Resenha: Triste fim de Policarpo Quaresma

Triste fim de Policarpo Quaresma, escrito por Lima Barreto.

Editora: Saraiva

Páginas: 240

ISBN: 978.85.209.2727-4

Coleção Saraiva de Bolso.

Descrição:

Publicado inicialmente em folhetins no ano de 1911, “Triste fim de Policarpo Quaresma” é um romance do período do Pré-Modernismo brasileiro. Por meio da vida tragicômica do major Quaresma, um nacionalista fanático, ingênuo e idealista, Lima Barreto revela as estruturas sociais e políticas do Brasil da Primeira República, enfocando os fatos históricos do governo de Floriano Peixoto.

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Resenha

O livro trata da história do major Policarpo Quaresma, um funcionário público que na verdade não era major de patente, sendo esta alcunha apenas um apelido recebido de seus colegas. Ele era um nacionalista, um homem íntegro, correto e de uma honestidade que beirava à inocência, pois acreditava nos valores do Brasil como nação acima de qualquer outra coisa.

Era um homem estudioso, que quando se interessava por um assunto pesquisava em diversos livros, até conseguir total domínio sobre aquilo. Por conta disso, descobriu o tupi guarani, língua nativa dos índios, e cismou que essa deveria ser a língua falada no Brasil, por conta de nossos ancestrais silvícolas. Chegou ao ponto de, no auge de sua obsessão pelos costumes nativos, incorporar alguns costumes dos índios em suas próprias relações sociais, tais como receber visitas com um grande pranto. Policarpo atinge o ápice da loucura quando escreve um memorando exaltado sugerindo que o Brasil adotasse o tupi guarani como língua oficial e, assim, foi exposto ao ridículo perante a sociedade e acabou por se internar num manicômio para tratar sua cisma que o fazia parecer louco perante a sociedade brasileira ultra conservadora do final do século XIX.

Saindo do hospício, Policarpo vai para o campo com sua irmã, com quem sempre viveu, pois jamais casou-se ou se envolveu intimamente com mulher alguma. Policarpo já não fala de seus ideais nacionalista mas continua sonhador, acreditando que não há melhor terra que o Brasil, e passa a nutrir o sonho de viver da produção de sua terra. Novamente nosso herói é mal interpretado e atrai os olhares nada amistosos dos coronéis e políticos da região, que o enxergam como um possível rival.

Infelizmente a terra não corresponde às expectativas de Policarpo, que enfrenta pragas na lavoura e  se vê ameaçado, recomeçando novas plantações sem obter êxito. Até que um ataque de formigas saúvas destrói todo o seu trabalho e o obriga a desistir da vida de agricultor.

Nesta época, concomitantemente às desilusões agrárias de Policarpo, eclode a guerra Revolta da Armada, na qual a Marinha do Brasil, apoiada pela oposição monarquista à recém instalação da República, se volta contra o governo de Floriano Peixoto, e Policarpo se apresenta para lutar pelo Tirano.

Durante a guerra Policarpo novamente se vê desiludido com algumas questões governista e, após vitória do governo, Policarpo é preso como traidor apenas por se opor ao tratamento desumano dispensado aos prisioneiros de guerra.

 

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Minhas Impressões:

Comprei essa edição de bolso da Saraiva, mais para cumprir minha meta de livros nacionais para ajudar a entender a política atual e a sociedade brasileira, como mostrei aqui neste post. Fui surpreendida positivamente com essa história, que tocou-me profundamente por causa de minhas antigas aspirações profissionais de advogada que lutava por justiça e pelo cumprimento da lei. #fail.

Como se pode ver, o livro traz três fases muito bem delimitadas, sendo primeiro traçado um perfil completo da sociedade da época, onde Policarpo aparece inserido mas não adaptado, pois percebe-se um homem deslocado do convívio com seus pares, por não se encaixar nos padrões da época. Senti isso no fato de ele ser solteiro e viver com a irmã, enquanto toda a sociedade pregava o casamento; também pela inadequação às regras sociais, como por exemplo, “cidadãos de bem” não poderem misturar-se com artistas, pois Policarpo foi hostilizado por tomar aulas de violão com o amigo Ricardo Coração dos Outros, a fim de aprender a tocar modinha. Tal prática era tida como prática de vagabundos, e Policarpo recebeu inúmeras críticas por receber em sua casa um violeiro.

