tanto de grandes homens quanto de cidadãos comuns, a autora oferece uma visão original, clara e atraente do movimento orgânico das ruas.
Inicialmente publicado com cinco narrativas – produzidas entre 1931 e 1932 –, a este volume se soma a crônica descoberta na biblioteca da Universidade de Sussex, em 2005. É como se Virginia estivesse conduzindo o leitor por um passeio, começa nas docas de Londres, depois migra para o tumultuado comércio ambulante da Oxford Street, prossegue com um curioso giro por endereços de grandes homens – em busca de escritores ilustres. Há a contemplação das catedrais de St. Paul e de Westminster, e a visita à casa de Keats, em Hampstead. Por fim, o olhar se fixa na figura típica da mulher de classe média inglesa, para Ivo Barroso, “a visão de um microcosmo representativo de toda uma nacionalidade”.

 

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Nesta coletânea de crônicas da escritora inglesa Virgínia Woolf temos  seis crônicas escritas entre os anos de 1931 e 1932, sendo que a última só foi descoberta posteriormente e  acrescentada em 2005.

Nestas crônicas fazemos um verdadeiro passeio guiado por Londres, no qual a escritora nos fala sobre o comércio, sobre a arquitetura, as paisagens, dos artistas e suas artes, da política, da religião, da vida cotidiana dos moradores daquela cidade de modo geral.

Seja passeando pelo porto, pelas casas dos “ricos”, ou por igrejas, Virgínia pontua sobre o presente com um toque de nostalgia, apontando a vida moderna como reflexo da evolução da cidade.

Apesar de ser um livro curtinho, ele nos traz um panorama completo sobre a vida em Londres, não apenas do ponto de vista do observador, mas dos nativos daquela cidade, pois com sua narrativa ela deixa transbordar a essência londrina que carrega em suas veias.

Um leitura rápida, prazerosa e muito rica, que com certeza nos levará a conhecer um pouco da cultura londrina com o plus de desfrutar de uma excelente escrita.

PREÇO ACESSÍVEL 5/5
A HISTÓRIA PRENDE O LEITOR 4/5
CULTURA DE MUNDO PROPORCIONADA 5/5
A LINGUAGEM É DE FÁCIL ENTENDIMENTO 5/5

 

 

O diário do diabo, Robert K. Wittman e David Kinney.

  • Capa comum: 462 páginas
  • Editora: Record (10 de março de 2017)
  • Idioma: Português
  • ISBN-10: 8501087203
  • ISBN-13: 978-8501087201
  • Dimensões do produto: 22,6 x 15,2 x 3 cm
  • Peso do produto: 540 g

Alfred Rosenberg foi uma figura importante no círculo íntimo de Adolf Hitler: sua obra sobre a filosofia racista se tornou um best-seller nacional e um dos pilares da ideologia nazista. Declarado culpado e executado durante os julgamentos de Nuremberg, Rosenberg mantinha um diário, peça-chave para desvendar a mente por trás de tantos crimes, que desapareceu de forma misteriosa e percorreu o mundo até ser encontrado, depois de uma busca de dez anos, pelo agente do FBI Robert K. Wittman.
Com base nos registros de Rosenberg sobre sua participação no confisco de obras de arte e na brutal ocupação da União Soviética, suas conversas com Hitler, sua eterna rivalidade com Göring, Goebbels e Himmler, O diário do diabo revela as engrenagens do regime nazista – e a mente do homem cuja visão extremista deu origem à “Solução Final”.

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O diário do diabo é um livro que traz trechos do diário escrito durante muitos anos por Alfred Rosemberg, que foi um dos mais importantes ideologistas do nazismo e também cofundador do partido nazista. Esse foi encontrado no final da segunda guerra mundial  mas se perdeu em 1949, ficando sumido durante algumas décadas, até que Robert Wittman conseguiu encontrá-lo, com sua experiência em recuperação de artefatos históricos, bem como consultor do FBI, e, assim, teve uma pista do diário em 2001, levando-o ao documento uma década depois.

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Alfred Rosemberg foi o principal consultor de Hitler e quem fomentou o antissemitismo com ideias sobre a tal “conspiração judaica mundial por trás da Revolução Russa”, o que, inclusive, culminou na invasão dos alemães na Rússia em 1941.

Rosemberg escreveu “O mito do século XX”, um livro que vendeu mais de um milhão de cópias e foi a “bíblia” do nazismo, junto com Mein Kampf, Do Hitler, apesar da crítica especializada da época o julgar confuso e pouco objetivo porque juntava um conjunto de falsas crenças não comprovadas de antigos filósofos e teóricos, com suas próprias crenças políticas. Ou seja, Rosemberg criava e recriava teorias fundamentadas em falsas premissas para balizar suas crenças conspiratórias.

