Cenas Londrinas, Virgínia Woolf.

  • Capa comum: 96 páginas
  • Editora: José Olympio (8 de maio de 2017)
  • Idioma: Português
  • ISBN-10: 8503013126
  • ISBN-13: 978-8503013123
  • Dimensões do produto: 21 x 14 x 0,5 cm
  • Peso do produto: 141 g

Um retrato da década de 1930 em Londres — e uma aula sobre como explorar a consciência da modernidade.
Cenas londrinas compila seis crônicas nas quais Virginia Woolf confirma sua paixão por sua cidade natal. Virginia faz um retrato da década de 1930 ao observar o encanto da moderna Londres. Ao se deslocar para a perspectiva tanto de grandes homens quanto de cidadãos comuns, a autora oferece uma visão original, clara e atraente do movimento orgânico das ruas.
Inicialmente publicado com cinco narrativas – produzidas entre 1931 e 1932 –, a este volume se soma a crônica descoberta na biblioteca da Universidade de Sussex, em 2005. É como se Virginia estivesse conduzindo o leitor por um passeio, começa nas docas de Londres, depois migra para o tumultuado comércio ambulante da Oxford Street, prossegue com um curioso giro por endereços de grandes homens – em busca de escritores ilustres. Há a contemplação das catedrais de St. Paul e de Westminster, e a visita à casa de Keats, em Hampstead. Por fim, o olhar se fixa na figura típica da mulher de classe média inglesa, para Ivo Barroso, “a visão de um microcosmo representativo de toda uma nacionalidade”.

 

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Nesta coletânea de crônicas da escritora inglesa Virgínia Woolf temos  seis crônicas escritas entre os anos de 1931 e 1932, sendo que a última só foi descoberta posteriormente e  acrescentada em 2005.

Nestas crônicas fazemos um verdadeiro passeio guiado por Londres, no qual a escritora nos fala sobre o comércio, sobre a arquitetura, as paisagens, dos artistas e suas artes, da política, da religião, da vida cotidiana dos moradores daquela cidade de modo geral.

Seja passeando pelo porto, pelas casas dos “ricos”, ou por igrejas, Virgínia pontua sobre o presente com um toque de nostalgia, apontando a vida moderna como reflexo da evolução da cidade.

Apesar de ser um livro curtinho, ele nos traz um panorama completo sobre a vida em Londres, não apenas do ponto de vista do observador, mas dos nativos daquela cidade, pois com sua narrativa ela deixa transbordar a essência londrina que carrega em suas veias.

Um leitura rápida, prazerosa e muito rica, que com certeza nos levará a conhecer um pouco da cultura londrina com o plus de desfrutar de uma excelente escrita.

PREÇO ACESSÍVEL 5/5
A HISTÓRIA PRENDE O LEITOR 4/5
CULTURA DE MUNDO PROPORCIONADA 5/5
A LINGUAGEM É DE FÁCIL ENTENDIMENTO 5/5

 

 

O diário do diabo, Robert K. Wittman e David Kinney.

  • Capa comum: 462 páginas
  • Editora: Record (10 de março de 2017)
  • Idioma: Português
  • ISBN-10: 8501087203
  • ISBN-13: 978-8501087201
  • Dimensões do produto: 22,6 x 15,2 x 3 cm
  • Peso do produto: 540 g

Alfred Rosenberg foi uma figura importante no círculo íntimo de Adolf Hitler: sua obra sobre a filosofia racista se tornou um best-seller nacional e um dos pilares da ideologia nazista. Declarado culpado e executado durante os julgamentos de Nuremberg, Rosenberg mantinha um diário, peça-chave para desvendar a mente por trás de tantos crimes, que desapareceu de forma misteriosa e percorreu o mundo até ser encontrado, depois de uma busca de dez anos, pelo agente do FBI Robert K. Wittman.
Com base nos registros de Rosenberg sobre sua participação no confisco de obras de arte e na brutal ocupação da União Soviética, suas conversas com Hitler, sua eterna rivalidade com Göring, Goebbels e Himmler, O diário do diabo revela as engrenagens do regime nazista – e a mente do homem cuja visão extremista deu origem à “Solução Final”.

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O diário do diabo é um livro que traz trechos do diário escrito durante muitos anos por Alfred Rosemberg, que foi um dos mais importantes ideologistas do nazismo e também cofundador do partido nazista. Esse foi encontrado no final da segunda guerra mundial  mas se perdeu em 1949, ficando sumido durante algumas décadas, até que Robert Wittman conseguiu encontrá-lo, com sua experiência em recuperação de artefatos históricos, bem como consultor do FBI, e, assim, teve uma pista do diário em 2001, levando-o ao documento uma década depois.

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Alfred Rosemberg foi o principal consultor de Hitler e quem fomentou o antissemitismo com ideias sobre a tal “conspiração judaica mundial por trás da Revolução Russa”, o que, inclusive, culminou na invasão dos alemães na Rússia em 1941.

Rosemberg escreveu “O mito do século XX”, um livro que vendeu mais de um milhão de cópias e foi a “bíblia” do nazismo, junto com Mein Kampf, Do Hitler, apesar da crítica especializada da época o julgar confuso e pouco objetivo porque juntava um conjunto de falsas crenças não comprovadas de antigos filósofos e teóricos, com suas próprias crenças políticas. Ou seja, Rosemberg criava e recriava teorias fundamentadas em falsas premissas para balizar suas crenças conspiratórias.