– É bom pensar, sonhar consola.

-Consola, talvez, mas faz-nos também diferentes dos outros, cava abismos entre os homens.

Na segunda fase da vida de Policarpo, temos um homem recém saído do hospício devido aos seus devaneios patrióticos, mais decepcionado com a sociedade e que se retira para o campo ainda mantendo a fé na sua pátria tão adorada. Policarpo, aqui, mantém-se fora das questões políticas, tentando não se envolver com problemas da região, mas ao mesmo tempo fornece ajuda para os moradores do lugar, o que leva as autoridades a desconfiarem de suas intenções, gerando um clima de tensão na história.

O trem apitou e ele demorou-se a vê-lo chegar. É uma emoção especial de quem mora longe, essa de ver chegar os meios de transporte que nos põem em comunicação com o resto do mundo. Há uma mescla de medo e de alegria. Ao mesmo tempo em que se pensa em boas-novas, pensam-se também más. A alternativa angustia…

Abaixo uma das falas que mais tocaram meu coração, mais atuais, que mais retratam a triste realidade do povo brasileiro. Achei impressionante que mesmo dois séculos depois recebemos o mesmo tratamento de nossos governantes:

-Terra não é nossa…E “frumiga”?…Nós não “tem” ferramenta…isso é bom para italiano ou “alemão”, que governo dá tudo…Governo não gosta de nós….

Na terceira fase Policarpo continua fiel a seus princípios e crente em seus deveres patrióticos, assim, entrega-se ao serviço militar onde finalmente alcança a patente de major por nomeação. Contudo, Policarpo desilude-se de vez e entra num estado de auto crítica e análise profundos, que tornam-se o ponto central de seu triste fim.

 

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Termino com o momento de epifania de Policarpo, onde o narrador o vê em desgraça e tem a compreensão do todo; momento em que, finalmente, Policarpo cai em si e se desilude de suas românticas ambições patrióticas:

A pátria que quisera ter era um mito; era um fantasma criado por ele no silêncio do seu gabinete. Nem a física, nem a moral, nem a intelectual, nem a política que julgava existir havia, a que existia de fato era a do tenente Antonino, a do doutor Campos, a do homem do Itamaraty.

 

E aí? gostaram da resenha? Deixe suas impressões nos comentários, por favor!

Beijinhos.

 

 

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Desonra, J. M. Coetzee.

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Desonra, escrito por J. M. Coetzee
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 256
ISBN: 978-85-359-0080-4
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Sucesso de público e crítica – foi publicado em mais de vinte países e ganhou o Booker Prize, o mais importante prêmio literário da Inglaterra -, Desonra é considerado o melhor romance de J. M. Coetzee. O livro conta a história de David Lurie, um homem que cai em desgraça. Lurie é um professor de literatura que não sabe como conciliar sua formação humanista, seu desejo amoroso e as normas politicamente corretas da universidade onde dá aula. Mesmo sabendo do perigo, ele tem um caso com uma aluna. Acusado de abuso, é expulso da universidade e viaja para passar uns dias na propriedade rural da filha, Lucy.
No campo, esse homem atormentado toma contato com a brutalidade e o ressentimento da África do Sul pós-apartheid. Com personagens vivos, com um ritmo narrativo que magnetiza o leitor, Desonra investiga as relações entre as classes, os sexos, as raças, tratando dos choques entre um passado de exploração e um presente de acerto de contas, entre uma cultura humanista e uma situação social explosiva.