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Eu tive altas expectativas com o livro, que não foram atendidas. Acreditei que encontraria o diário na íntegra, e isso não aconteceu. O que temos é um relato minucioso sobre as buscas ao diário, o que é uma parte muito interessante do livro, com relatos esparsos e confusos sobre toda a trajetória do nazismo, num zigue-zague pouco produtivo que mais confunde do que ajuda o leitor. O diário, na verdade, é utilizado no livro como fonte para a narrativa dos fatos, para comprovação da ideologia nazista e como norteador dos acontecimentos.

Portanto, para quem busca uma leitura completa do diário de Rosemberg, essa não é uma leitura recomendada, mas para quem busca entender a ideologia nazista e como o partido foi criado, eis aqui um material interessante.

Minha avaliação pessoal do livro:

A HISTÓRIA PRENDE O LEITOR      3/5

A LINGUAGEM É DE FÁCIL ENTENDIMENTO 5/5
PREÇO ACESSÍVEL 4/5
CULTURA DE MUNDO PROPORCIONADA 5/5

Laranja Mecânica, Anthony Burgess

  • Formato: eBook Kindle
  • Tamanho do arquivo: 1639 KB
  • Número de páginas: 226 páginas
  • Editora: Editora Aleph (16 de setembro de 2015)
  • Vendido por: Amazon Servicos de Varejo do Brasil Ltda
  • Idioma: Português
  • ASIN: B015EE5D6M

Narrada pelo protagonista, o adolescente Alex, esta brilhante e perturbadora história cria uma sociedade futurista em que a violência atinge grandes proporções e provoca uma resposta igualmente agressiva de um governo totalitário. Ao lado de 1984, de George Orwell, e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, Laranja Mecânica é um dos ícones literários da alienação pós-industrial que caracterizou o século 20. Adaptado com maestria para o cinema em 1972 por Stanley Kubrick, o livro é uma obra marcante que atravessou décadas e se mantém atual.

Alex, Pete, Georgie e Tosko são quatro nadsats druguis ociosos que compõem uma shaika que gosta de sair a noite para dratar com ultraviolência. Eles invadem domi, estupram devotchka, batem em ded, krastam denji, usam drencrom e pitam seu moloko  como se fosse nada demais. Alex é o mais violento e também o líder nada querido por seus druguis. Certa noite, eles invadem uma domi e Alex ubivata uma estica, sendo traído por seus druguis, que o deixam ser pego pela miliquinha. Alex é, então, um pleni, e se habilita para ser cobaia de uma novo método de recuperação de prestupnik chamado Ludovico, que consta em receber medicação e ser obrigado a smotar vídeos de ultraviolência, tendo suas pálpebras pregadas de forma que não consiga sequer pikpiscar seu glazi ou mover sua mosga. Um método por associação em que toda vez que Alex sente vontade de delinquir, sente-se imediatamente bolnói, o que o impede de agir voluntariamente e o faz passar por situações que colocam sua vida em risco. 💊

Dizer que eu gostei do livro seria muito pouco perto da experiência de leitura  indescritível que eu tive. Já havia assistido ao filme, mas o livro te leva a outro nível. 💊

E se você não poneou muito bem o que escrevi é porque precisa realmente passar por essa experiência. Leia o prefácio com as notas do tradutor e vença a curiosidade de ler pelo Glossário Nadsat que acompanha a obra porque o autor espera que você mergulhe nessa leitura e sinta toda a complexidade e estranhamento ao se deparar com as reflexões quase ininteligíveis do universo adolescente de Alex. 💊

Então,  o que é que vai ser, hein? 💊

Boa viagem!

A cor púrpura, Alice Walker.

Para comprar o livro, clique aqui.

  • Formato: eBook Kindle
  • Tamanho do arquivo: 1408 KB
  • Número de páginas: 282 páginas
  • Editora: José Olympio (7 de março de 2016)
  • Vendido por: Amazon Servicos de Varejo do Brasil Ltda
  • Idioma: Português
  • ASIN: B01CO0F8VY

Sinopse da Editora

*O livro teve uma adaptação para o cinema, filme dirigido por Steven Spielberg, com Whoopi Goldberg, Oprah Winfrey e Danny Glover no elenco.

