Graciliano Ramos – Muros sociais e aberturas artísticas.

Sabe quando você termina de ler um livro mas continua “preso” na história, que é tão boa, tão instigante, que permanece ecoando na tua mente por muitos dias após a leitura? Então, as obras do mestre Graciliano Ramos costumam exercer esse poder sobre nós. Ano passado eu tive o meu primeiro contato com esse autor na leitura de São Bernardo, e essa foi uma história forte, intrigante, que me deixou ansiosa por aprofundamento, que me fez pensar em questões sociais, filosóficas e culturais, e eu não tive contato com nenhum texto de apoio para ajudar em meus questionamentos. É aí que entra esse livrinho aí da foto! Ele é pequeno, curtinho, e a gente acha que vai ler numa sentada, rapidinho…

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Não mesmo!

Muros Sociais e aberturas artísticas é uma coletânea de doze textos que tem o objetivo de pensar a obra de Graciliano Ramos com outras obras literárias do Brasil, Portugal e Cabo Verde, numa reflexão comparativa com estudos de sociologia, política e outras áreas do saber e das artes em geral, inclusive apontando a importância da obra do autor para as crianças. As análises trazidas no livro são curtinhas, mas profundas e muito relevantes para quem deseja um mergulho na mente do autor, com análise de personagens e ambientações, o que nos ajuda a pensar as histórias e questionar o que é ficção e o que existe de autobiográfico ou não.

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“O desnorteio e a alienação da personagem, que já não tem o controle do tempo e do espaço, ficam patentes com a confusão entre o tempo presente e o passado da memória” – sobre a angústia e solidão de Paulo Honório em São Bernardo, por Andrea Trench de Castro.

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Os autores da coletânea fazem parte de um grupo de pesquisa de estudos comparados das obras de Graciliano Ramos da USP e tem como organizador o professor e crítico literário Benjamim Abdala Jr., ou seja, é uma obra indispensável para colecionadores, estudiosos e curiosos.

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Minhas impressões: achei um livro bastante técnico que, para o leitor médio pode assustar de início, mas que agrada pelo conteúdo riquíssimo e usos comparativos com outras artes, o que ajuda na compreensão dos textos. Para estudantes de Letras é indispensável porque abre um leque de possibilidades de abordagens e estudos críticos. Não aconselho a leitura para quem não gosta de spoilers e ainda não leu os livros estudados nos ensaios. Para esses, a leitura dos textos deve ser feita após a leitura dos respectivos livros aos quais se referem, funcionando como verdadeiros textos de apoio. Para quem, como eu, não se preocupa com isso, é uma boa forma de começar a ler e se apaixonar por Graciliano Ramos.

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  • Capa comum: 336 páginas
  • Editora: Record (10 de março de 2017)
  • Idioma: Português
  • ISBN-10: 8501108251
  • ISBN-13: 978-8501108258
  • Dimensões do produto: 23 x 16 x 2 cm
  • Peso do produto: 440 g
  • Minha avaliação: 5/5
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A casa das belas adormecidas, Yasunari Kawabata.

A casa das belas adormecidas
Autor: Yasunari Kawabata
Editora: várias (ePubr)
Ano: 1961
Sinopse:
Imbuída de um erotismo inusitado, esta obra, escrita em 1961, demonstra a maturidade estilística do autor, que se utiliza sua virtuose descritiva para contar a história de Eguchi, um senhor de 67 anos que frequenta a ‘casa das belas adormecidas’, uma espécie de bordel onde moças encontram-se em sono profundo, sob efeito de narcóticos. Apesar da idade avançada, o protagonista parte em busca dos prazeres perdidos e se depara com moças virgens, que os visitantes podem tocar, mas são proibidos de corromper. Daí derivam passagens antológicas de rememorações pessoais e fantasia. Kawabata procura desvendar o enigmático universo do corpo feminino em um culto ao belo e ao inalcançável, investigando as dores da solidão a partir da sutileza de um erotismo expressivo, constantemente atravessado por passagens de fina ironia e perturbadora consciência da passagem do tempo, do vazio existencial que permeia as relações humanas.
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Sabe um livro difícil de digerir? Então.

Peguei esse livro para a categoria um livro de um autor japonês do #desafiolivrada2017 e foi uma experiência um pouco angustiante.

A história é a seguinte: um senhor de idade procura uma casa que oferece companhia de jovens virgens para dormir. Mas dormir mesmo, nada de sexo. Mas as companhias são moças bem jovens, e elas estão nuas. E desmaiadas. E quando digo desmaiadas, na verdade quero dizer desacordadas, quase mortas: drogadas. Não veem nada e não sabem de nada do que está acontecendo ao redor. É assustador!