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Eu tive altas expectativas com o livro, que não foram atendidas. Acreditei que encontraria o diário na íntegra, e isso não aconteceu. O que temos é um relato minucioso sobre as buscas ao diário, o que é uma parte muito interessante do livro, com relatos esparsos e confusos sobre toda a trajetória do nazismo, num zigue-zague pouco produtivo que mais confunde do que ajuda o leitor. O diário, na verdade, é utilizado no livro como fonte para a narrativa dos fatos, para comprovação da ideologia nazista e como norteador dos acontecimentos.

Portanto, para quem busca uma leitura completa do diário de Rosemberg, essa não é uma leitura recomendada, mas para quem busca entender a ideologia nazista e como o partido foi criado, eis aqui um material interessante.

Minha avaliação pessoal do livro:

A HISTÓRIA PRENDE O LEITOR      3/5

A LINGUAGEM É DE FÁCIL ENTENDIMENTO 5/5
PREÇO ACESSÍVEL 4/5
CULTURA DE MUNDO PROPORCIONADA 5/5

Laranja Mecânica, Anthony Burgess

  • Formato: eBook Kindle
  • Tamanho do arquivo: 1639 KB
  • Número de páginas: 226 páginas
  • Editora: Editora Aleph (16 de setembro de 2015)
  • Vendido por: Amazon Servicos de Varejo do Brasil Ltda
  • Idioma: Português
  • ASIN: B015EE5D6M

Narrada pelo protagonista, o adolescente Alex, esta brilhante e perturbadora história cria uma sociedade futurista em que a violência atinge grandes proporções e provoca uma resposta igualmente agressiva de um governo totalitário. Ao lado de 1984, de George Orwell, e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, Laranja Mecânica é um dos ícones literários da alienação pós-industrial que caracterizou o século 20. Adaptado com maestria para o cinema em 1972 por Stanley Kubrick, o livro é uma obra marcante que atravessou décadas e se mantém atual.

Alex, Pete, Georgie e Tosko são quatro nadsats druguis ociosos que compõem uma shaika que gosta de sair a noite para dratar com ultraviolência. Eles invadem domi, estupram devotchka, batem em ded, krastam denji, usam drencrom e pitam seu moloko  como se fosse nada demais. Alex é o mais violento e também o líder nada querido por seus druguis. Certa noite, eles invadem uma domi e Alex ubivata uma estica, sendo traído por seus druguis, que o deixam ser pego pela miliquinha. Alex é, então, um pleni, e se habilita para ser cobaia de uma novo método de recuperação de prestupnik chamado Ludovico, que consta em receber medicação e ser obrigado a smotar vídeos de ultraviolência, tendo suas pálpebras pregadas de forma que não consiga sequer pikpiscar seu glazi ou mover sua mosga. Um método por associação em que toda vez que Alex sente vontade de delinquir, sente-se imediatamente bolnói, o que o impede de agir voluntariamente e o faz passar por situações que colocam sua vida em risco. 💊

Dizer que eu gostei do livro seria muito pouco perto da experiência de leitura  indescritível que eu tive. Já havia assistido ao filme, mas o livro te leva a outro nível. 💊

E se você não poneou muito bem o que escrevi é porque precisa realmente passar por essa experiência. Leia o prefácio com as notas do tradutor e vença a curiosidade de ler pelo Glossário Nadsat que acompanha a obra porque o autor espera que você mergulhe nessa leitura e sinta toda a complexidade e estranhamento ao se deparar com as reflexões quase ininteligíveis do universo adolescente de Alex. 💊

Então,  o que é que vai ser, hein? 💊

Boa viagem!

A cor púrpura, Alice Walker.

Para comprar o livro, clique aqui.

  • Formato: eBook Kindle
  • Tamanho do arquivo: 1408 KB
  • Número de páginas: 282 páginas
  • Editora: José Olympio (7 de março de 2016)
  • Vendido por: Amazon Servicos de Varejo do Brasil Ltda
  • Idioma: Português
  • ASIN: B01CO0F8VY

Sinopse da Editora

*O livro teve uma adaptação para o cinema, filme dirigido por Steven Spielberg, com Whoopi Goldberg, Oprah Winfrey e Danny Glover no elenco.

Um dos mais importantes títulos de toda a história da literatura, inspiração para a aclamada obra cinematográfica homônima dirigida por Steven Spielberg, o romance A cor púrpura retrata a dura vida de Celie, uma mulher negra do sul dos Estados Unidos da primeira metade do século XX. Pobre e praticamente analfabeta, Celie foi abusada, física e psicologicamente, desde a infância pelo padrasto e depois pelo marido.
Um universo delicado, no entanto, é construído a partir das cartas que Celie escreve e das experiências de amizade e amor, sobretudo com a inesquecível Shug Avery. Apesar da dramaticidade de seu enredo, A cor púrpura se mostra extremamente atual e nos faz refletir sobre as relações de amor, ódio e poder, em uma sociedade ainda marcada pelas desigualdades de gênero, etnia e classes sociais.

