A casa das belas adormecidas, Yasunari Kawabata.

A casa das belas adormecidas
Autor: Yasunari Kawabata
Editora: várias (ePubr)
Ano: 1961
Sinopse:
Imbuída de um erotismo inusitado, esta obra, escrita em 1961, demonstra a maturidade estilística do autor, que se utiliza sua virtuose descritiva para contar a história de Eguchi, um senhor de 67 anos que frequenta a ‘casa das belas adormecidas’, uma espécie de bordel onde moças encontram-se em sono profundo, sob efeito de narcóticos. Apesar da idade avançada, o protagonista parte em busca dos prazeres perdidos e se depara com moças virgens, que os visitantes podem tocar, mas são proibidos de corromper. Daí derivam passagens antológicas de rememorações pessoais e fantasia. Kawabata procura desvendar o enigmático universo do corpo feminino em um culto ao belo e ao inalcançável, investigando as dores da solidão a partir da sutileza de um erotismo expressivo, constantemente atravessado por passagens de fina ironia e perturbadora consciência da passagem do tempo, do vazio existencial que permeia as relações humanas.
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Sabe um livro difícil de digerir? Então.

Peguei esse livro para a categoria um livro de um autor japonês do #desafiolivrada2017 e foi uma experiência um pouco angustiante.

A história é a seguinte: um senhor de idade procura uma casa que oferece companhia de jovens virgens para dormir. Mas dormir mesmo, nada de sexo. Mas as companhias são moças bem jovens, e elas estão nuas. E desmaiadas. E quando digo desmaiadas, na verdade quero dizer desacordadas, quase mortas: drogadas. Não veem nada e não sabem de nada do que está acontecendo ao redor. É assustador!

E nesse ambiente físico, que me pareceu frio de modo a favorecer o sentimento de solidão, ele passa algumas noites, cada noite na companhia de uma mocinha nua diferente, que ele não sabe o nome, a idade, nada. É “apenas” a companhia de um corpo feminino nu e indefeso, que ele sabe apenas que respira e dorme. E ao lado delas, ele reflete sobre sua vida, sobre seu vazio existencial, seus questionamentos e medos de homem idoso, e nos conta algumas poucas histórias de sua juventude. Dessa forma, sabemos muito pouco sobre o homem, e nada sabemos sobre as meninas, apenas que dormem indefesas.

Esse livro inspirou Gabriel Garcia Marquez a escrever “Memórias das minhas putas tristes” e é um clássico da literatura mundial. Mas eu não recomendo para todo mundo porque pode servir de gatilho emocional para pessoas mais sensíveis ao tema. Foi um livro que incomodou e fez-me refletir sobre diversos assuntos como violência sexual e emocional, velhice, solidão, suicídio, homicídio, existencialismo, empatia, morte, e muito mais.

Não é uma história dinâmica, mas um livro lento, que faz-nos refletir junto com o personagem. Apesar disso, é um livro curtinho e nada cansativo, então não precisa ter medo porque não é nada entediante. Para mim foi uma experiência enriquecedora e constatei, mais uma vez, que  autores japoneses são geniais.

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Enfim, férias!

Oi, Pessoal! Tudo bem?

Por aqui está tudo tranquilo, pelo menos agora!  No dia 17 de maio eu sofri um assalto e me levaram o meu tão amado celular, no qual simplesmente continha a minha vida! Esse roubo aconteceu no dia das minhas últimas três provas da faculdade, eu estava no ponto do ônibus  quando fui abordada. Tive que voltar em casa, bloquear cartões de bancos (sim, eu usava aplicativo do banco no celular, sou dessas!), trocar senhas de todas as redes sociais e bloquear meu número. Depois fui fazer a prova, que aconteceria em três horas, tive que fazer três provas em uma hora. Conclusão: não fui tão bem assim nas provas e o que me salvou foi que eu tinha notas realmente boas nas primeiras provas. Mas pelo menos eu já passei   e ainda estou pensando se faço ou não a A3 para melhorar meu CR.