E nesse ambiente físico, que me pareceu frio de modo a favorecer o sentimento de solidão, ele passa algumas noites, cada noite na companhia de uma mocinha nua diferente, que ele não sabe o nome, a idade, nada. É “apenas” a companhia de um corpo feminino nu e indefeso, que ele sabe apenas que respira e dorme. E ao lado delas, ele reflete sobre sua vida, sobre seu vazio existencial, seus questionamentos e medos de homem idoso, e nos conta algumas poucas histórias de sua juventude. Dessa forma, sabemos muito pouco sobre o homem, e nada sabemos sobre as meninas, apenas que dormem indefesas.

Esse livro inspirou Gabriel Garcia Marquez a escrever “Memórias das minhas putas tristes” e é um clássico da literatura mundial. Mas eu não recomendo para todo mundo porque pode servir de gatilho emocional para pessoas mais sensíveis ao tema. Foi um livro que incomodou e fez-me refletir sobre diversos assuntos como violência sexual e emocional, velhice, solidão, suicídio, homicídio, existencialismo, empatia, morte, e muito mais.

Não é uma história dinâmica, mas um livro lento, que faz-nos refletir junto com o personagem. Apesar disso, é um livro curtinho e nada cansativo, então não precisa ter medo porque não é nada entediante. Para mim foi uma experiência enriquecedora e constatei, mais uma vez, que  autores japoneses são geniais.

David Copperfield, Charles Dickens.

  • Capa dura: 1312 páginas
  • Editora: Cosac & Naify (13 de outubro de 2014)
  • Idioma: Português
  • ISBN-10: 8540507862
  • ISBN-13: 978-8540507869
  • Dimensões do produto: 17,6 x 12,8 x 7 cm
  • Peso do produto: 1 Kg

Sinopse

Um dos pilares da literatura ocidental moderna, Charles Dickens é até hoje fonte de inspiração para muitos escritores. Seu gênio foi admirado por Tolstói, Marx, Joyce, Kafka, Henry James, Nabokov, Orwell, Cortázar, entre muitos outros.
Semi-autobiográfico, David Copperfield foi publicado em forma de folhetim entre 1849 e 1850. O autor afirma, no prefácio ao livro, que, entre os inúmeros romances que publicou, este era seu “filho predileto”. A edição inclui textos críticos de Jerome H. Buckley, Sandra Guardini Vasconcelos e Virginia Woolf. Tradução de José Rubens Siqueira.

Primeiro livro do projeto #12calhamacos2017 já foi! E que “livrão”, minha gente! Nos dois sentidos! 😄

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David Copperfield é uma semi-autobiografia do Dickens publicada em 1849/50. Conta a história de um órfão que perde seu pai seis meses antes de seu nascimento e, mais tarde, sua mãe casa com um homem muito duro e amargo, que prejudicará muito a vida de David e seu relacionamento com sua mãe. David, então, aprende desde muito cedo os horrores da solidão e da maldade humana, e enfrenta inúmeras dificuldades sem deixar que nada retire de sua essência sua doçura e inocência, que é tanta que a gente sente agonia por ele ser tão bonzinho e confiar em todo mundo que se apresenta como amigo.

O livro é narrado em primeira pessoa e traz vários personagens, cada qual com seus dramas, personalidade, histórias muito bem delineadas e que receberão um desfecho final muito bem amarradinho, contribuindo para o fim harmônico da história do narrador. A narrativa conta a história de David desde seu nascimento até a vida adulta, e passeamos pela Inglaterra do Séc XIX com todos os problemas e dificuldades enfrentados por ele naquela sociedade. O amadurecimento do personagem é tão nítido e tão bem feito que podemos nos sentir verdadeiros expectadores de sua vida. Senti pena, raiva, amor, alegria, tantos sentimentos que sequer consigo expressar. É uma grande viagem e vale a pena degustar sem pressa, deixando a história crescer junto com seu narrador, vivenciando com ele todos os seus dramas pessoais e de seus amigos.

Eu já estou com saudades de todos!

Leitura mais que recomendada, obrigatória para todos os amantes de um bom clássico

Minhas impressões: Dois irmãos, Milton Hatoum

Oi, pessoal! Tudo bem?

Hoje trago para vocês meu segundo livro encerrado deste mês de janeiro. Sim, já li dois livros e estou lendo mais dois. Comecei o ano muito bem em minhas leituras e estou muito animada, acho que será um ano realmente proveitoso.

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Escolhi esse livro pelo motivo mais óbvio: hoje começa aquela minissérie da Globo e eu não quero tomar um monte de spoiler pela cara, pois já vi algumas entrevistas do autor e parece que a direção respeitou bastante a história, será algo fiel ao livro e eu fiquei com vontade de assistir. Eu não vejo TV há dois anos, então ainda não sei se vou conseguir acompanhar a série direitinho, mas fiz questão de ler logo o livro e estou muito grata por isso porque foi uma leitura incrível.