Resenha

John Maxwell Coetzee (a pronúncia correta é “coutzía”) é um professor de literatura e linguistica, e escritor sul africano que atualmente mora na Austrália, onde ainda leciona. É um homem recluso, pouco afeto a tietagens e tem o costume de não aparecer para receber os prêmios que alcança com suas obras. Desonra (em inglês foi lançado como Disgrace) é um dos livros mais importante da carreira do escritor, que recebeu o pêmio The Man Booker Prize em 1999, ano de seu lançamento.

Desonra é um romance escrito originalmente em língua inglesa e conta a história ambientada na África do Sul pós-Apartheid do professor  de literatura David Lurie, um homem de meia idade solitário cujo relacionamento mais próximo mantém com uma prostituta que, por alguns acontecimentos, acaba por  afastar-se dele.

“No campo do sexo, seu temperamento, embora intenso, nunca foi passional. Se tivesse de escolher um animal totem, seria a cobra. A relação sexual entre Soraya e ele deve ser, imagina, comouma cópula de cobras: prolongada, absorvente, mas um tanto abstrata, seca, mesmo no ponto mais quente”.

Diante da solidão ainda mais proeminente em sua vida, Lurie começa um relacionamento um tanto quanto estranho com uma de suas alunas, e não enxerga o quão abusivo esse relacionamento é. A forma como ele aborda a aluna e conduz toda a situação culmina com sua expulsão da faculdade onde leciona.

Assim, ele vai para o interior do país viver com sua filha Lucy, que não vê há alguns anos. Lucy é homoafetiva e recebe ajuda de alguns vizinhos para tocar os negócios, pois sonha em viver de suas produções. Lurie, então, encontra uma realidade muito diferente da que está habituado e passa a conflitar suas ideias com a dos habitantes locais.

Alguns acontecimentos traumatizantes levam Lurie a enfrentar seus próprios preconceitos e a aceitar posicionamentos muito diferentes dos seus, o que leva a uma auto reflexão e auto crítica muito profundas, que culminam em mudança de condição.

O livro traz temas pesados como assédio, machismo, estupro e violência contra animais, e trata esses assuntos de forma dura e direta.

Minhas impressões.

Eu amei a história, que me impactou desde as primeiras frases. O texto é cheio de reflexões do Lurie, que nos levam a refletir junto com ele e a descobrir a personagem pouco a pouco. Eu comecei o livro com uma ideia totalmente diferente, e, por vezes, me peguei tentando ajudar o Lurie mentalmente, tentando colocar palavras  que ele não conseguia dizer. O livro é o tempo todo assim: um nó na garganta de quem tem muito a dizer e não consegue se expressar de forma que o interlocutor entenda, uma verdadeira lição de linguística, de exemplos de como não se deve portar em meio a receptores que não tem capacidade de entender a mensagem do emissor que, por sua vez, não consegue alcançar seus recptores.

“Sua opinião, que ele não ventila, é que a origem da fala está no canto, e as origens do canto na necessidade de preencher com som o vazio grande demais da alma humana”.

Lurie também é confrontado o tempo todo com seu lugar no mundo depois que alcança a idade madura, os conflitos próprios de quem está chegando à terceira idade e não aceita esse destino.

“Será que podem ser condenados por se agarrar até as últimas ao seu lugar no doce banquete dos sentidos?”

Não que Lurie se porte como um adolescente, ao contrário, ele apenas não se reconhece como as limitações de um homem de meia idade e não as aceita, e isso gera muitos obstáculos para que ele encontre satisfação pessoal.

“Depois de uma certa idade a gente simplesmente não é mais atraente, e ponto final. é se conformar e viver o resto da vida. Cumprir o mandato”.

Mas não espere um desfecho inesperado, cheio de grandes acontecimentos e momentos marcantes. O livro termina do jeito que começou: uma história contada de forma seca, crua e realista. Enquanto,terminava de ler as últimas linhas do livro, mentalmente e, ao mesmo tempo, eu pensava que não ia dar tempo de acabar, que ainda teria muita coisa para acontecer, que aquele final era indigno, era quase cruel. E acabou. Como as palavras do Lurie não atingiam seus interlocutores como ele esperava, suas palavras cessaram e ele aceitou sua condição de homem em desgraça.

