Quando a mudança se fez necessária: por que eu quero mudar de profissão.

Oi, pessoal! Tudo bem?
Eu acredito que todos que me acompanham saibam que eu sou advogada com uma bagagem de quase 16 anos de profissão. Já fiz duas pós-graduações na área, sendo uma na UFF em Direito Privado, e a segunda na EMERJ, o curso oficial de formação em Magistratura do meu Estado. Já pensei em fazer concurso na época em que estava na EMERJ, mas depois de me formar naquela Escola desisti, por n motivos que não cabe enumerar aqui. Já trabalhei para grandes escritórios, já fui coordenadora de equipe de advogados, já trabalhei como audiencista, como advogada interna numa grande corporação e hoje tenho um escritório próprio, e estou cursando faculdade de Letras.  O que ninguém sabe é sobre os motivos que estão me fazendo escolher uma segunda graduação.
Para começo de conversa eu não estou abandonando o Direito, pelo menos não por enquanto. Tenho vontade de abandonar? Ultimamente tenho, sim. Mas não é esse o motivo que está me levando a cursar Letras.
Eu sempre quis fazer uma segunda graduação. SEMPRE. Já pensei em fazer uma pós-graduação em  Filosofia, Sociologia, Antropologia, História da Arte. mas daí eu estaria apenas acumulando pós-graduações, e não é esse o meu objetivo. Pensei em fazer um Mestrado, mas isso não implicaria em grandes mudanças de ares. Pensei em fazer outros cursos de Fotografia (minha segunda profissão), mas a grande verdade é que eu ando muito enjoada. Utimamente estou vendo a fotografia como uma ferramenta, como um meio e não como um fim.
O que eu quero mesmo é o novo, é agitar a mente, é descontruir conceitos, é aprender a pensar diferente, é sair fora da caixinha, da zona de conforto. E cursar Letras está agregando muito à minha profissão de advogada e, ao mesmo tempo, está abrindo um novo horizonte para mim. Quantos advogados escrevem bem? Quantos advogados escrevem o Português correto? Aliás, quantos profissionais, de outras áreas, escrevem corretamente? Nem eu mesma estou confortável com a minha maneira de escrever. Cometo muitos erros vergonhosos e tenho plena convicção disso. Mas não aceito, não me conformo e quero mudar. Por causa disso escolhi uma graduação que some à minha principal atividade e que me permita, mais a frente, se eu quiser, mudar de lugar.
A grande verdade é que eu sou assim: eu me atiro. Eu não me encolho e não me conformo. Se algo está me incomodando, eu mudo, saio do lugar. Eu não tenho medo de viver várias vidas em uma, e muitas vezes sou apontada por isso, criticada, feita de chacota por pessoas covardes que não tem um pingo de comiseração. Já chegou a meus ouvidos que eu fui feita de exemplo em sala de aula, exemplo de pessoa que não sabe o que quer, que cada hora faz uma coisa diferente. Exemplo de quem não sabe o que quer por querer uma mudança, querer experimentar o novo, POR NÃO ME CONFORMAR COM O BANAL. 
Dane-se.
Sinceramente? Já me preocupei muito com o que os outros falam a meu respeito. Já sofri, já chorei, já pensei em desistir de tudo por causa de uma simples crítica, mas percebi que, para as pessoas que falam, tanto faz. Essas pessoas não estão preocupadas comigo, com o que eu quero, com minhas dores, com meus anseios. Essas pessoas só querem falar, ser engraçadas, ter asunto. Professores que usam a vida de outras pessoas como exemplo de chacota em sala de aula não são verdadeiros educadores, são fanfarrões. Querem plateia, aplausos, e fazem do tablado, um palco de um pobre frustrado que vê nas palmas um pouco de satisfação. Quem me aponta como uma pessoa que não sabe o que quer não está pensando em nada, apenas em apontar, e, eventualmente, em ter assunto, 
Eu sei o que quero e porquê quero. Eu não sou uma pessoa conformada e odeio me sentir estagnada. Há muito tempo que a profissão de advogada não me traz satisfação pessoal. Traz dinheiro? Sim. Traz reconhecimento? às vezes. Mas não é nada disso que está em jogo para mim. É algo muito além. é a necessidade de mudar de vida, de virar tudo do avesso, de aprender e de me realizar. E eu estava adoecendo. Estava triste, sem perspectiva, sem grandes planos. Cansada de ver injustiças serem cometidas por sentenças dadas sem uma análise técnica perfeita. Cansada de lutar por justiça. 
Acho que a minha decisão de passar pro outro pólo tem a ver com cansar de tratar a doença e querer impedir a causa. Como professora eu terei a a chance de formar pessoas que se formarão em profissionais. Terei a chance de ajudar pessoas a começarem as suas vidas. Cansei de ajudar pessoas a resolverem problemas muitas vezes causados por elas mesmas, por causa de uma péssima educação escolar. Formar-me em professora está abrindo possibilidade para que eu aprenda a pensar, e aprenda a ensinar a pensar. Isso é o que me move e é a causa maior do meu anseio por mudança. 
Sonhadora? Idealista, eu sei.
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