O livro tem 266 páginas e eu devorei em menos de 24h. Na verdade eu comecei a ler por volta das 16h da última sexta-feira e pretendia ler até a meia-noite daquele dia, mas não rolou porque tive diversos afazeres domésticos que me tiraram do foco. Então retomei a leitura no dia seguinte e terminei super rápido.

O romance é ambientado em Manaus, começando por volta dos anos 20/30 e atravessando o golpe militar de 64, narrado em primeira pessoa por Nael, o personagem central da trama. Tudo nos é mostrado pelo ponto de vista dele, seja pelo que ele viu e viveu, ou pelas histórias que ele ouviu dos outros personagens. Nael é filho de Domingas, uma órfã que foi adotada ainda como empregada por Halim e sua jovem esposa Zana. Esse casal apaixonado teve três filhos, Omar e Yaqub, gêmeos que se odiavam desde a infância, e Rânia, a única filha mulher do casal.

É muito importante destacar que Halim não queria filhos, mas Zana sempre quis três. Halim queria a mulher só para ele, e isso tem um grande peso em toda a história, inclusive sobre o ódio entre os irmãos: Omar, o “caçula”, desprezado pelo ciúme do pai sobre a proteção exagerada da mãe, e Yaqub, o que nasceu primeiro e sempre foi visto como o mais forte, o mais independente e a grande promessa da família.

Nael nos conta sobre sua própria família, que ele observa e vai juntando as peças de um enorme quebra-cabeças na esperança de entender suas origens e descobrir quem é o seu verdadeiro pai. Sim, Nael é filho de um dos homens da casa, mas sempre fora tratado como o filho da empregada.

Mas não se engane, a história não é tão simples e não é apenas sobre Nael ou sobre o ódio entre os gêmeos. É a história dos imigrantes libaneses, dos habitantes nativos de Manaus, da cidade e sua degradação, de uma família e seus dramas particulares. Temos uma riqueza enorme de temas, uma variação no tempo com personagens bem descritos, cada qual com sua personalidade muito desenvolvida.

Não existe um mocinho e um bandido, todos tem suas características boas e más, suas dores, suas angústias e suas razões.  A ambientação é detalhada sem ser cansativa, e o leitor tem a oportunidade de se colocar ao lado de Nael, observando e pensando a história junto com o narrador.

Foi uma experiência de leitura realmente necessária e eu tenho certeza que esse livro se tornará, se já não é, um grande clássico da literatura brasileira..

Resenha: Germinal, de Emile Zola. #projeto142classicos

 

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  • Formato: eBook Kindle
  • Tamanho do arquivo: 5288 KB
  • Número de páginas: 485 páginas
  • Editora: Centaur (5 de setembro de 2011)
  • Vendido por: Amazon Servicos de Varejo do Brasil Ltda
  • Idioma: Português
  • ASIN: B005LHQUL0

Descrição:

Fundador e principal autor do naturalismo literário, Émile Zola levou a descrição realista a extremos de crueza, especialmente na denúncia das condições de trabalho da classe operária do século XIX. A estética naturalista do escritor, inspirada na filosofia positivista e na medicina da época, partia da convicção de que a conduta humana é determinada pela herança genética, pela filosofia das paixões e pelo ambiente. Germinal (1885) é universalmente considerada a obra-prima do autor. Foi a partir de Germinal – descrição das condições de vida subumanas numa comunidade de mineiros – , que Zola começou a destacar os elementos de opressão social como responsáveis pela paralisação moral da humanidade. Germinal é um romance poderoso escrito por um autor poderoso.

Resenha

Germinal é um romance naturalista escrito por Emile Zole que conta a história de trabalhadores mineiros que entram em greve exigindo melhorias salariais e de condições de trabalho. O autor chegou a passar dois meses convivendo com mineiros e burgueses da região a fim de escrever um retrato fiel daquela parte da sociedade francesa do século XIX.

O livro começa com Etienne Lantier, um homem que aparece na região de Montsou, andando sem rumo em busca de emprego, com fome e frio, quando encontra um homem velho, trabalhador das minas de carvão da região. Posteriormente, Etienne consegue uma vaga de trabalho nas minas e vai morar na casa desse homem, o velho Boa-Morte, patriarca de uma família com sete pessoas. Ele se apaixona por Catherine, neta do velho Boa-Morte mas não consegue viver essa paixão porque a menina namora um dos trabalhadores das Minas, o violento Chaval. Etienne, então, mergulha naquela sociedade faminta e miserável, onde homens, velhos, mulheres e crianças trabalham debaixo da terra em condições insalubres, sem qualquer tipo de proteção, num calor de mais de 40º, e onde são submetidos a doenças, promiscuidade, violência, fome e todo tipo de barbárie.