Mas eu num sei como brigar. Tudo queu sei fazer é cuntinuar viva.
A história se passa entre os anos de 1900 e 1940 nos EUA, o que não é claramente apontado no texto, porque é contada através de cartas que inicialmente Celie escreve para Deus. Ela é uma mulher pobre, negra, explorada e abusada, solitária e semi analfabeta que não tem com quem se abrir. Portanto, as cartas são curtinhas e em linguagem “caipira” de uma mulher negra que vive todas as dores do preconceito racial, do machismo e da misoginia. E Celie parece que nasceu no corpo errado, na cidade errada, no país errado, na família errada. Ou seja, tudo está invertido na vida dessa pobre mulher negra submissa e muito sofrida.
E se você pergunta por que você é preto ou é um homem ou uma mulher ou uma moita isso num quer dizer nada se você num pergunta por que é que você tá aqui, pronto.
Celie foi abusada sexualmente por seu pai e, aos quatorze anos, teve dois filhos desse abuso e que foram separados dela ainda bebês. Ela também ficou estéril por conta disso e foi praticamente vendida pelo seu pai a um homem muito mais velho que ela e que a espancava, abusava e explorava fisicamente em trabalhos exaustivos, e se viu separada da única pessoa que amava e com quem poderia, contar, sua irmã Nettie, que viaja para a África como missionária na esperança de uma vida melhor.
Quanto mais eu adimiro as coisa, ele falou, mais eu amo.
E as pessoas, eu aposto, começam a amar você de volta, eu falei.
A vida de Celie começa a mudar quando seu marido leva a amante para dentro de casa, para se recuperar de uma doença. Inicialmente, Shug Avery, uma cantora de blues bonita, cobiçada, independente e muito bem resolvida com sua sexualidade, despreza Celie e também se aproveita de sua fragilidade, mas ao ver o quanto ela é dedicada e boa para com qualquer pessoa que cruze seu caminho, mesmo que essa pessoa seja a amante de seu marido, ela inicia uma verdadeira revolução na vida de Celie, mostrando a ela seu valor como pessoa, pois Celie até então havia sido tratada pior que um animal.
Mas no fundo do meu coração eu me importava com Deus. O que ele ia pensar. E acabei discrobrindo que ele num pensa. Só fica sentado lá na glória de ser Deus, eu acho, Mas num é fácil tentar fazer as coisa sem Deus. Mesmo se você sabe que ele num tá lá, tentar fazer sem ele é duro.
O livro tem um ritmo gostoso, no qual podemos acompanhar a evolução, aprendizado e inúmeras descobertas da Celie e, apesar de ser um romance de correspondência, traz muitas subtramas com desfechos emocionantes e que não cansam o leitor.
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Alice Malsenior Walker é uma escritora estado-unidense e ativista feminista.

A astúcia cria o mundo, Lewis Hyde.

  • Capa comum: 546 páginas
  • Editora: Civilização Brasileira (31 de março de 2017)
  • Idioma: Português
  • ISBN-10: 8520009433
  • ISBN-13: 978-8520009437
  • Dimensões do produto: 22,4 x 15,4 x 3,6 cm
  • Peso do produto: 621 g

Sinopse da Editora:

Neste livro fascinante, Lewis Hyde explora os velhos mitos que afirmam ter sido o trickster – a figura mitológica que oscila entre o herói e o galhofeiro – quem fez deste mundo o que ele é. Primeiro, revisita as antigas histórias – Hermes na Grécia, Exu na África Ocidental, Krishna na Índia, Coiote na América do Norte, entre outros – e depois as compara à vida e às obras de criadores mais recentes, como Pablo Picasso, Michel Duchamp e Allen Ginsberg. Hyde argumenta que nosso mundo – complexo, ambíguo, belo e sujo – foi uma criação ainda não concluída do trickster. Notável em sua erudição, fluente e dinâmico em seu estilo, A astúcia cria o mundo figura entre as grandes obras da moderna crítica cultural.

Nesta obra, o autor nos traz um aprofundamento em seu significado da palavra “astúcia”, que não é tão negativo assim, de acordo com os exemplos tirados dos estudos mitológicos nos quais os trickters assumem uma figura de grande importância no desenvolvimento da humanidade.

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É difícil classificar a astúcia porque dependendo do contexto pode ser atribuída como qualidade ou como defeito. E é esse o ponto tratado neste livro de Lewis Hyde que mostra esse adjetivo classificado entre o bem e o mal, caracterizado pelos tricksters, que ficam no meio termo entre o vilão e o herói.

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O foco central do livro é descobrir como funciona a criatividade de artistas como Picasso, Marcel Duchamp, John Cage, Allen Ginsberg, Frederick Douglass, dentre outros, sem atribuir a eles o adjetivo de trickster, mas apenas mosotrar que “há momentos em que o exercício da arte e esse mito coincidem”. O autor frisa, também, que o trickster não é um ladrão banal, nem um mentiroso contumaz. Para ele, políticos desonestos não são tricksters porque estes pertencem à periferia, e aqueles ao centro e quando o trickster ganha poder, deixa de ser trickster.

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O trickster, na visão do autor, utiliza da trapaça para perturbar a ordem pré-estabelecida e elevar o mundo a outro nível. Portanto, o trickster tem um propósito elevado, e utiliza como exemplo a obra de Pablo Picasso, que levou o mundo a sério, depois o desfez e o reconstruiu com uma nova forma.

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O livro nos ajuda a refletir sobre os acontecimentos cotidianos e sobre a atuação de personagens inexpressivos que adquirem prestígio e reconhecimento em pouco tempo. Apesar de o assunto parecer um pouco complicado, o autor tem uma linguagem fácil que nos permite acompanhar seu raciocínio de forma bastante fluída e prazerosa. É uma obra excelente, que transita entre a filosofia e a história com maestria, fazendo com que o leitor leigo sinta-se confortável com a forma simples e ao mesmo tempo profunda com que o autor aborda o tema.

