A Grande Fome de Mao, Frank Dikötter.

  • Capa comum: 532 páginas
  • Editora: Record (31 de março de 2017)
  • Idioma: Português
  • ISBN-13: 978-8501401618
  • Dimensões do produto: 22,8 x 15,6 x 2,6 cm
  • Peso do produto: 581 g

Sinopse da Editora:

Entre 1958 e 1962, a China tornou-se um inferno. Mao Tsé-tung jogou o país em um delírio com o Grande Salto Adiante, uma tentativa de alcançar e superar economicamente a Grã-Bretanha em menos de quinze anos. O experimento terminou na maior catástrofe que a China já viu, destruindo dezenas de milhões de vidas. Com riqueza de detalhes, Frank Dikötter expõe um período da história chinesa nunca antes completamente enfrentado. Mostra que, ao invés de desenvolver o país para se equiparar às superpotências mundiais, comprovando assim o poder do comunismo — como Mao imaginara —, o Grande Salto Adiante na verdade foi um passo gigante e catastrófico na direção oposta. O país virou palco de um dos assassinatos em massa mais cruéis de todos os tempos: pelo menos 45 milhões de pessoas morreram de exaustão, fome ou vítimas de abusos mortais das autoridades. Foi também a maior demolição de imóveis da história humana, já que quase um terço das residências foram postas abaixo, sendo a terra revirada na busca incessante por aço e outros recursos industriais. Descortinando as maquinações cruéis nos corredores do poder e o cotidiano da população comum, A grande fome de Mao dá voz aos mortos e esquecidos. Com pesquisa meticulosa e um texto brilhante, este relato inédito é uma reformulação fundamental da história da República Popular da China.

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A grande Fome de Mao mostra como a China liderada por Mao Tsé-Tung mergulhou numa crise de fome que matou aproximadamente 45 milhões de pessoas entre os anos de 1958 e 1962.

O autor Frank Dikotter teve acesso a documentos inéditos que antes só eram acessíveis a membros do partido comunista, e nos conta em detalhes sobre a política do Grande Salto Adiante instituída por Mao, que fantasiou uma competição com a união Soviética pela liderança do mundo comunista. Nessa louca corrida rumo ao poder, os camponeses foram forçados a trabalhar em terras coletivas (pertencentes ao Estado) para alimentar as cidades e prover bens para exportação e, com isso, sua própria sobrevivência ficava em último plano, o que acarretou em uma enorme quantidade de alimentos vendidos para promover a importação de equipamentos industriais e militares.

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Os relatos mais fortes sobre as mortes incluem, além da maioria por fome, mortes por acidentes, doenças, violência e por canibalismo.

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Nesse cenário de horror, a violência tornou-se uma ferramente de controle, utilizada de maneira sistemática e habitual contra qualquer um que ousasse protestar, furtar ou roubar comida, o que era muito rotineiro porque as pessoas trabalhavam de forma exaustiva e morriam de fome, frio e doenças.Mutilações eram formas frequentes de punição: cabelos eram arrancados, orelhas, narizes e testículos eram cortados, solas dos pés queimadas e pimentas ardidas colocadas dentro das narinas. Os aldeões sofriam não só com a fome, mas toda sorte de tortura lhes eram aplicadas por qualquer ato de indisciplina.

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Eu gostei do livro porque mostra detalhadamente toda a causa da crise no período, mas a forma densa dos relatos contém muitos dados técnicos sobre economia e política interna, O que requer bastante atenção e interesse por parte do leitor. Com certeza é um livro que vai permanecer na estante para ser usado como fonte de consulta.

Frank Dikotter
Frank Dikotter nasceu na Holanda, em 1961 e se formou em história e Russo pela Universidade de Genebra. Após morar dois anos na República Popular da Chinam mudou-se para Londres. Em 1990, obteve PhD em história pela Escola de Estudos Orientais e Africanos da Universidade de Londres, onde posteriormente foi professor de História moderna da China. Desde 2006, é professor catedrático de Humanidades na Universidade de Hong Kong. Pioneiro no uso de fontes do arquivo chinês, publicou mais de dez livros que mudaram a visão dos historiadores sobre a China moderna.
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Amizade é também amor, Fabrício Carpinejar

 

  • Capa comum: 288 páginas
  • Editora: Bertrand (24 de março de 2017)
  • Idioma: Português
  • ISBN-13: 978-8528621921
  • Dimensões do produto: 20,6 x 13,2 x 2 cm
  • Peso do produto: 299 g

Sinopse: Em seu novo livro de crônicas, Carpinejar não fala de amor, mas de amizade. São 122 textos ao longo de mais de 200 páginas que combinam reflexões de companheirismo e humor do cotidiano com lembranças da infância e um ou outro conselho sobre convivência. “Os amigos são para toda a vida, ainda que não estejam conosco a vida inteira. Amigo é destino, amigo é vocação”, escreve.