O trabalho nas minas se torna cada vez mais sacrificante diante de novas exigências dos empregadores, que retiram parte do ordenado dos miseráveis trabalhadores. Diante de tudo isso, fome, violência, frio, Etienne começa a estudar ideias socialistas e incita os trabalhadores a tomarem uma providência, o que eclode numa greve geral para forçar o aumento de salário e melhorar as condições de trabalho.

 Minhas impressões

Li este romance por indicação da disciplina de Sociologia para a faculdade de Letras. O livro inaugura o naturalismo literário, estilo de escrita onde o autor narra de forma totalmente impessoal e analisa a história sob o ponto de vista biológico, psicológico e social, apontando saídas e soluções para os problemas que propõe.

Uma gama variada de perguntas confusas não o deixava em paz: por que havia tanta miséria de um lado e tanta riqueza de outro? Por que estes tinham de viver escravizados àqueles, sem a menor esperança de um dia mudarem de posição? A primeira etapa vencida foi a da compreensão de sua ignorância. Uma vergonha secreta, um desgosto oculto começaram a atormentá-lo: nada sabia, não ousava falar sobre essas coisas  que eram a sua paixão, a igualdade entre os homens, a justiça que exigia que os bens da terra fossem repartidos entre todos.

Essa foi uma leitura difícil, levei aproximadamente dois meses para concluí-la porque comecei em meio aos estudos da faculdade e, concomitantemente, estava lendo o livro Ilusões Perdidas, do Balzac. Então foram dois livros densos e, ainda, em meio a provas e trabalhos. Mas, assim que terminei as provas, engatei na leitura deste livro e terminei ontem, três dias depois que a retomei.

Senti-me muito desconfortável em muitos trechos da narrativa, principalmente quanto ao machismo e a forma como os pais enxergavam os filhos. Vejamos o que a mãe fala para a filha que saiu de casa para morar com o amante:

Veja eu, estava grávida quando casei, mas não fugi da casa dos meus pais, nunca faria essa sujeira de entregar antes da idade o dinheiro dos meus dias de trabalho a um homem que não precisa. Ah, como tenho razão de estar enojada de tudo! Vai chegar o tempo em que não se quererá ter filhos…

Ou seja, naquela sociedade as pessoas se reproduziam para que os filhos futuramente ajudassem na subsistência da casa. Quando um filho saía de casa, isso significava um prejuízo financeiro para os pais, mas os pais não pensavam que ter filhos era ter mais pessoas para alimentar.

Uma coisa que não gostei no livro é que tem capítulos excessivamente descritivos que se tornam muito cansativos ao longo da narrativa, mas que, ao mesmo tempo, consegue transmitir com muita clareza suas ideias. Esse ponto negativo não tira a genialidade da história, apenas considero uma parte um pouco maçante, mas necessária, da obra.

O contraste social da alta burguesia, com suas mansões, seus móveis luxuosos e sua mesa farta, e as pessoas que se julgavam boas demais quando davam um pedaço de bolo por esmola, isso me fez refletir bastante sobre nossos papéis na sociedade, no quanto essa história é atual.

O resumo do que eu senti com esse livro: sonhei a noite toda com as minas, com a violência, a fome e o frio. Sonhei com Catherine e outras personagens. Que livro triste, que história cruel!

O autor tem uma narrativa muito pontual, que mergulha em todos os aspectos daquela sociedade e traça a personalidade de cada uma das personagens de forma muito objetiva. Ao terminar a leitura do livro fiquei um tempo me perguntando quem era a protagonista e concluí claramente que são as minas de carvão, com suas entranhas que atraiam, engoliam e exterminavam, aos poucos, aquela população mineira doente e marcada pela miséria.

É um livro que te transforma, acho impossível terminar a leitura sem sofrer mudanças internas significantes.

Se você já leu o livro deixe sua opinião nos comentários, eu adoro trocar ideias sobre minhas leituras com vocês!

 

 

 

 

Resenha: Holocausto Brasileiro – Projeto #lendo100mulheres

 UPDATE: Acho que peguei muito pesado com minhas opiniões nesta resenha, chegando a parecer grosseira porque estava muito frustrada com a leitura e resenhei assim que terminei o livro, portanto, pensei muito e resolvi editar o post em 24/05/2016.

Holocausto Brasileiro, escrito por Daniela Arbex.