O bom é que agora estou podendo me dedicar mais às minhas leituras e já avancei muito em alguns projetos. Ah, e com a ajuda do Kindle estou num verdadeiro frenesi de leituras, lendo sem parar, em qualquer hora e lugar. Realmente o Kindle foi a melhor aquisição que fiz nos últimos tempos. Sabem, eu sou muito ansiosa e com o kindle eu posso escolher um livro e na mesma hora tê-lo à minha disposição. Para quem ainda não viu, segue meu vídeo de quando o kindle chegou, muito amorzinho!

Então quero contar para vocês qual é o meu planejamento de férias da faculdade:

1 –  Quero terminar o projeto lendo 15 livros pra entender a sociedade e a política do Brasil porque é um projeto curtinho que eu acho que vou conseguir matar logo, e porque acho que selecionei livros muito importantes pros próximos semestres da faculdade.

2- Quero adiantar o estudo de introdução aos estudos literários, e por isso comprei o livro Introdução aos estudos literários, do Erich Auerbach que você pode encomendar aqui http://amzn.to/1RTf4H1. Esse livro é maravilhosos, uma edição linda da Cosac e Naify que eu estou in love. Vale muito a pena.

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3 – Montar o meu canal no Youtube. Gente, eu já gravei mais de 10 vídeos e apaguei por motivo de sou tímida e me odeio no vídeo uhahuauhuhaa. Sério, não sei como superar isso, mas eu vou fazer porque estou sentindo vontade de ter uma maior interação com leitores e estudantes de Letras e acho que um canal vai ser um meio bacana de aprender e divulgar mais o meu futuro trabalho. Na verdade esse canal já existe, só que não tem nada de interessante por lá…AINDA!

Bom, é isso, pessoal. Se você estiver de férias da faculdade assim como eu, deixa nos comentários quais os teus planos que eu vou adorar saber sobre isso!

beijão.

 

 

Resenha: Germinal, de Emile Zola. #projeto142classicos

 

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  • Formato: eBook Kindle
  • Tamanho do arquivo: 5288 KB
  • Número de páginas: 485 páginas
  • Editora: Centaur (5 de setembro de 2011)
  • Vendido por: Amazon Servicos de Varejo do Brasil Ltda
  • Idioma: Português
  • ASIN: B005LHQUL0

Descrição:

Fundador e principal autor do naturalismo literário, Émile Zola levou a descrição realista a extremos de crueza, especialmente na denúncia das condições de trabalho da classe operária do século XIX. A estética naturalista do escritor, inspirada na filosofia positivista e na medicina da época, partia da convicção de que a conduta humana é determinada pela herança genética, pela filosofia das paixões e pelo ambiente. Germinal (1885) é universalmente considerada a obra-prima do autor. Foi a partir de Germinal – descrição das condições de vida subumanas numa comunidade de mineiros – , que Zola começou a destacar os elementos de opressão social como responsáveis pela paralisação moral da humanidade. Germinal é um romance poderoso escrito por um autor poderoso.

Resenha

Germinal é um romance naturalista escrito por Emile Zole que conta a história de trabalhadores mineiros que entram em greve exigindo melhorias salariais e de condições de trabalho. O autor chegou a passar dois meses convivendo com mineiros e burgueses da região a fim de escrever um retrato fiel daquela parte da sociedade francesa do século XIX.

O livro começa com Etienne Lantier, um homem que aparece na região de Montsou, andando sem rumo em busca de emprego, com fome e frio, quando encontra um homem velho, trabalhador das minas de carvão da região. Posteriormente, Etienne consegue uma vaga de trabalho nas minas e vai morar na casa desse homem, o velho Boa-Morte, patriarca de uma família com sete pessoas. Ele se apaixona por Catherine, neta do velho Boa-Morte mas não consegue viver essa paixão porque a menina namora um dos trabalhadores das Minas, o violento Chaval. Etienne, então, mergulha naquela sociedade faminta e miserável, onde homens, velhos, mulheres e crianças trabalham debaixo da terra em condições insalubres, sem qualquer tipo de proteção, num calor de mais de 40º, e onde são submetidos a doenças, promiscuidade, violência, fome e todo tipo de barbárie.