Sabe aquele livro que parece um abraço? às vezes um pouco mais apertado, outras mais confortável… Assim são as crônicas que fazem parte dessa coleção de histórias sobre amizade, amor e um pouquinho de reflexão sobre nossas próprias atitudes cotidianas.

O que bate de frente é a agressão silenciosa. Quem esconde o punho na hipocrisia, quem finge generosidade no beijo e cospe sua agressividade em segredo.

É um livro com muitas pílulas de sabedoria, que pode funcionar como um excelente livro de cabeceira, um livro para ser degustado aos poucos, para ser refletido.

Quem cobra perde a razão, essa é a parte triste do amor.

Utilizando de um pouquinho de teoria literária, crônica é um gênero literário autônomo, formado por uma textualidade híbrida entre o jornalismo e a literatura; que possui uma curta extensão, como se fosse um texto inacabado, e fazendo uso de uma linguagem oral muito familiar ao leitor, com forte presença da subjetividade do autor, flexibilidade e irregularidade temática.

Encontro da firma não é lazer, e sim hora-extra no final de semana e adicional noturno. Só os estagiários não entenderam isso e brindam ao futuro, ingenuamente alegres, com seus copos de plástico.

E nisso as crônicas deste livro preenchem todos esses requisitos de forma muito didática, porque o autor imprime suas vivências sem fazer disso uma autobiografia camuflada, mas colocando aqui e ali uma pitada do seu bom humor e de sua visão de mundo, ao mesmo tempo em que permite ao leitor fazer suas próprias reflexões e caminhar por suas páginas de forma totalmente independente. O autor não força qualquer opinião, conta alguns “causos” que tem o amor e a amizade como pano de fundo, e faz isso de forma leve em sua retórica ao mesmo tempo em que é muito profundo em significado.

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Fabrício Carpinejar nasceu em Caxias do Sul em 23/10/1972. É poeta, jornalista, diplomado em jornalismo e mestre em literatura brasileira e já recebeu diversas premiações por suas obras.

A maldição de Stalin, Robert Gellately

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  • Capa comum: 560 páginas
  • Editora: Record (27 de janeiro de 2017)
  • Idioma: Português
  • ISBN-10: 8501403784
  • ISBN-13: 978-8501403780
  • Dimensões do produto: 22,6 x 15,2 x 3,6 cm
  • Peso do produto: 739 g

As origens da influência internacional de um dos ditadores mais temidos do mundo.
Nos anos 1930, já tendo se tornado em tudo um ditador, Stalin empregava o terror como método de governo, justificando-o como maneira de preservar a revolução dos ataques de seus inimigos internos e externos. Ao mesmo tempo, fomentava um culto à liderança que o transformou em uma espécie de deus, a inspirar ativistas e simpatizantes ao redor do mundo. Com base em numerosos documentos originais russos e outras fontes do Leste Europeu, liberados após o fim da União Soviética, além de muitos outros documentos alemães, americanos e ingleses, o historiador best-seller Robert Gellately delineia as origens da crescente influência internacional do tirano, que se inicia nos primeiros dias da Segunda Guerra Mundial e permanece mesmo após sua morte, em 1953. O autor ainda examina o papel central desempenhado por Stalin – com consciência estratégica – no trabalho de implementar o comunismo na Europa e em todo o mundo, de maneira que, ainda hoje, muitos milhões de pessoas aguentam nos ombros seu legado – ou sua maldição.