Um dos mais importantes títulos de toda a história da literatura, inspiração para a aclamada obra cinematográfica homônima dirigida por Steven Spielberg, o romance A cor púrpura retrata a dura vida de Celie, uma mulher negra do sul dos Estados Unidos da primeira metade do século XX. Pobre e praticamente analfabeta, Celie foi abusada, física e psicologicamente, desde a infância pelo padrasto e depois pelo marido.
Um universo delicado, no entanto, é construído a partir das cartas que Celie escreve e das experiências de amizade e amor, sobretudo com a inesquecível Shug Avery. Apesar da dramaticidade de seu enredo, A cor púrpura se mostra extremamente atual e nos faz refletir sobre as relações de amor, ódio e poder, em uma sociedade ainda marcada pelas desigualdades de gênero, etnia e classes sociais.

Mas eu num sei como brigar. Tudo queu sei fazer é cuntinuar viva.
A história se passa entre os anos de 1900 e 1940 nos EUA, o que não é claramente apontado no texto, porque é contada através de cartas que inicialmente Celie escreve para Deus. Ela é uma mulher pobre, negra, explorada e abusada, solitária e semi analfabeta que não tem com quem se abrir. Portanto, as cartas são curtinhas e em linguagem “caipira” de uma mulher negra que vive todas as dores do preconceito racial, do machismo e da misoginia. E Celie parece que nasceu no corpo errado, na cidade errada, no país errado, na família errada. Ou seja, tudo está invertido na vida dessa pobre mulher negra submissa e muito sofrida.
E se você pergunta por que você é preto ou é um homem ou uma mulher ou uma moita isso num quer dizer nada se você num pergunta por que é que você tá aqui, pronto.
Celie foi abusada sexualmente por seu pai e, aos quatorze anos, teve dois filhos desse abuso e que foram separados dela ainda bebês. Ela também ficou estéril por conta disso e foi praticamente vendida pelo seu pai a um homem muito mais velho que ela e que a espancava, abusava e explorava fisicamente em trabalhos exaustivos, e se viu separada da única pessoa que amava e com quem poderia, contar, sua irmã Nettie, que viaja para a África como missionária na esperança de uma vida melhor.
Quanto mais eu adimiro as coisa, ele falou, mais eu amo.
E as pessoas, eu aposto, começam a amar você de volta, eu falei.
A vida de Celie começa a mudar quando seu marido leva a amante para dentro de casa, para se recuperar de uma doença. Inicialmente, Shug Avery, uma cantora de blues bonita, cobiçada, independente e muito bem resolvida com sua sexualidade, despreza Celie e também se aproveita de sua fragilidade, mas ao ver o quanto ela é dedicada e boa para com qualquer pessoa que cruze seu caminho, mesmo que essa pessoa seja a amante de seu marido, ela inicia uma verdadeira revolução na vida de Celie, mostrando a ela seu valor como pessoa, pois Celie até então havia sido tratada pior que um animal.
Mas no fundo do meu coração eu me importava com Deus. O que ele ia pensar. E acabei discrobrindo que ele num pensa. Só fica sentado lá na glória de ser Deus, eu acho, Mas num é fácil tentar fazer as coisa sem Deus. Mesmo se você sabe que ele num tá lá, tentar fazer sem ele é duro.
O livro tem um ritmo gostoso, no qual podemos acompanhar a evolução, aprendizado e inúmeras descobertas da Celie e, apesar de ser um romance de correspondência, traz muitas subtramas com desfechos emocionantes e que não cansam o leitor.
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Alice Malsenior Walker é uma escritora estado-unidense e ativista feminista.

A astúcia cria o mundo, Lewis Hyde.

  • Capa comum: 546 páginas
  • Editora: Civilização Brasileira (31 de março de 2017)
  • Idioma: Português
  • ISBN-10: 8520009433
  • ISBN-13: 978-8520009437
  • Dimensões do produto: 22,4 x 15,4 x 3,6 cm
  • Peso do produto: 621 g

Sinopse da Editora:

Neste livro fascinante, Lewis Hyde explora os velhos mitos que afirmam ter sido o trickster – a figura mitológica que oscila entre o herói e o galhofeiro – quem fez deste mundo o que ele é. Primeiro, revisita as antigas histórias – Hermes na Grécia, Exu na África Ocidental, Krishna na Índia, Coiote na América do Norte, entre outros – e depois as compara à vida e às obras de criadores mais recentes, como Pablo Picasso, Michel Duchamp e Allen Ginsberg. Hyde argumenta que nosso mundo – complexo, ambíguo, belo e sujo – foi uma criação ainda não concluída do trickster. Notável em sua erudição, fluente e dinâmico em seu estilo, A astúcia cria o mundo figura entre as grandes obras da moderna crítica cultural.