Gostou dessa resenha? Já leu ou tem vontade de ler o livro? Conte-me tudo nos comentários, eu adoro trocar ideias com vocês!

 

Projeto: 15 livros para ajudar a entender a sociedade brasileira e sua política.

Oi, gente!

Clima tenso no Brasil hoje, não? Aliás, essa semana começou tensa, com a manifestação contra o Governo ocorrida no último domingo, dia 13.03.2016. Ontem tivemos vazamento de ligações telefônicas da Presidenta e hoje Lula foi nomeado Ministro, mas logo em seguida teve sua nomeação caçada. Pode ser que quando eu termine de postar ele já esteja novamente no cargo, ou a Presidenta deixe o cargo, vai saber!

Bom, eu acredito muito naquela máxima de que devemos olhar para o passado para entendermos o presente e prepararmos o futuro. E isso, hoje, nunca fez tanto sentido. Pensando nisso, resolvi fazer um apanhado de 15 obras para entender a sociedade e a política no Brasil.

Escolhi livros de não ficção, e alguns deles já estão no meu projeto de 142 livros clássicos, então este projeto será conjugado com o outro. Quem quiser pode me acompanhar também pelo instagram pelas TAG ‘s #projeto142classicos e #projetopoliticabr.

Vamos à lista!

Os Bruzundangas- Lima Barreto

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Os bruzundangas é uma obra de Lima Barreto publicada postumamente em 1923, sobre um país fictício no qual impera a desigualdade social, o mau uso do bem público e o nepotismo, sendo uma crítica à sociedade brasileira e à  culturais da época.

Agosto – Rubem Fonseca

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Uma mistura de realidade e ficção que relata os dias que antecederam o suicídio de Getúlio Vargas, em 24 de agosto de 1954. Trata de um romance num dos períodos mais difíceis e obscuros da história do Brasil, combinando, na narrativa policial, a intriga política e o realismo social.

Incidente em Antares – Érico Veríssimo

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Abientado em 1963 conta a história de uma cidade que está sofrendo com a greve geral e tem seu fornecimento de energia cortado. Sete pessoas estão mortas e não podem ser sepultadas por causa da greve dos coveiros, e, então resolvem acertar as contas com os vivos e, assim passam a perseguir e bisbilhotar a vida de seus familiares.

 Sagarana – Guimarães Rosa

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 Sagarana  é uma criação do autor de 1946, que juntou à palavra saga (‘narrativa histórica ou lendária’) o sufixo tupi –rana, que expressa a ideia de semelhança. São nove narrativas  ambientadas no interior de minas gerais. Até hoje esse livro causa debates porque o autor utiliza uma escrita cheia de metáforas e outras figuras de linguagem que confundem o real e o imaginário.

O triste fim de Policarpo Quaresma – Lima Barreto

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É um romance do período do Pré-Modernismo brasileiro. Por meio da vida tragicômica do major Quaresma, um nacionalista fanático, ingênuo e idealista, Lima Barreto revela as estruturas sociais e políticas do Brasil da Primeira República, enfocando os fatos históricos do governo de Floriano Peixoto.

Viva o povo brasileiro – João Ubaldo Ribeiro

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A história se desenvolve em grande parte no século XIX, mas também viaja a 1647 e avança até 1977, na qual realidade e ficção se misturam tendo como pano de fundo momentos decisivos para a história do país, como a Revolta de Canudos e a Guerra do Paraguai.

O quinze – Raquel de Queiroz

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História sobre a grande seca de 1915. Ceição convence Mãe Nácia a partir. Vicente quer ficar, salvar o gado. Dona Maroca manda soltar o gado. Chico Bento vende as reses e parte com a família. Chegará à Amazônia? Não consegue as passagens e vai indo a pé. Um retirante em meio à seca. A fome e o cangaço. Este é um drama da terra.