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Lewis Hyde é professor de escrita do Kenyon College e gosta de se definir como “poeta, tradutor e acadêmico freelancer”.

Cem anos de solidão, Gabriel Garcia Marquez.

 

  • Capa comum: 448 páginas
  • Editora: Record (21 de julho de 2014)
  • Idioma: Português
  • ISBN-10: 8501012076
  • ISBN-13: 978-8501012074
  • Dimensões do produto: 20,8 x 13,6 x 2,8 cm
  • Peso do produto: 481 g

Sinopse da Editora:

Neste, que é um dos maiores clássicos de Gabriel García Márquez, o prestigiado autor narra a incrível e triste história dos Buendía – a estirpe de solitários para a qual não será dada “uma segunda oportunidade sobre a terra” e apresenta o maravilhoso universo da fictícia Macondo, onde se passa o romance. É lá que acompanhamos diversas gerações dessa família, assim como a ascensão e a queda do vilarejo. Para além dos artifícios técnicos e das influências literárias que transbordam do livro, ainda vemos em suas páginas o que por muitos é considerado uma autêntica enciclopédia do imaginário, num estilo que consagrou o colombiano como um dos maiores autores do século XX.

Cem anos de solidão é um romance do realismo mágico escrita pelo colombiano Gabriel Garcia Marquez em 1967 e que ganhou o prêmio Nobel de literatura em 1982.

O livro se divide em vinte capítulos e narra a fundação, o auge e a decadência da cidade fictícia de Macondo e da família Buendía ao longo de sete gerações.

A obra traz uma proposta de narrar a realidade de forma que as leis do racionalmente verificável convivem com o mito e a fantasia sem se chocarem, ou seja, sem fazer diferença entre o real e o fantástico. A isso se dá o nome de realismo fantástico, onde a ficção e a realidade convivem de forma naturalizada.

Assim, temos na obra de Gabo uma forma de realismo onde um dilúvio de mais de quatro anos, a abdução de uma personagem aos céus e uma peste de esquecimento convivem harmoniosamente com a vida cotidiana e outros eventos como a guerra, massacres, romances e etc.

Choveu durante quatro anos, onze meses e dois dias.

Cem anos de solidão traz acontecimentos fantásticos sem qualquer atribuição ao divino e sem enfocar a sua importância, e nisso está a genialidade da obra, em nos fazer crer de forma incontestável e absolutamente natural que o mágico pode fazer parte dos acontecimentos cotidianos.

Se acreditam nas Sagradas Escrituras – replicou Fernanda – não vejo por que não haverão de acreditar em mim.

Ao contrário das Escrituras Sagradas, a obra de Gabo não tem a pretensão de exercer qualquer poder de influência sobre a vida das pessoas, apenas contar uma boa história de maneira muito divertida e com a função precípua de entreter.

Clique abaixo para ler o discurso importantíssimo do Gabo ao receber o prêmio Nobel em 1982.

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Não: a violência e a dor desmedidas da nossa história são o resultado de injustiças seculares e amarguras sem conta, e não uma confabulação urdida a três mil léguas de nossa casa.

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Gabriel García Márquez, o Gabo, foi um dos poucos escritores do mundo que conseguiu, ao mesmo tempo, elogios da maior parte do público e da crítica literária, aliado a um grande êxito comercial. Em 1982, Gabo, pelo conjunto da sua obra, tornou-se o primeiro e único colombiano e o terceiro latino-americano a receber o Prêmio Nobel de Literatura. O autor ainda teve mais de vinte obras transpostas para o cinema e ganhou muitos outros prêmios.

Minhas impressões: Dois irmãos, Milton Hatoum

Oi, pessoal! Tudo bem?

Hoje trago para vocês meu segundo livro encerrado deste mês de janeiro. Sim, já li dois livros e estou lendo mais dois. Comecei o ano muito bem em minhas leituras e estou muito animada, acho que será um ano realmente proveitoso.

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Escolhi esse livro pelo motivo mais óbvio: hoje começa aquela minissérie da Globo e eu não quero tomar um monte de spoiler pela cara, pois já vi algumas entrevistas do autor e parece que a direção respeitou bastante a história, será algo fiel ao livro e eu fiquei com vontade de assistir. Eu não vejo TV há dois anos, então ainda não sei se vou conseguir acompanhar a série direitinho, mas fiz questão de ler logo o livro e estou muito grata por isso porque foi uma leitura incrível.

O livro tem 266 páginas e eu devorei em menos de 24h. Na verdade eu comecei a ler por volta das 16h da última sexta-feira e pretendia ler até a meia-noite daquele dia, mas não rolou porque tive diversos afazeres domésticos que me tiraram do foco. Então retomei a leitura no dia seguinte e terminei super rápido.

O romance é ambientado em Manaus, começando por volta dos anos 20/30 e atravessando o golpe militar de 64, narrado em primeira pessoa por Nael, o personagem central da trama. Tudo nos é mostrado pelo ponto de vista dele, seja pelo que ele viu e viveu, ou pelas histórias que ele ouviu dos outros personagens. Nael é filho de Domingas, uma órfã que foi adotada ainda como empregada por Halim e sua jovem esposa Zana. Esse casal apaixonado teve três filhos, Omar e Yaqub, gêmeos que se odiavam desde a infância, e Rânia, a única filha mulher do casal.