Nesta obra, o autor nos traz um aprofundamento em seu significado da palavra “astúcia”, que não é tão negativo assim, de acordo com os exemplos tirados dos estudos mitológicos nos quais os trickters assumem uma figura de grande importância no desenvolvimento da humanidade.

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É difícil classificar a astúcia porque dependendo do contexto pode ser atribuída como qualidade ou como defeito. E é esse o ponto tratado neste livro de Lewis Hyde que mostra esse adjetivo classificado entre o bem e o mal, caracterizado pelos tricksters, que ficam no meio termo entre o vilão e o herói.

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O foco central do livro é descobrir como funciona a criatividade de artistas como Picasso, Marcel Duchamp, John Cage, Allen Ginsberg, Frederick Douglass, dentre outros, sem atribuir a eles o adjetivo de trickster, mas apenas mosotrar que “há momentos em que o exercício da arte e esse mito coincidem”. O autor frisa, também, que o trickster não é um ladrão banal, nem um mentiroso contumaz. Para ele, políticos desonestos não são tricksters porque estes pertencem à periferia, e aqueles ao centro e quando o trickster ganha poder, deixa de ser trickster.

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O trickster, na visão do autor, utiliza da trapaça para perturbar a ordem pré-estabelecida e elevar o mundo a outro nível. Portanto, o trickster tem um propósito elevado, e utiliza como exemplo a obra de Pablo Picasso, que levou o mundo a sério, depois o desfez e o reconstruiu com uma nova forma.

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O livro nos ajuda a refletir sobre os acontecimentos cotidianos e sobre a atuação de personagens inexpressivos que adquirem prestígio e reconhecimento em pouco tempo. Apesar de o assunto parecer um pouco complicado, o autor tem uma linguagem fácil que nos permite acompanhar seu raciocínio de forma bastante fluída e prazerosa. É uma obra excelente, que transita entre a filosofia e a história com maestria, fazendo com que o leitor leigo sinta-se confortável com a forma simples e ao mesmo tempo profunda com que o autor aborda o tema.

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Lewis Hyde é professor de escrita do Kenyon College e gosta de se definir como “poeta, tradutor e acadêmico freelancer”.

Cem anos de solidão, Gabriel Garcia Marquez.

 

  • Capa comum: 448 páginas
  • Editora: Record (21 de julho de 2014)
  • Idioma: Português
  • ISBN-10: 8501012076
  • ISBN-13: 978-8501012074
  • Dimensões do produto: 20,8 x 13,6 x 2,8 cm
  • Peso do produto: 481 g

Sinopse da Editora:

Neste, que é um dos maiores clássicos de Gabriel García Márquez, o prestigiado autor narra a incrível e triste história dos Buendía – a estirpe de solitários para a qual não será dada “uma segunda oportunidade sobre a terra” e apresenta o maravilhoso universo da fictícia Macondo, onde se passa o romance. É lá que acompanhamos diversas gerações dessa família, assim como a ascensão e a queda do vilarejo. Para além dos artifícios técnicos e das influências literárias que transbordam do livro, ainda vemos em suas páginas o que por muitos é considerado uma autêntica enciclopédia do imaginário, num estilo que consagrou o colombiano como um dos maiores autores do século XX.

Cem anos de solidão é um romance do realismo mágico escrita pelo colombiano Gabriel Garcia Marquez em 1967 e que ganhou o prêmio Nobel de literatura em 1982.

O livro se divide em vinte capítulos e narra a fundação, o auge e a decadência da cidade fictícia de Macondo e da família Buendía ao longo de sete gerações.

A obra traz uma proposta de narrar a realidade de forma que as leis do racionalmente verificável convivem com o mito e a fantasia sem se chocarem, ou seja, sem fazer diferença entre o real e o fantástico. A isso se dá o nome de realismo fantástico, onde a ficção e a realidade convivem de forma naturalizada.

Assim, temos na obra de Gabo uma forma de realismo onde um dilúvio de mais de quatro anos, a abdução de uma personagem aos céus e uma peste de esquecimento convivem harmoniosamente com a vida cotidiana e outros eventos como a guerra, massacres, romances e etc.

Choveu durante quatro anos, onze meses e dois dias.

Cem anos de solidão traz acontecimentos fantásticos sem qualquer atribuição ao divino e sem enfocar a sua importância, e nisso está a genialidade da obra, em nos fazer crer de forma incontestável e absolutamente natural que o mágico pode fazer parte dos acontecimentos cotidianos.