Formato: eBook Kindle

Tamanho do arquivo: 25311 KB

Editora: Geração Editorial (1 de junho de 2013)

Vendido por: Amazon Servicos de Varejo do Brasil Ltda

Idioma: Português

ISBN 978-85-8130-156-3

 

Descrição:

Durante décadas, milhares de pacientes foram internados à força, sem diagnóstico de doença mental, num enorme hospício na cidade de Barbacena, em Minas Gerais. Ali foram torturados, violentados e mortos sem que ninguém se importasse com seu destino. Eram apenas epiléticos, alcoólatras, homossexuais, prostitutas, meninas grávidas pelos patrões, mulheres confinadas pelos maridos, moças que haviam perdido a virgindade antes do casamento.Ninguém ouvia seus gritos. Jornalistas famosos, nos anos 60 e 70, fizeram reportagens denunciando os maus tratos. Nenhum deles — como faz agora Daniela Arbex — conseguiu contar a história completa. O que se praticou no Hospício de Barbacena foi um genocídio, com 60 mil mortes. Um holocausto praticado pelo Estado, com a conivência de médicos, funcionários e da população.

Resenha

 

O livro é no estilo livro-reportagem que tem a pretensão de trazer um documentário dobre as barbáries cometidas dentro do hospital psiquiátrico Colônia de Barbacena. Traz algumas passagens da vida de alguns ex-pacientes, bem como de alguns ex-funcionários e conta algumas histórias sobre o tratamento que era dispensado aos doentes. Também conta que muitas pessoas internadas no hospital não eram doentes, mas apenas pessoas que transgrediram o sistema de alguma forma, seja moral ou social.

A história do hospital é brevemente relatada, alguns dos abusos cometidos também e há muitas histórias sobre alguns dos sobreviventes. A autora também fez questão de destinar muitas páginas para o fotógrafo autor das fotos que ilustram a obra, relatou passagens das vidas de alguns médicos que trabalharam no hospital e contou de forma breve como o hospital foi desativado.

Minhas impressões

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Foto do Instagram

 

Terminei a primeira leitura do projeto #lendo100mulheres e o que era pra ser uma leitura super empolgante virou uma expressão de “é, né”. Que livro ruim. Sinceramente, cheguei a pensar que fora uma perda de tempo porque o que eu li no livro poderia ser facilmente encontrado pela internet, e teria me poupado algumas linhas desagradáveis que me soaram como “babação de ovo” desnecessária ao fotógrafo, a alguns médicos e muitos políticos.

Contaram com o apoio do diretor João Raymundo Coutto da Matta, até receberem o primeiro salário.

Por essa nota, que se repete em muitas linhas da mesma maneira, a autora faz questão de dar nome e sobrenome a alguns, mas outros funcionários menos expressivos eram apenas chamados de “Zé”, “Maria”, ou seja, pareceu-me que a autora deu nome e sobrenome a quem importava.

A autora não se aprofundou no assunto, não contou a história do hospital, de como foi construído, quem o fundou, o porquê foi criado, o porquê da escolha daquela Cidade, não tem sequer uma planta do lugar.

Na chegada, como o motorista havia errado o caminho, o jornalista e a fotógrafa Jane Faria entraram pela porta dos fundos, onde havia mato alto e lixo…

Querida Daniela Arbex, se um dia você ler isto, CADÊ AS FOTOS DESSE LUGAR COM MATO ALTO E LIXO? E cadê as fotos do lugar onde eles dormiam, que você descreve como  coberto de capim? Sobram fotos dos pacientes nus no pátio, mas outras descrições ficam sem qualquer ilustração, parecendo que esse trecho só serviu para informar o nome da fotógrafa. Fica a reflexão.

No todo as histórias são pinceladas, com aquele texto super apelativo e desnecessário porque a história de horror fala por si mesma, não precisava nominar o inominável. e o mais curioso é que a autora traça esse raciocínio num trecho:

As palavras sofrem com a banalização. Quando abusadas pelo nosso despudor, são roubadas de sentido

Como eu acredito que tudo o que a gente lê serve para alguma coisa, posso dizer que o livro valeu por essa frase que é bastante emblemática.

Conclusão: é aquele tipo de leitura chata, estilo Globo Repórter, sabem? O livro mal informa e não desperta grandes emoções.

Então é isso, não vou me alongar porque a leitura não me disse muita coisa, aliás, não me disse nada de interessante. Eu acho que esse livro foi escrito em homenagem a médicos, políticos e jornalistas, porque porque a história do lugar virou pano de fundo para babação de ovo. #prontofalei

Gostaria de abrir o debate, então, se você já leu e tem uma opinião diferente, deixe nos comentários, vamos trocar uma ideia!

Beijocas.

 

 

Resenha: Triste fim de Policarpo Quaresma

Triste fim de Policarpo Quaresma, escrito por Lima Barreto.