O trabalho nas minas se torna cada vez mais sacrificante diante de novas exigências dos empregadores, que retiram parte do ordenado dos miseráveis trabalhadores. Diante de tudo isso, fome, violência, frio, Etienne começa a estudar ideias socialistas e incita os trabalhadores a tomarem uma providência, o que eclode numa greve geral para forçar o aumento de salário e melhorar as condições de trabalho.

 Minhas impressões

Li este romance por indicação da disciplina de Sociologia para a faculdade de Letras. O livro inaugura o naturalismo literário, estilo de escrita onde o autor narra de forma totalmente impessoal e analisa a história sob o ponto de vista biológico, psicológico e social, apontando saídas e soluções para os problemas que propõe.

Uma gama variada de perguntas confusas não o deixava em paz: por que havia tanta miséria de um lado e tanta riqueza de outro? Por que estes tinham de viver escravizados àqueles, sem a menor esperança de um dia mudarem de posição? A primeira etapa vencida foi a da compreensão de sua ignorância. Uma vergonha secreta, um desgosto oculto começaram a atormentá-lo: nada sabia, não ousava falar sobre essas coisas  que eram a sua paixão, a igualdade entre os homens, a justiça que exigia que os bens da terra fossem repartidos entre todos.

Essa foi uma leitura difícil, levei aproximadamente dois meses para concluí-la porque comecei em meio aos estudos da faculdade e, concomitantemente, estava lendo o livro Ilusões Perdidas, do Balzac. Então foram dois livros densos e, ainda, em meio a provas e trabalhos. Mas, assim que terminei as provas, engatei na leitura deste livro e terminei ontem, três dias depois que a retomei.

Senti-me muito desconfortável em muitos trechos da narrativa, principalmente quanto ao machismo e a forma como os pais enxergavam os filhos. Vejamos o que a mãe fala para a filha que saiu de casa para morar com o amante:

Veja eu, estava grávida quando casei, mas não fugi da casa dos meus pais, nunca faria essa sujeira de entregar antes da idade o dinheiro dos meus dias de trabalho a um homem que não precisa. Ah, como tenho razão de estar enojada de tudo! Vai chegar o tempo em que não se quererá ter filhos…

Ou seja, naquela sociedade as pessoas se reproduziam para que os filhos futuramente ajudassem na subsistência da casa. Quando um filho saía de casa, isso significava um prejuízo financeiro para os pais, mas os pais não pensavam que ter filhos era ter mais pessoas para alimentar.

Uma coisa que não gostei no livro é que tem capítulos excessivamente descritivos que se tornam muito cansativos ao longo da narrativa, mas que, ao mesmo tempo, consegue transmitir com muita clareza suas ideias. Esse ponto negativo não tira a genialidade da história, apenas considero uma parte um pouco maçante, mas necessária, da obra.

O contraste social da alta burguesia, com suas mansões, seus móveis luxuosos e sua mesa farta, e as pessoas que se julgavam boas demais quando davam um pedaço de bolo por esmola, isso me fez refletir bastante sobre nossos papéis na sociedade, no quanto essa história é atual.

O resumo do que eu senti com esse livro: sonhei a noite toda com as minas, com a violência, a fome e o frio. Sonhei com Catherine e outras personagens. Que livro triste, que história cruel!

O autor tem uma narrativa muito pontual, que mergulha em todos os aspectos daquela sociedade e traça a personalidade de cada uma das personagens de forma muito objetiva. Ao terminar a leitura do livro fiquei um tempo me perguntando quem era a protagonista e concluí claramente que são as minas de carvão, com suas entranhas que atraiam, engoliam e exterminavam, aos poucos, aquela população mineira doente e marcada pela miséria.

É um livro que te transforma, acho impossível terminar a leitura sem sofrer mudanças internas significantes.

Se você já leu o livro deixe sua opinião nos comentários, eu adoro trocar ideias sobre minhas leituras com vocês!