Esaú e Jacó – Machado de Assis

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Nesse romance análogo da história bíblica, os gêmeos Pedro e Paulo, pertencentes à alta burguesia carioca, desde a infância se mostram opostos e rivais em tudo. Ambos apaixonam-se pela mesma mulher, o que causa ainda mais atrito entre eles. Machado de Assis traça, também, uma visão crítica do cenário político do Brasil às vésperas da Proclamação da República.

Boca do inferno – Ana Miranda

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Ambientado em Salvador, final do século XVII desenrola-se a trama desse livro, uma recriação da luta pelo poder que opôs o governador Antonio de Souza Menezes, o temível Braço de Prata, à facção liderada por Bernardo Vieira Ravasco, da qual faziam parte o padre Antonio Vieira e o poeta Gregório de Matos.
A autora mistura ficção e história, mostrando  a vida de homens e mulheres entre o prazer e o pecado, o céu e o inferno.

Vidas secas – Graciliano Ramos

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A obra é inspirada em muitas histórias que Graciliano acompanhou na infância sobre a vida de retirantes. Na história, o pai de família Fabiano acompanhado pela cachorra Baleia,  são considerados os personagens mais famosos da literatura brasileira.

Memórias de um sargento de milícias – Manuel Antômio de Almeida

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Ambintada no Rio de Janeiro, reinado de D. João VI, as memórias seguem pela infância de Leonardo, sua adolescência, sua entrada na vida militar e casamento, sendo descrito como  o primeiro malandro carioca, um anti-herói que está mais preocupado com a sobrevivência do que  ser correto ou vilão.

São Bernardo – Graciliano Ramos

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Este livro conta a história de Paulo Honório, um homem simples, que movido por uma ambição sem limites, acaba transformando-se em um grande fazendeiro do sertão de Alagoas e casa-se com Madalena para conseguir um herdeiro. Incapaz de entender a forma humanitária pela qual a mulher vê o mundo, ele tenta anulá-la com seu autoritarismo. Com este personagem, Graciliano Ramos traça o perfil da vida e do caráter de um homem rude e egoísta, do jogo de poder e do vazio da solidão, onde não há espaço nem para a amizade, nem para o amor. (Sinopse retirada do site da Saraiva).

O Tempo e o Vento – Érico Veríssimo

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Os sete volumes da trilogia ‘O Tempo e o Vento’ agora reunidos numa caixa. São 150 anos de história do Brasil protagonizados por personagens inesquecíveis, como a forte Ana Terra e o valente capitão Rodrigo Cambará. As disputas familiares, as brigas pelo poder e as guerras civis são narradas O leitor terá a surpresa e o prazer de compartilhar a emoção contida de breves composições limadas com todo o esmero — “O instante”, “Espinosa”, “Everness”, “Sarmiento” — e também a de grandes e complexos poemas como “Limites”, “O Golem”, “Poema conjectural”, e sentirá a habilidade de Borges em nos mergulhar no vasto e infindável rio de tempo, memória e esquecimento de que é feita nossa curta existência e a mais perdurável matéria da poesia. Aí está Buenos Aires. O tempo, que a outros homens traz ouro ou traz amor, em mim apenas funda esta rosa amortecida, esta vã barafunda de ruas que repetem os pretéritos nomes de meu sangue: Laprida, Cabrera, Soler, Suarez…[de “A noite cíclica”] por Erico Verissimo nesta que é uma das mais célebres sagas da literatura brasileira.Todos os volumes trazem ilustrações de Paulo von Poser e uma cronologia que relaciona fatos históricos a acontecimentos ficcionais da trilogia e a dados biográficos de Erico Verissimo. (Sinopse retirada do site da Saraiva).

O cortiço

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Publicado em 1890, é um romance que mostra que quando as pessoas estão em ambientes degradantes se comportam como animais. Trata de temas como pobreza, adultério, corrupção, formação desordenada de moradias em lugares inapropriados, e mostra como as pessoas desses conglomerados viviam, explorados por alguém que enriquece a custa de suas necessidades. Além disso, trata de tabus da sociedade, como homossexualidade, alcoolismo e prostituição.