Editora: Saraiva

Páginas: 240

ISBN: 978.85.209.2727-4

Coleção Saraiva de Bolso.

Descrição:

Publicado inicialmente em folhetins no ano de 1911, “Triste fim de Policarpo Quaresma” é um romance do período do Pré-Modernismo brasileiro. Por meio da vida tragicômica do major Quaresma, um nacionalista fanático, ingênuo e idealista, Lima Barreto revela as estruturas sociais e políticas do Brasil da Primeira República, enfocando os fatos históricos do governo de Floriano Peixoto.

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Resenha

O livro trata da história do major Policarpo Quaresma, um funcionário público que na verdade não era major de patente, sendo esta alcunha apenas um apelido recebido de seus colegas. Ele era um nacionalista, um homem íntegro, correto e de uma honestidade que beirava à inocência, pois acreditava nos valores do Brasil como nação acima de qualquer outra coisa.

Era um homem estudioso, que quando se interessava por um assunto pesquisava em diversos livros, até conseguir total domínio sobre aquilo. Por conta disso, descobriu o tupi guarani, língua nativa dos índios, e cismou que essa deveria ser a língua falada no Brasil, por conta de nossos ancestrais silvícolas. Chegou ao ponto de, no auge de sua obsessão pelos costumes nativos, incorporar alguns costumes dos índios em suas próprias relações sociais, tais como receber visitas com um grande pranto. Policarpo atinge o ápice da loucura quando escreve um memorando exaltado sugerindo que o Brasil adotasse o tupi guarani como língua oficial e, assim, foi exposto ao ridículo perante a sociedade e acabou por se internar num manicômio para tratar sua cisma que o fazia parecer louco perante a sociedade brasileira ultra conservadora do final do século XIX.

Saindo do hospício, Policarpo vai para o campo com sua irmã, com quem sempre viveu, pois jamais casou-se ou se envolveu intimamente com mulher alguma. Policarpo já não fala de seus ideais nacionalista mas continua sonhador, acreditando que não há melhor terra que o Brasil, e passa a nutrir o sonho de viver da produção de sua terra. Novamente nosso herói é mal interpretado e atrai os olhares nada amistosos dos coronéis e políticos da região, que o enxergam como um possível rival.

Infelizmente a terra não corresponde às expectativas de Policarpo, que enfrenta pragas na lavoura e  se vê ameaçado, recomeçando novas plantações sem obter êxito. Até que um ataque de formigas saúvas destrói todo o seu trabalho e o obriga a desistir da vida de agricultor.

Nesta época, concomitantemente às desilusões agrárias de Policarpo, eclode a guerra Revolta da Armada, na qual a Marinha do Brasil, apoiada pela oposição monarquista à recém instalação da República, se volta contra o governo de Floriano Peixoto, e Policarpo se apresenta para lutar pelo Tirano.

Durante a guerra Policarpo novamente se vê desiludido com algumas questões governista e, após vitória do governo, Policarpo é preso como traidor apenas por se opor ao tratamento desumano dispensado aos prisioneiros de guerra.

 

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Minhas Impressões:

Comprei essa edição de bolso da Saraiva, mais para cumprir minha meta de livros nacionais para ajudar a entender a política atual e a sociedade brasileira, como mostrei aqui neste post. Fui surpreendida positivamente com essa história, que tocou-me profundamente por causa de minhas antigas aspirações profissionais de advogada que lutava por justiça e pelo cumprimento da lei. #fail.

Como se pode ver, o livro traz três fases muito bem delimitadas, sendo primeiro traçado um perfil completo da sociedade da época, onde Policarpo aparece inserido mas não adaptado, pois percebe-se um homem deslocado do convívio com seus pares, por não se encaixar nos padrões da época. Senti isso no fato de ele ser solteiro e viver com a irmã, enquanto toda a sociedade pregava o casamento; também pela inadequação às regras sociais, como por exemplo, “cidadãos de bem” não poderem misturar-se com artistas, pois Policarpo foi hostilizado por tomar aulas de violão com o amigo Ricardo Coração dos Outros, a fim de aprender a tocar modinha. Tal prática era tida como prática de vagabundos, e Policarpo recebeu inúmeras críticas por receber em sua casa um violeiro.

– É bom pensar, sonhar consola.

-Consola, talvez, mas faz-nos também diferentes dos outros, cava abismos entre os homens.

Na segunda fase da vida de Policarpo, temos um homem recém saído do hospício devido aos seus devaneios patrióticos, mais decepcionado com a sociedade e que se retira para o campo ainda mantendo a fé na sua pátria tão adorada. Policarpo, aqui, mantém-se fora das questões políticas, tentando não se envolver com problemas da região, mas ao mesmo tempo fornece ajuda para os moradores do lugar, o que leva as autoridades a desconfiarem de suas intenções, gerando um clima de tensão na história.