É muito importante destacar que Halim não queria filhos, mas Zana sempre quis três. Halim queria a mulher só para ele, e isso tem um grande peso em toda a história, inclusive sobre o ódio entre os irmãos: Omar, o “caçula”, desprezado pelo ciúme do pai sobre a proteção exagerada da mãe, e Yaqub, o que nasceu primeiro e sempre foi visto como o mais forte, o mais independente e a grande promessa da família.

Nael nos conta sobre sua própria família, que ele observa e vai juntando as peças de um enorme quebra-cabeças na esperança de entender suas origens e descobrir quem é o seu verdadeiro pai. Sim, Nael é filho de um dos homens da casa, mas sempre fora tratado como o filho da empregada.

Mas não se engane, a história não é tão simples e não é apenas sobre Nael ou sobre o ódio entre os gêmeos. É a história dos imigrantes libaneses, dos habitantes nativos de Manaus, da cidade e sua degradação, de uma família e seus dramas particulares. Temos uma riqueza enorme de temas, uma variação no tempo com personagens bem descritos, cada qual com sua personalidade muito desenvolvida.

Não existe um mocinho e um bandido, todos tem suas características boas e más, suas dores, suas angústias e suas razões.  A ambientação é detalhada sem ser cansativa, e o leitor tem a oportunidade de se colocar ao lado de Nael, observando e pensando a história junto com o narrador.

Foi uma experiência de leitura realmente necessária e eu tenho certeza que esse livro se tornará, se já não é, um grande clássico da literatura brasileira..

Resenha: Triste fim de Policarpo Quaresma

Triste fim de Policarpo Quaresma, escrito por Lima Barreto.

Editora: Saraiva

Páginas: 240

ISBN: 978.85.209.2727-4

Coleção Saraiva de Bolso.

Descrição:

Publicado inicialmente em folhetins no ano de 1911, “Triste fim de Policarpo Quaresma” é um romance do período do Pré-Modernismo brasileiro. Por meio da vida tragicômica do major Quaresma, um nacionalista fanático, ingênuo e idealista, Lima Barreto revela as estruturas sociais e políticas do Brasil da Primeira República, enfocando os fatos históricos do governo de Floriano Peixoto.

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Resenha

O livro trata da história do major Policarpo Quaresma, um funcionário público que na verdade não era major de patente, sendo esta alcunha apenas um apelido recebido de seus colegas. Ele era um nacionalista, um homem íntegro, correto e de uma honestidade que beirava à inocência, pois acreditava nos valores do Brasil como nação acima de qualquer outra coisa.

Era um homem estudioso, que quando se interessava por um assunto pesquisava em diversos livros, até conseguir total domínio sobre aquilo. Por conta disso, descobriu o tupi guarani, língua nativa dos índios, e cismou que essa deveria ser a língua falada no Brasil, por conta de nossos ancestrais silvícolas. Chegou ao ponto de, no auge de sua obsessão pelos costumes nativos, incorporar alguns costumes dos índios em suas próprias relações sociais, tais como receber visitas com um grande pranto. Policarpo atinge o ápice da loucura quando escreve um memorando exaltado sugerindo que o Brasil adotasse o tupi guarani como língua oficial e, assim, foi exposto ao ridículo perante a sociedade e acabou por se internar num manicômio para tratar sua cisma que o fazia parecer louco perante a sociedade brasileira ultra conservadora do final do século XIX.

Saindo do hospício, Policarpo vai para o campo com sua irmã, com quem sempre viveu, pois jamais casou-se ou se envolveu intimamente com mulher alguma. Policarpo já não fala de seus ideais nacionalista mas continua sonhador, acreditando que não há melhor terra que o Brasil, e passa a nutrir o sonho de viver da produção de sua terra. Novamente nosso herói é mal interpretado e atrai os olhares nada amistosos dos coronéis e políticos da região, que o enxergam como um possível rival.

Infelizmente a terra não corresponde às expectativas de Policarpo, que enfrenta pragas na lavoura e  se vê ameaçado, recomeçando novas plantações sem obter êxito. Até que um ataque de formigas saúvas destrói todo o seu trabalho e o obriga a desistir da vida de agricultor.

Nesta época, concomitantemente às desilusões agrárias de Policarpo, eclode a guerra Revolta da Armada, na qual a Marinha do Brasil, apoiada pela oposição monarquista à recém instalação da República, se volta contra o governo de Floriano Peixoto, e Policarpo se apresenta para lutar pelo Tirano.

Durante a guerra Policarpo novamente se vê desiludido com algumas questões governista e, após vitória do governo, Policarpo é preso como traidor apenas por se opor ao tratamento desumano dispensado aos prisioneiros de guerra.

 

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Minhas Impressões:

Comprei essa edição de bolso da Saraiva, mais para cumprir minha meta de livros nacionais para ajudar a entender a política atual e a sociedade brasileira, como mostrei aqui neste post. Fui surpreendida positivamente com essa história, que tocou-me profundamente por causa de minhas antigas aspirações profissionais de advogada que lutava por justiça e pelo cumprimento da lei. #fail.