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Capitães da Areia, a história crua e comovente de meninos pobres que moram num trapiche em Salvador,  falando sobre sua  infância abandonada.

E aí, gostou? Tem algo a acrescentar? Se tiver, vou adorar acrescentar à minha lista, então comenta aí! 😉

 

Resenha: As brumas de Avalon, vol. 02 – A grande rainha.

As brumas de Avalon, volume 02, escrito por Marion Zimmer Bradley.
 
 

Bradley, Marion Zimmer. As Brumas de Avalon. In Marion Zimmer BRadley, As brumas de Avalon, a grande rainha. vol. 02. Rio de Janeiro: Imago, 2002.

Neste livro o leitor desvenda o destino de Morgana, após sua fuga de Avalon, que vai se refugiar na casa de sua tia Morgause. Lá ela dá a luz seu filho e o deixa aos cuidados de Morgause, que descobre o segredo de Morgana vê na criação de seu sobrinho um trunfo sobre o Reino. Temos aqui, também, o drama de Guinevere, entre seu amor por Lancelote e suas obrigações conjuguais com Arthur, e seus intentos de fazer com que seu marido quebre o juramento à Senhora de Avalon (Viviane)  O conflito entre o cristianismo e o paganismo está bem marcante neste livro, com uma evolução da história de Guinevere contra Morgana, e a divisão do Reino no que seria,depois, a Grã-Bretanha.


Minhas impressões
Na minha opinião, este é o melhor livro da saga.  Temos o nascimento do filho de Morgana, o casamento de Arthur com Guinevere, a reclusão de Igraine no convento, a paixão crescente entre Lancelot e Guinevere, e as inúmeras reflexões desta sobre a liberdade e força de Morgana,  ao mesmo tempo em que sua inveja e preconceito contra a antiga religião ficam marcantes. É uma escrita rica em detalhes sobre as questões mais íntimas das personagens.

Vemos, aqui, uma Morgana em evolução, enquanto Guinevere se mostra cada vez mais mesquinha e irritante. A personagem Morgana cresce com o passar das páginas,  demonstrando uma ousadia e força, ao mesmo tempo delicada e sensível. Arthur aparece em conflito entre satisfazer os desejos de sua esposa, seu amor por sua irmã e sua lealdade a Avalon. Este conflito parece estar presente em todas as personagens, inclusive Lancelote, que sofre por amor a Guinevere e Arthur, e seu desprezo por Morgana, que continua apaixonada pelo primo. É uma verdadeira ciranda, que nunca se resolve. A cada tentativa das personagens de se encontrarem em seus sentimentos, o afastamento é inevitável, o que me causou uma ansiedade em desvendar a história por completo.

Há inúmeras discussões entre cristianismo e paganismo, como vemos numa passagem em que Morgana toca harpa e canta no casamento de Arthur, sendo reprimida pelo Bispo e questionada por Guinevere, quando responde:
 
De súbito, Morgana manifestou-se:
 
 – Se Maria Madalena tocava harpa e dançava, ainda assim foi salva, e em lugar nenhum está escrito que Jesus lhe tenha dito para calar-se com humildade! Se ela derramou bálsamo precioso na cabeça do Senhor, e este não permitiu que os discípulos a censurassem, bem poderia ter recebido com agrado seus outros dons. Os Deuses dão aos homens o que têm de melhor, e não o pior. 
 
Patrício retrucou, secamente: 
 
– Se é essa a forma de religião conhecida aqui na Bretanha, estamos realmente necessitados de concílios como o que foi convocado pela nossa Igreja!

Em várias passagens teremos diálogos como este acima, deixando a conclusão para o leitor, pois a autora em nenhum momento se posiciona a favor de uma ou outra forma de pensar, apenas descrevendo os pensamentos, o caráter e as atitudes das personagens, e suas ligações com a religião e a crença.