O trem apitou e ele demorou-se a vê-lo chegar. É uma emoção especial de quem mora longe, essa de ver chegar os meios de transporte que nos põem em comunicação com o resto do mundo. Há uma mescla de medo e de alegria. Ao mesmo tempo em que se pensa em boas-novas, pensam-se também más. A alternativa angustia…

Abaixo uma das falas que mais tocaram meu coração, mais atuais, que mais retratam a triste realidade do povo brasileiro. Achei impressionante que mesmo dois séculos depois recebemos o mesmo tratamento de nossos governantes:

-Terra não é nossa…E “frumiga”?…Nós não “tem” ferramenta…isso é bom para italiano ou “alemão”, que governo dá tudo…Governo não gosta de nós….

Na terceira fase Policarpo continua fiel a seus princípios e crente em seus deveres patrióticos, assim, entrega-se ao serviço militar onde finalmente alcança a patente de major por nomeação. Contudo, Policarpo desilude-se de vez e entra num estado de auto crítica e análise profundos, que tornam-se o ponto central de seu triste fim.

 

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Termino com o momento de epifania de Policarpo, onde o narrador o vê em desgraça e tem a compreensão do todo; momento em que, finalmente, Policarpo cai em si e se desilude de suas românticas ambições patrióticas:

A pátria que quisera ter era um mito; era um fantasma criado por ele no silêncio do seu gabinete. Nem a física, nem a moral, nem a intelectual, nem a política que julgava existir havia, a que existia de fato era a do tenente Antonino, a do doutor Campos, a do homem do Itamaraty.

 

E aí? gostaram da resenha? Deixe suas impressões nos comentários, por favor!

Beijinhos.

 

 

O diário de Anne Frank

6554336_1GGO diário de Anne Frank é considerado, por muitos, um dos maiores livros de não ficção do mundo. O livro é um diário editado que a Anne começou a escrever com 13 anos de idade, quando ganhou o diário de presente de aniversário em 12.06.1942. Ela estava escrevendo para si mesma e não tinha grandes preocupações, a não ser desabafar e registrar seu cotidiano. Contudo, em 29.03.1944, ela ouviu na rádio que uma pessoa do governo holandês vai coletar os escritos e memórias das pessoas que viveram na época da guerra.

Autor(a) Anne Frank
Título O Diário de Anne Frank
ISBN 8577990001
Páginas 378
Mais Informações Edição de Bolso
Edição
Tipo de capa Brochura
Editora BestBolso
Ano 2007

Assim, Anne, que tinha o sonho de ser uma grande jornalista ou escritora de sucesso, começa a reler o diário e fazer alguns cortes e edições. Então ela mesma fez algumas edições, mas mesmo assim o diário é interessante porque não apenas conta a vida de uma adolescente judia da época da guerra, mas também nos mostra detalhes de tudo o que os judeus sofreram e do que não podiam fazer, como, por exemplo, andar de bicicleta.

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manuscritos do diário

Versão A: primeiro diário sem cortes, foi publicado em 1989 como The Diary of Anne Frank: The Critical Edition.

A Versão B é a versão editada pela própria Anne.

A Versão C é o diário editado pelo pai da Anne, Otto Frank, que faz alguns cortes no que diz a sexualidade da Anne e do relacionamento difícil com a mãe. Otto Frank selecionou material da versão A e da versão B e os organizou numa versão mais concisa, o que conhecemos hoje como O diário de Anne Frank.

É importante ressaltar que a autenticidade do diário foi atestada pelo Instituto Nacional de Guerra da Holanda, que examinou manuscritos e fez a perícia grafotécnica da caligrafia da Anne.

A versão integral de Mirjam Pressler foi aprovada pela Fundação Anne Frank e contém 30% a mais de material para dar ao leitor uma melhor impressão dobre o mundo de Anne Frank.

Na introdução do livro que eu li, traz o texto original, os cortes e o crivo do pai. Todas as versões, na verdade, passaram pelo pai, então todas foram editadas.

É um diário de verdade, escrito por uma menina judia de origem alemã, que fugiu com sua família, pai, mãe e irmã, para a Holanda quando Hitler baixou varias leis antissemitas.

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Da esquerda para a direita: Edith (mãe), Margot (irmã), Anne e Otto (pai).

 

Infelizmente a perseguição chegou, também, à Holanda, então a família se escondeu num lugar que alguns chamam de sótão, com alguns amigos (na versão B ela mudou o nome das pessoas para preservá-las).

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Os oito ocupantes do anexo e seus benfeitores

Eles se esconderam num anexo abandonado de um prédio comercial durante dois anos com ajuda de algumas pessoas que trabalhavam nesse prédio. A entrada pro anexo era escondida por uma estante.