Como se pode ver, o livro traz três fases muito bem delimitadas, sendo primeiro traçado um perfil completo da sociedade da época, onde Policarpo aparece inserido mas não adaptado, pois percebe-se um homem deslocado do convívio com seus pares, por não se encaixar nos padrões da época. Senti isso no fato de ele ser solteiro e viver com a irmã, enquanto toda a sociedade pregava o casamento; também pela inadequação às regras sociais, como por exemplo, “cidadãos de bem” não poderem misturar-se com artistas, pois Policarpo foi hostilizado por tomar aulas de violão com o amigo Ricardo Coração dos Outros, a fim de aprender a tocar modinha. Tal prática era tida como prática de vagabundos, e Policarpo recebeu inúmeras críticas por receber em sua casa um violeiro.

– É bom pensar, sonhar consola.

-Consola, talvez, mas faz-nos também diferentes dos outros, cava abismos entre os homens.

Na segunda fase da vida de Policarpo, temos um homem recém saído do hospício devido aos seus devaneios patrióticos, mais decepcionado com a sociedade e que se retira para o campo ainda mantendo a fé na sua pátria tão adorada. Policarpo, aqui, mantém-se fora das questões políticas, tentando não se envolver com problemas da região, mas ao mesmo tempo fornece ajuda para os moradores do lugar, o que leva as autoridades a desconfiarem de suas intenções, gerando um clima de tensão na história.

O trem apitou e ele demorou-se a vê-lo chegar. É uma emoção especial de quem mora longe, essa de ver chegar os meios de transporte que nos põem em comunicação com o resto do mundo. Há uma mescla de medo e de alegria. Ao mesmo tempo em que se pensa em boas-novas, pensam-se também más. A alternativa angustia…

Abaixo uma das falas que mais tocaram meu coração, mais atuais, que mais retratam a triste realidade do povo brasileiro. Achei impressionante que mesmo dois séculos depois recebemos o mesmo tratamento de nossos governantes:

-Terra não é nossa…E “frumiga”?…Nós não “tem” ferramenta…isso é bom para italiano ou “alemão”, que governo dá tudo…Governo não gosta de nós….

Na terceira fase Policarpo continua fiel a seus princípios e crente em seus deveres patrióticos, assim, entrega-se ao serviço militar onde finalmente alcança a patente de major por nomeação. Contudo, Policarpo desilude-se de vez e entra num estado de auto crítica e análise profundos, que tornam-se o ponto central de seu triste fim.

 

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Termino com o momento de epifania de Policarpo, onde o narrador o vê em desgraça e tem a compreensão do todo; momento em que, finalmente, Policarpo cai em si e se desilude de suas românticas ambições patrióticas:

A pátria que quisera ter era um mito; era um fantasma criado por ele no silêncio do seu gabinete. Nem a física, nem a moral, nem a intelectual, nem a política que julgava existir havia, a que existia de fato era a do tenente Antonino, a do doutor Campos, a do homem do Itamaraty.

 

E aí? gostaram da resenha? Deixe suas impressões nos comentários, por favor!

Beijinhos.

 

 

Desonra, J. M. Coetzee.

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Desonra, escrito por J. M. Coetzee
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 256
ISBN: 978-85-359-0080-4
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Sucesso de público e crítica – foi publicado em mais de vinte países e ganhou o Booker Prize, o mais importante prêmio literário da Inglaterra -, Desonra é considerado o melhor romance de J. M. Coetzee. O livro conta a história de David Lurie, um homem que cai em desgraça. Lurie é um professor de literatura que não sabe como conciliar sua formação humanista, seu desejo amoroso e as normas politicamente corretas da universidade onde dá aula. Mesmo sabendo do perigo, ele tem um caso com uma aluna. Acusado de abuso, é expulso da universidade e viaja para passar uns dias na propriedade rural da filha, Lucy.
No campo, esse homem atormentado toma contato com a brutalidade e o ressentimento da África do Sul pós-apartheid. Com personagens vivos, com um ritmo narrativo que magnetiza o leitor, Desonra investiga as relações entre as classes, os sexos, as raças, tratando dos choques entre um passado de exploração e um presente de acerto de contas, entre uma cultura humanista e uma situação social explosiva.

Resenha

John Maxwell Coetzee (a pronúncia correta é “coutzía”) é um professor de literatura e linguistica, e escritor sul africano que atualmente mora na Austrália, onde ainda leciona. É um homem recluso, pouco afeto a tietagens e tem o costume de não aparecer para receber os prêmios que alcança com suas obras. Desonra (em inglês foi lançado como Disgrace) é um dos livros mais importante da carreira do escritor, que recebeu o pêmio The Man Booker Prize em 1999, ano de seu lançamento.

Desonra é um romance escrito originalmente em língua inglesa e conta a história ambientada na África do Sul pós-Apartheid do professor  de literatura David Lurie, um homem de meia idade solitário cujo relacionamento mais próximo mantém com uma prostituta que, por alguns acontecimentos, acaba por  afastar-se dele.

“No campo do sexo, seu temperamento, embora intenso, nunca foi passional. Se tivesse de escolher um animal totem, seria a cobra. A relação sexual entre Soraya e ele deve ser, imagina, comouma cópula de cobras: prolongada, absorvente, mas um tanto abstrata, seca, mesmo no ponto mais quente”.

Diante da solidão ainda mais proeminente em sua vida, Lurie começa um relacionamento um tanto quanto estranho com uma de suas alunas, e não enxerga o quão abusivo esse relacionamento é. A forma como ele aborda a aluna e conduz toda a situação culmina com sua expulsão da faculdade onde leciona.

