A astúcia cria o mundo, Lewis Hyde.

  • Capa comum: 546 páginas
  • Editora: Civilização Brasileira (31 de março de 2017)
  • Idioma: Português
  • ISBN-10: 8520009433
  • ISBN-13: 978-8520009437
  • Dimensões do produto: 22,4 x 15,4 x 3,6 cm
  • Peso do produto: 621 g

Sinopse da Editora:

Neste livro fascinante, Lewis Hyde explora os velhos mitos que afirmam ter sido o trickster – a figura mitológica que oscila entre o herói e o galhofeiro – quem fez deste mundo o que ele é. Primeiro, revisita as antigas histórias – Hermes na Grécia, Exu na África Ocidental, Krishna na Índia, Coiote na América do Norte, entre outros – e depois as compara à vida e às obras de criadores mais recentes, como Pablo Picasso, Michel Duchamp e Allen Ginsberg. Hyde argumenta que nosso mundo – complexo, ambíguo, belo e sujo – foi uma criação ainda não concluída do trickster. Notável em sua erudição, fluente e dinâmico em seu estilo, A astúcia cria o mundo figura entre as grandes obras da moderna crítica cultural.

Nesta obra, o autor nos traz um aprofundamento em seu significado da palavra “astúcia”, que não é tão negativo assim, de acordo com os exemplos tirados dos estudos mitológicos nos quais os trickters assumem uma figura de grande importância no desenvolvimento da humanidade.

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É difícil classificar a astúcia porque dependendo do contexto pode ser atribuída como qualidade ou como defeito. E é esse o ponto tratado neste livro de Lewis Hyde que mostra esse adjetivo classificado entre o bem e o mal, caracterizado pelos tricksters, que ficam no meio termo entre o vilão e o herói.

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O foco central do livro é descobrir como funciona a criatividade de artistas como Picasso, Marcel Duchamp, John Cage, Allen Ginsberg, Frederick Douglass, dentre outros, sem atribuir a eles o adjetivo de trickster, mas apenas mosotrar que “há momentos em que o exercício da arte e esse mito coincidem”. O autor frisa, também, que o trickster não é um ladrão banal, nem um mentiroso contumaz. Para ele, políticos desonestos não são tricksters porque estes pertencem à periferia, e aqueles ao centro e quando o trickster ganha poder, deixa de ser trickster.

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O trickster, na visão do autor, utiliza da trapaça para perturbar a ordem pré-estabelecida e elevar o mundo a outro nível. Portanto, o trickster tem um propósito elevado, e utiliza como exemplo a obra de Pablo Picasso, que levou o mundo a sério, depois o desfez e o reconstruiu com uma nova forma.

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O livro nos ajuda a refletir sobre os acontecimentos cotidianos e sobre a atuação de personagens inexpressivos que adquirem prestígio e reconhecimento em pouco tempo. Apesar de o assunto parecer um pouco complicado, o autor tem uma linguagem fácil que nos permite acompanhar seu raciocínio de forma bastante fluída e prazerosa. É uma obra excelente, que transita entre a filosofia e a história com maestria, fazendo com que o leitor leigo sinta-se confortável com a forma simples e ao mesmo tempo profunda com que o autor aborda o tema.

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Lewis Hyde é professor de escrita do Kenyon College e gosta de se definir como “poeta, tradutor e acadêmico freelancer”.

A Grande Fome de Mao, Frank Dikötter.

  • Capa comum: 532 páginas
  • Editora: Record (31 de março de 2017)
  • Idioma: Português
  • ISBN-13: 978-8501401618
  • Dimensões do produto: 22,8 x 15,6 x 2,6 cm
  • Peso do produto: 581 g

Sinopse da Editora:

Entre 1958 e 1962, a China tornou-se um inferno. Mao Tsé-tung jogou o país em um delírio com o Grande Salto Adiante, uma tentativa de alcançar e superar economicamente a Grã-Bretanha em menos de quinze anos. O experimento terminou na maior catástrofe que a China já viu, destruindo dezenas de milhões de vidas. Com riqueza de detalhes, Frank Dikötter expõe um período da história chinesa nunca antes completamente enfrentado. Mostra que, ao invés de desenvolver o país para se equiparar às superpotências mundiais, comprovando assim o poder do comunismo — como Mao imaginara —, o Grande Salto Adiante na verdade foi um passo gigante e catastrófico na direção oposta. O país virou palco de um dos assassinatos em massa mais cruéis de todos os tempos: pelo menos 45 milhões de pessoas morreram de exaustão, fome ou vítimas de abusos mortais das autoridades. Foi também a maior demolição de imóveis da história humana, já que quase um terço das residências foram postas abaixo, sendo a terra revirada na busca incessante por aço e outros recursos industriais. Descortinando as maquinações cruéis nos corredores do poder e o cotidiano da população comum, A grande fome de Mao dá voz aos mortos e esquecidos. Com pesquisa meticulosa e um texto brilhante, este relato inédito é uma reformulação fundamental da história da República Popular da China.

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A grande Fome de Mao mostra como a China liderada por Mao Tsé-Tung mergulhou numa crise de fome que matou aproximadamente 45 milhões de pessoas entre os anos de 1958 e 1962.

O autor Frank Dikotter teve acesso a documentos inéditos que antes só eram acessíveis a membros do partido comunista, e nos conta em detalhes sobre a política do Grande Salto Adiante instituída por Mao, que fantasiou uma competição com a união Soviética pela liderança do mundo comunista. Nessa louca corrida rumo ao poder, os camponeses foram forçados a trabalhar em terras coletivas (pertencentes ao Estado) para alimentar as cidades e prover bens para exportação e, com isso, sua própria sobrevivência ficava em último plano, o que acarretou em uma enorme quantidade de alimentos vendidos para promover a importação de equipamentos industriais e militares.

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Os relatos mais fortes sobre as mortes incluem, além da maioria por fome, mortes por acidentes, doenças, violência e por canibalismo.

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Nesse cenário de horror, a violência tornou-se uma ferramente de controle, utilizada de maneira sistemática e habitual contra qualquer um que ousasse protestar, furtar ou roubar comida, o que era muito rotineiro porque as pessoas trabalhavam de forma exaustiva e morriam de fome, frio e doenças.Mutilações eram formas frequentes de punição: cabelos eram arrancados, orelhas, narizes e testículos eram cortados, solas dos pés queimadas e pimentas ardidas colocadas dentro das narinas. Os aldeões sofriam não só com a fome, mas toda sorte de tortura lhes eram aplicadas por qualquer ato de indisciplina.

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Eu gostei do livro porque mostra detalhadamente toda a causa da crise no período, mas a forma densa dos relatos contém muitos dados técnicos sobre economia e política interna, O que requer bastante atenção e interesse por parte do leitor. Com certeza é um livro que vai permanecer na estante para ser usado como fonte de consulta.

Frank Dikotter
Frank Dikotter nasceu na Holanda, em 1961 e se formou em história e Russo pela Universidade de Genebra. Após morar dois anos na República Popular da Chinam mudou-se para Londres. Em 1990, obteve PhD em história pela Escola de Estudos Orientais e Africanos da Universidade de Londres, onde posteriormente foi professor de História moderna da China. Desde 2006, é professor catedrático de Humanidades na Universidade de Hong Kong. Pioneiro no uso de fontes do arquivo chinês, publicou mais de dez livros que mudaram a visão dos historiadores sobre a China moderna.

Parceria: Grupo Editorial Record 

Para quem não acompanhou meu ataque de alegria na semana retrasada  lá no stories do instagram (se você ainda não me segue no @letrasextraordinarias está perdendo um monte de dica legal), aqui vai a novidade: agora o IG Letras Extraordinárias é parceiro do Grupo Editorial Record, e eu vou trazer essa parceria para o blog.

A partir de agora vamos ter mais conteúdo,  e mais indicações literárias para vocês.

Fiquem ligados que deve rolar sorteio também. 🤗