O autor canadense é professor da Universidade Estadual da Flórida, especialista na Alemanha Nazista, e utilizou fontes da Alemanha, Grã-Bretanha, especialmente dos EUA ,e algumas soviéticas, cedidas após o término da Guerra Fria. Em sua obra, defende que Stalin foi o grande responsável pelo início e continuidade da Guerra Fria, e não os EUA, como a maioria entende. O autor não admite nem mesmo uma culpa conjunta entre as duas potências, o que já traz uma grande problemática para a obra.

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O livro traz centenas de referências bibliográficas em sua parte final (notas), o que traz um certo peso à obra, mas confesso que não pesquisei sobre elas. É dividido em três partes: a primeira traz o desenvolvimento e estabelecimento da União Soviética e da Segunda Guerra Mundial. a parte dois contém um compêndio do pós-guerra, contando como se deu a negociação entre as nações, e a parte três que se dedica à Guerra Fria, falando do regime socialista em diversos países da Europa e Ásia.

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Essa última parte contém bastante indicação bibliográfica.

Como curiosidade, o termo “Maldição” utilizado pelo autor se refere à sua análise sobre o pós guerra, quando Stalin aproveitou-se do contexto sócio-econômico para estender sua zona de atuação, juntamente com práticas de censura e repressão. O autor também explica que essa maldição significa a dificuldade que os países ligados ao conjunto soviético tiveram para tentar melhorar sua economia, tudo por culpa única e exclusiva de Stalin, o que não deixa de ser uma opinião tendenciosa, que desperta muitos questionamentos.

Na mesma linha de raciocínio, Gellately denomina Stalinização ao estilo repressor de expansão soviética ao mesmo tempo em que censura os EUA, que, na sua visão, ficaram inertes frente à expansão comunista, mas, em contrapartida, ovaciona a interferência americana na Coreia e aceita que todo o quadro histórico do pós guerra auxiliou as ações stalinistas, tendo em vista a pressão que o povo americano fez para o retorno dos soldados à sua nação, enquanto a Grã-Bretanha encontrava-se quebrada economicamente.

Outra problemática encontrada no livro é a opinião pessoal do autor quanto ao caráter de Stalin. Ele não admite a possibilidade de uma psicopatia ou qualquer transtorno de personalidade, mas acredita que toda violência cometida era fruto da própria ideologia comunista, ou seja, foi fruto de como Stalin absorveu  e interpretou a doutrina Marxista, deixando subentendido que a doutrina marxista propaga a violência como forma de dominação. Essa percepção deixa de fazer sentido se utilizarmos a mesma premissa para a análise de todo o mal causado pelo nazismo de Hitler, um ditador nacionalista de extrema direita.

Em Teerã, Stalin soou como se confiasse em seus aliados e estivesse ávido por cooperação. Mas seu desprezo por eles não tinha limites. O histórico está repleto de exemplos, como um de março de 1944, quando falou para visitantes comunistas Iuguslavos. Disse-lhes que não se enganassem em relação às suas relações cordiais com Roosevelt e Churchill, por ele equiparados a batedores de carteira capitalistas. Aconselhou seus convidados a não  “amedrontarem” os aliados ocidentais, com isso querendo dizer “evitar qualquer coisa que pudesse alarmá-los a ponto de pensarem que uma revolução se processava na Iuguslávia ou uma tentativa de controle comunista”. as atitudes e ambições políticas de Stalin eram imutáveis, a despeito de quaisquer gestos de amizade que ele pudesse fazer. (pág. 100)

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Eu julguei muito arriscada a leitura dele em diversos ângulos. Deixo aqui bem claro que não tenho qualquer apego, admiração, empatia, inclinação ou atração pela memória de Stalin, mas essa interpretação de Gellately sobre as responsabilidades prioritárias da URSS pela Guerra Fria me parece uma reprodução da historiografia conservadora dos anos 50, e sua posição claramente de direita compromete bastante confiabilidade da obra.

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Parceria: Grupo Editorial Record 

Para quem não acompanhou meu ataque de alegria na semana retrasada  lá no stories do instagram (se você ainda não me segue no @letrasextraordinarias está perdendo um monte de dica legal), aqui vai a novidade: agora o IG Letras Extraordinárias é parceiro do Grupo Editorial Record, e eu vou trazer essa parceria para o blog.

A partir de agora vamos ter mais conteúdo,  e mais indicações literárias para vocês.

Fiquem ligados que deve rolar sorteio também. 🤗