Teremos um acontecimento decisivo para o futuro de Viviane e de Avalon, pois por causa desse acontecimento, outros se desenrolarão. Isso acontece por todas as linhas da história, vários fatos que nos parecem pequenos e sem grande importância terão consequências futuras gigantescas.

A homossexualidade aqui também é retratada entre Lancelote e Arthur, mas a forma deliciada e respeitosa como a autora tratou o assunto é o ponto alto da história, pois deixa o leitor confuso sobre o que de fato aconteceu entre eles, o que somente se revelerá adiante, em outro volume do livro.

É uma história para ler com atenção e despido de qualquer preconceito porque muitas falas e pensamentos das personagens dialogam com a nossa própria visão de mundo, o que pode nos trazer conclusões surpreendentes.
Gostou da resenha? Deixa seu comentário aqui embaixo para que eu possa fazer outras assim. Se não gostou, deixe também, para que eu possa melhorar. 😉
 
 

Minha Faculdade de Letras a distância – EAD Universo Niterói.

Olá, pessoal! Tudo certinho com vocês? Aqui está um calor de matar e muita correria, tentando conciliar trabalho como advogada, fotografia, leituras pessoais e meus estudos em Letras.
Hoje o post é sobre a minha tão amada faculdade de Letras, que está me deixando cada dia mais apaixonada e mais feliz.
Estou cursando Letras com Licenciatura em Língua Portuguesa e Literatura na Universidade Salgado de Oliveira na modalidade de ensino a distância, que significa que eu, ao final de três anos, estarei habilitada  a exercer o magistério, ou seja, poderei dar aulas para crianças do ensino fundamental e médio.

São seis períodos divididos da seguinte forma:

 

Clique na imagem para aumentar.