Assim, ele vai para o interior do país viver com sua filha Lucy, que não vê há alguns anos. Lucy é homoafetiva e recebe ajuda de alguns vizinhos para tocar os negócios, pois sonha em viver de suas produções. Lurie, então, encontra uma realidade muito diferente da que está habituado e passa a conflitar suas ideias com a dos habitantes locais.

Alguns acontecimentos traumatizantes levam Lurie a enfrentar seus próprios preconceitos e a aceitar posicionamentos muito diferentes dos seus, o que leva a uma auto reflexão e auto crítica muito profundas, que culminam em mudança de condição.

O livro traz temas pesados como assédio, machismo, estupro e violência contra animais, e trata esses assuntos de forma dura e direta.

Minhas impressões.

Eu amei a história, que me impactou desde as primeiras frases. O texto é cheio de reflexões do Lurie, que nos levam a refletir junto com ele e a descobrir a personagem pouco a pouco. Eu comecei o livro com uma ideia totalmente diferente, e, por vezes, me peguei tentando ajudar o Lurie mentalmente, tentando colocar palavras  que ele não conseguia dizer. O livro é o tempo todo assim: um nó na garganta de quem tem muito a dizer e não consegue se expressar de forma que o interlocutor entenda, uma verdadeira lição de linguística, de exemplos de como não se deve portar em meio a receptores que não tem capacidade de entender a mensagem do emissor que, por sua vez, não consegue alcançar seus recptores.

“Sua opinião, que ele não ventila, é que a origem da fala está no canto, e as origens do canto na necessidade de preencher com som o vazio grande demais da alma humana”.

Lurie também é confrontado o tempo todo com seu lugar no mundo depois que alcança a idade madura, os conflitos próprios de quem está chegando à terceira idade e não aceita esse destino.

“Será que podem ser condenados por se agarrar até as últimas ao seu lugar no doce banquete dos sentidos?”

Não que Lurie se porte como um adolescente, ao contrário, ele apenas não se reconhece como as limitações de um homem de meia idade e não as aceita, e isso gera muitos obstáculos para que ele encontre satisfação pessoal.

“Depois de uma certa idade a gente simplesmente não é mais atraente, e ponto final. é se conformar e viver o resto da vida. Cumprir o mandato”.

Mas não espere um desfecho inesperado, cheio de grandes acontecimentos e momentos marcantes. O livro termina do jeito que começou: uma história contada de forma seca, crua e realista. Enquanto,terminava de ler as últimas linhas do livro, mentalmente e, ao mesmo tempo, eu pensava que não ia dar tempo de acabar, que ainda teria muita coisa para acontecer, que aquele final era indigno, era quase cruel. E acabou. Como as palavras do Lurie não atingiam seus interlocutores como ele esperava, suas palavras cessaram e ele aceitou sua condição de homem em desgraça.

Gostou dessa resenha? Já leu ou tem vontade de ler o livro? Conte-me tudo nos comentários, eu adoro trocar ideias com vocês!

 

Projeto: 15 livros para ajudar a entender a sociedade brasileira e sua política.

Oi, gente!

Clima tenso no Brasil hoje, não? Aliás, essa semana começou tensa, com a manifestação contra o Governo ocorrida no último domingo, dia 13.03.2016. Ontem tivemos vazamento de ligações telefônicas da Presidenta e hoje Lula foi nomeado Ministro, mas logo em seguida teve sua nomeação caçada. Pode ser que quando eu termine de postar ele já esteja novamente no cargo, ou a Presidenta deixe o cargo, vai saber!

Bom, eu acredito muito naquela máxima de que devemos olhar para o passado para entendermos o presente e prepararmos o futuro. E isso, hoje, nunca fez tanto sentido. Pensando nisso, resolvi fazer um apanhado de 15 obras para entender a sociedade e a política no Brasil.

Escolhi livros de não ficção, e alguns deles já estão no meu projeto de 142 livros clássicos, então este projeto será conjugado com o outro. Quem quiser pode me acompanhar também pelo instagram pelas TAG ‘s #projeto142classicos e #projetopoliticabr.

Vamos à lista!

Os Bruzundangas- Lima Barreto

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Os bruzundangas é uma obra de Lima Barreto publicada postumamente em 1923, sobre um país fictício no qual impera a desigualdade social, o mau uso do bem público e o nepotismo, sendo uma crítica à sociedade brasileira e à  culturais da época.

Agosto – Rubem Fonseca

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Uma mistura de realidade e ficção que relata os dias que antecederam o suicídio de Getúlio Vargas, em 24 de agosto de 1954. Trata de um romance num dos períodos mais difíceis e obscuros da história do Brasil, combinando, na narrativa policial, a intriga política e o realismo social.

Incidente em Antares – Érico Veríssimo

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Abientado em 1963 conta a história de uma cidade que está sofrendo com a greve geral e tem seu fornecimento de energia cortado. Sete pessoas estão mortas e não podem ser sepultadas por causa da greve dos coveiros, e, então resolvem acertar as contas com os vivos e, assim passam a perseguir e bisbilhotar a vida de seus familiares.

 Sagarana – Guimarães Rosa

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 Sagarana  é uma criação do autor de 1946, que juntou à palavra saga (‘narrativa histórica ou lendária’) o sufixo tupi –rana, que expressa a ideia de semelhança. São nove narrativas  ambientadas no interior de minas gerais. Até hoje esse livro causa debates porque o autor utiliza uma escrita cheia de metáforas e outras figuras de linguagem que confundem o real e o imaginário.