Se acreditam nas Sagradas Escrituras – replicou Fernanda – não vejo por que não haverão de acreditar em mim.

Ao contrário das Escrituras Sagradas, a obra de Gabo não tem a pretensão de exercer qualquer poder de influência sobre a vida das pessoas, apenas contar uma boa história de maneira muito divertida e com a função precípua de entreter.

Clique abaixo para ler o discurso importantíssimo do Gabo ao receber o prêmio Nobel em 1982.

DISCURSO GABO PREMIO NOBEL

Não: a violência e a dor desmedidas da nossa história são o resultado de injustiças seculares e amarguras sem conta, e não uma confabulação urdida a três mil léguas de nossa casa.

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Gabriel García Márquez, o Gabo, foi um dos poucos escritores do mundo que conseguiu, ao mesmo tempo, elogios da maior parte do público e da crítica literária, aliado a um grande êxito comercial. Em 1982, Gabo, pelo conjunto da sua obra, tornou-se o primeiro e único colombiano e o terceiro latino-americano a receber o Prêmio Nobel de Literatura. O autor ainda teve mais de vinte obras transpostas para o cinema e ganhou muitos outros prêmios.

Minhas impressões: Dois irmãos, Milton Hatoum

Oi, pessoal! Tudo bem?

Hoje trago para vocês meu segundo livro encerrado deste mês de janeiro. Sim, já li dois livros e estou lendo mais dois. Comecei o ano muito bem em minhas leituras e estou muito animada, acho que será um ano realmente proveitoso.

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Escolhi esse livro pelo motivo mais óbvio: hoje começa aquela minissérie da Globo e eu não quero tomar um monte de spoiler pela cara, pois já vi algumas entrevistas do autor e parece que a direção respeitou bastante a história, será algo fiel ao livro e eu fiquei com vontade de assistir. Eu não vejo TV há dois anos, então ainda não sei se vou conseguir acompanhar a série direitinho, mas fiz questão de ler logo o livro e estou muito grata por isso porque foi uma leitura incrível.

O livro tem 266 páginas e eu devorei em menos de 24h. Na verdade eu comecei a ler por volta das 16h da última sexta-feira e pretendia ler até a meia-noite daquele dia, mas não rolou porque tive diversos afazeres domésticos que me tiraram do foco. Então retomei a leitura no dia seguinte e terminei super rápido.

O romance é ambientado em Manaus, começando por volta dos anos 20/30 e atravessando o golpe militar de 64, narrado em primeira pessoa por Nael, o personagem central da trama. Tudo nos é mostrado pelo ponto de vista dele, seja pelo que ele viu e viveu, ou pelas histórias que ele ouviu dos outros personagens. Nael é filho de Domingas, uma órfã que foi adotada ainda como empregada por Halim e sua jovem esposa Zana. Esse casal apaixonado teve três filhos, Omar e Yaqub, gêmeos que se odiavam desde a infância, e Rânia, a única filha mulher do casal.

É muito importante destacar que Halim não queria filhos, mas Zana sempre quis três. Halim queria a mulher só para ele, e isso tem um grande peso em toda a história, inclusive sobre o ódio entre os irmãos: Omar, o “caçula”, desprezado pelo ciúme do pai sobre a proteção exagerada da mãe, e Yaqub, o que nasceu primeiro e sempre foi visto como o mais forte, o mais independente e a grande promessa da família.

Nael nos conta sobre sua própria família, que ele observa e vai juntando as peças de um enorme quebra-cabeças na esperança de entender suas origens e descobrir quem é o seu verdadeiro pai. Sim, Nael é filho de um dos homens da casa, mas sempre fora tratado como o filho da empregada.

Mas não se engane, a história não é tão simples e não é apenas sobre Nael ou sobre o ódio entre os gêmeos. É a história dos imigrantes libaneses, dos habitantes nativos de Manaus, da cidade e sua degradação, de uma família e seus dramas particulares. Temos uma riqueza enorme de temas, uma variação no tempo com personagens bem descritos, cada qual com sua personalidade muito desenvolvida.

Não existe um mocinho e um bandido, todos tem suas características boas e más, suas dores, suas angústias e suas razões.  A ambientação é detalhada sem ser cansativa, e o leitor tem a oportunidade de se colocar ao lado de Nael, observando e pensando a história junto com o narrador.

Foi uma experiência de leitura realmente necessária e eu tenho certeza que esse livro se tornará, se já não é, um grande clássico da literatura brasileira..