Como vocês podem ver, neste primeiro semestre só tenho matérias voltadas ao ensino, à formação de professor, o que tem sido bastante enriquecedor, mas, também, muito cansativo. Acho que são as matérias mais negligenciadas pelos alunos porque não são específicas do curso, por isso gosto que elas sejam abordadas logo no início, quando estamos a todo vapor, cheios de energia e empolgados com o curso. Estou curtindo esse outro olhar, esse mergulho em matérias específicas de outras áreas do conhecimento. A única matéria que eu realmente não gosto é Direito aplicado à educação pois já ando meio sem muito amor pelas leis. Mas confesso que até mesmo essa matéria me surpreendeu positivamente porque a abordagem é totalmente voltada para o ensino, e estamos estudando a lei de diretrizes e bases da educação nacional, portanto, tem sido muito enriquecedor. Para esta disciplina pretendo adquirir a LDBEN (lei de diretrizes e bases da educação nacional) comentada, mas está muito difícil de encontrar.
Por Fundamentos das Ciências Humanas e Sociais leia-se Filosofia e Sociologia, meu grande trauma da graduação em Direito. Até que estou melhorando os estudos nessa área, já compreendo muitas coisas que não compreendi há 15 anos atrás. Mas é uma matéria difícil, que requer grande concentração. Como leitura de apoio estou lendo o livro O Mundo de Sofia, em ebook, e provavelmente farei uma resenha desse livro aqui no blog pois quero unir o útil ao agradável: trazer material de qualidade para o blog e fixar o conteúdo. Mas não é uma leitura tranquila, ao contrário, é complexa e bastante cansativa, pois a narrativa se arrasta em muitas páginas. Estou focada.
Psicologia do desenvolvimento e da aprendizagem é uma matéria pesada. Estudamos as teorias de Piaget, Wallon e Vygotsky. Matéria enorme, mas, para minha surpresa, prazerosa. Aborda os diversos aspectos da aprendizagem e como se dá o desenvolvimento do ser humano, desde a infância até a vida adulta. Estou usando o livro Desenvolvimento e Aprendizagem em Piaget e Vigotsky, também em ebook.
Metodologia da pesquisa é uma matéria com seus altos e baixos, hora trata de disciplina e organização do estudo (a parte que eu amo), hora trata das técnicas de pesquisa (que eu considero cansativo). Mas no geral é uma matéria muito útil, que eu sei que os conhecimentos adquiridos nessa disciplina serão úteis para o resto da vida. Estou lendo diversos textos que a professora disponibilizou no ambiente virtual de aprendizagem, que é a nossa sala de aula.
Seminário integrador é um trabalho que eu ainda não fiz. Montar um plano de atividade para usar em aula com alunos fictícios e formatado conforme regras da ABNT.  Estou aguardando acumular mais conhecimento em outras matérias para concluir,
Lingua Portuguesa está abordando vários aspectos da língua, fala e linguagem. É claro que essa é a matéria queridinha por ser a única específicamente voltada para o curso de Letras. Quero comprar o  livro Linguagem, língua e fala, do Ernani Terra, já encomendei.
E finalmente temos Didática, com uma matéria mais dinâmica, onde temos muitas indicações de livros e filmes fantásticos, com muitos exemplos reais e cotidianos. É uma matéria para sonhar com a profissão de professora, eu estou amando. Como livro de apoio li Conversas com um jovem professor, do Leandro Karnal. Li em ebook e comprei pelo Google Play. por R$ 14,90. O livro é maravilhoso, fantástico! Nele o autor relata diversas experiências em sala de aula e a leitura flui como uma conversa mesmo. Para todos os que sonham com a docência, é um livro obrigatório.
O que estou achando surpreendente nessa faculdade é o link que todas as matérias fazem entre si. Cada disciplina trata de uma ou duas questões tratadas na disciplina anterior, e assim sucessivamente. Isso ajuda a compreender a Educação como um sistema, um organismo vivo. Gostei muito da disposição das disciplinas, por serem essas listadas acima logo no primeiro semestre, e também desse tipo de abordagem mais global.
Como é a dinâmica das aulas:
Acessamos o ambiente virtual do aluno com o nosso número de matrícula e uma senha gerada no momento da matrícula, que ocorre de forma presencial. Essa senha pode ser alterada depois pelo aluno. No ambiente virtual o aluno encontra todas as videoaulas de todas as matérias, todos os livros de cada matéria (o conteúdo escrito das aulas), material complementar disponibilizado pelos professores (textos, filmes, links e etc), o calendário com as datas importantes  de provas, participação nos Foruns e entregas de trabalhos, um mural de todas as áreas, uma área dedicada a mensagens que o aluno poderá trocar de forma privada com professores e funcionários da faculdade (secretaria) e o espaço para discussões, os chamados Fóruns.
A nossa média deverá ser alcançada através de participação nos Fóruns, respondendo aos temas propostos pelos professores, valendo 3,0 pontos, mais as provas, valendo 7,0 cada. São duas provas obrigatórias, denominadas A1 e A2, e dois Foruns: Fórum I e Fórum II. Existe, também, uma última prova, opcional para quem alcançar a média, e obrigatória para quem não alcançar, a chamada A3. A média mínima para ser considerado aprovado é 6,0, mas o aluno que tirar 4,0 ou menos em alguma prova é automaticamente reprovado. Portanto, parece fácil, mas não é.
As provas são realizadas no campus da faculdade onde o aluno se inscreveu, no meu caso, em Niterói, devendo ser previamente agendada no ambiente virtual, e o aluno dispõe de 2 horas para realizá-la.
Minha primeira etapada de provas começará no dia 14 de março e terminará no dia 04 de abril, portanto meu agendamento deve ser feito nesse período.
Como o período de provas já está próximo, vocês podem imaginar a minha ansiedade e correria. Estou tentando conciliar as leituras teóricas com os projetos de leitura que eu invento para conseguir dar conta de tudo. Não é fácil, mas eu gosto de viver perigosamente.
Então é isso, espero que vocês tenham gostado e que esse post ajude a algumas pessoas que tem curiosidade e interesse por o curso de Letras a distância.
Posteriormente pretendo fazer um post sobre minha organização de estudo, e na medida que eu me familiarizar melhor com o sistema virtual de ensino vou escrevendo dicas por aqui. Até mais!