O triste fim de Policarpo Quaresma – Lima Barreto

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É um romance do período do Pré-Modernismo brasileiro. Por meio da vida tragicômica do major Quaresma, um nacionalista fanático, ingênuo e idealista, Lima Barreto revela as estruturas sociais e políticas do Brasil da Primeira República, enfocando os fatos históricos do governo de Floriano Peixoto.

Viva o povo brasileiro – João Ubaldo Ribeiro

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A história se desenvolve em grande parte no século XIX, mas também viaja a 1647 e avança até 1977, na qual realidade e ficção se misturam tendo como pano de fundo momentos decisivos para a história do país, como a Revolta de Canudos e a Guerra do Paraguai.

O quinze – Raquel de Queiroz

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História sobre a grande seca de 1915. Ceição convence Mãe Nácia a partir. Vicente quer ficar, salvar o gado. Dona Maroca manda soltar o gado. Chico Bento vende as reses e parte com a família. Chegará à Amazônia? Não consegue as passagens e vai indo a pé. Um retirante em meio à seca. A fome e o cangaço. Este é um drama da terra.

Esaú e Jacó – Machado de Assis

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Nesse romance análogo da história bíblica, os gêmeos Pedro e Paulo, pertencentes à alta burguesia carioca, desde a infância se mostram opostos e rivais em tudo. Ambos apaixonam-se pela mesma mulher, o que causa ainda mais atrito entre eles. Machado de Assis traça, também, uma visão crítica do cenário político do Brasil às vésperas da Proclamação da República.

Boca do inferno – Ana Miranda

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Ambientado em Salvador, final do século XVII desenrola-se a trama desse livro, uma recriação da luta pelo poder que opôs o governador Antonio de Souza Menezes, o temível Braço de Prata, à facção liderada por Bernardo Vieira Ravasco, da qual faziam parte o padre Antonio Vieira e o poeta Gregório de Matos.
A autora mistura ficção e história, mostrando  a vida de homens e mulheres entre o prazer e o pecado, o céu e o inferno.

Vidas secas – Graciliano Ramos

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A obra é inspirada em muitas histórias que Graciliano acompanhou na infância sobre a vida de retirantes. Na história, o pai de família Fabiano acompanhado pela cachorra Baleia,  são considerados os personagens mais famosos da literatura brasileira.

Memórias de um sargento de milícias – Manuel Antômio de Almeida

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Ambintada no Rio de Janeiro, reinado de D. João VI, as memórias seguem pela infância de Leonardo, sua adolescência, sua entrada na vida militar e casamento, sendo descrito como  o primeiro malandro carioca, um anti-herói que está mais preocupado com a sobrevivência do que  ser correto ou vilão.

São Bernardo – Graciliano Ramos

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Este livro conta a história de Paulo Honório, um homem simples, que movido por uma ambição sem limites, acaba transformando-se em um grande fazendeiro do sertão de Alagoas e casa-se com Madalena para conseguir um herdeiro. Incapaz de entender a forma humanitária pela qual a mulher vê o mundo, ele tenta anulá-la com seu autoritarismo. Com este personagem, Graciliano Ramos traça o perfil da vida e do caráter de um homem rude e egoísta, do jogo de poder e do vazio da solidão, onde não há espaço nem para a amizade, nem para o amor. (Sinopse retirada do site da Saraiva).

O Tempo e o Vento – Érico Veríssimo

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Os sete volumes da trilogia ‘O Tempo e o Vento’ agora reunidos numa caixa. São 150 anos de história do Brasil protagonizados por personagens inesquecíveis, como a forte Ana Terra e o valente capitão Rodrigo Cambará. As disputas familiares, as brigas pelo poder e as guerras civis são narradas O leitor terá a surpresa e o prazer de compartilhar a emoção contida de breves composições limadas com todo o esmero — “O instante”, “Espinosa”, “Everness”, “Sarmiento” — e também a de grandes e complexos poemas como “Limites”, “O Golem”, “Poema conjectural”, e sentirá a habilidade de Borges em nos mergulhar no vasto e infindável rio de tempo, memória e esquecimento de que é feita nossa curta existência e a mais perdurável matéria da poesia. Aí está Buenos Aires. O tempo, que a outros homens traz ouro ou traz amor, em mim apenas funda esta rosa amortecida, esta vã barafunda de ruas que repetem os pretéritos nomes de meu sangue: Laprida, Cabrera, Soler, Suarez…[de “A noite cíclica”] por Erico Verissimo nesta que é uma das mais célebres sagas da literatura brasileira.Todos os volumes trazem ilustrações de Paulo von Poser e uma cronologia que relaciona fatos históricos a acontecimentos ficcionais da trilogia e a dados biográficos de Erico Verissimo. (Sinopse retirada do site da Saraiva).

O cortiço

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Publicado em 1890, é um romance que mostra que quando as pessoas estão em ambientes degradantes se comportam como animais. Trata de temas como pobreza, adultério, corrupção, formação desordenada de moradias em lugares inapropriados, e mostra como as pessoas desses conglomerados viviam, explorados por alguém que enriquece a custa de suas necessidades. Além disso, trata de tabus da sociedade, como homossexualidade, alcoolismo e prostituição.

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Capitães da Areia, a história crua e comovente de meninos pobres que moram num trapiche em Salvador,  falando sobre sua  infância abandonada.

E aí, gostou? Tem algo a acrescentar? Se tiver, vou adorar acrescentar à minha lista, então comenta aí! 😉