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Fachada do prédio onde ficava o esconderijo

Essas pessoas que ajudaram também se arriscaram porque era crime esconder os judeus.

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Passagem coberta por uma estante, que dava para o anexo secreto

Foram dois anos sussurrando para ninguém os ouvir, sem quase ver a luz do sol e sem por os pés na rua. E foi durante esses dois anos que a Anne Frank manteve esse diário.

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Anne Frank

 

Minhas impressões

No começo eu achei um livro bobo, e a Anne chega a dar a impressão de que é prepotente, que se acha. Com o passar das páginas a Anne vai nos conquistando e passamos a torcer muito por ela.

A Anne era uma adolescente com todos os problemas da adolescência e, ainda, com o problema de estar se escondendo da guerra. Então ela variava de humor, tinha crises com as pessoas, sofria medos, pesadelos, esperança, paixões, e às vezes era muito contraditória, o que fica muito marcante nos textos. Então, no início do diário ela é uma, e com o passar do tempo percebemos as mudanças da Anne, que atinge grau elevado de maturidade.

O que mais me chamou a atenção foi o fato de que ela tinha muita esperança de sair do sótão e voltar a viver normalmente. Na verdade ela não tinha esperança, ela tinha certeza absoluta que isso ia acontecer, e chegava a fazer muitos planos. Ela atingiu tanta maturidade e tinha tanto otimismo que isso é o ponto central e mais marcante de toda a sua trajetória. Acredito que esse livro desperte sensações diferentes em cada pessoa, principalmente quanto a faixa etária, pois as impressões que os adolescentes terão não serão as mesmas que um jovem ou que uma pessoa mais madura, como eu, terá.

Esse foi o primeiro livro que li neste ano e posso afirmar, com absoluta certeza, que inaugurei meu ano literário com o pé direito.

Se você já leu esse livro, deixe suas impressões nos comentários! Vou adorar saber o que você achou. E se você ainda não leu, me diga se esse post te despertou a curiosidade, assim você me ajuda a selecionar melhor a minha linguagem para as resenhas.

Até a próxima postagem!

Resenha: As brumas de Avalon, vol. 02 – A grande rainha.

As brumas de Avalon, volume 02, escrito por Marion Zimmer Bradley.
 
 

Bradley, Marion Zimmer. As Brumas de Avalon. In Marion Zimmer BRadley, As brumas de Avalon, a grande rainha. vol. 02. Rio de Janeiro: Imago, 2002.

Neste livro o leitor desvenda o destino de Morgana, após sua fuga de Avalon, que vai se refugiar na casa de sua tia Morgause. Lá ela dá a luz seu filho e o deixa aos cuidados de Morgause, que descobre o segredo de Morgana vê na criação de seu sobrinho um trunfo sobre o Reino. Temos aqui, também, o drama de Guinevere, entre seu amor por Lancelote e suas obrigações conjuguais com Arthur, e seus intentos de fazer com que seu marido quebre o juramento à Senhora de Avalon (Viviane)  O conflito entre o cristianismo e o paganismo está bem marcante neste livro, com uma evolução da história de Guinevere contra Morgana, e a divisão do Reino no que seria,depois, a Grã-Bretanha.


Minhas impressões
Na minha opinião, este é o melhor livro da saga.  Temos o nascimento do filho de Morgana, o casamento de Arthur com Guinevere, a reclusão de Igraine no convento, a paixão crescente entre Lancelot e Guinevere, e as inúmeras reflexões desta sobre a liberdade e força de Morgana,  ao mesmo tempo em que sua inveja e preconceito contra a antiga religião ficam marcantes. É uma escrita rica em detalhes sobre as questões mais íntimas das personagens.

Vemos, aqui, uma Morgana em evolução, enquanto Guinevere se mostra cada vez mais mesquinha e irritante. A personagem Morgana cresce com o passar das páginas,  demonstrando uma ousadia e força, ao mesmo tempo delicada e sensível. Arthur aparece em conflito entre satisfazer os desejos de sua esposa, seu amor por sua irmã e sua lealdade a Avalon. Este conflito parece estar presente em todas as personagens, inclusive Lancelote, que sofre por amor a Guinevere e Arthur, e seu desprezo por Morgana, que continua apaixonada pelo primo. É uma verdadeira ciranda, que nunca se resolve. A cada tentativa das personagens de se encontrarem em seus sentimentos, o afastamento é inevitável, o que me causou uma ansiedade em desvendar a história por completo.

Há inúmeras discussões entre cristianismo e paganismo, como vemos numa passagem em que Morgana toca harpa e canta no casamento de Arthur, sendo reprimida pelo Bispo e questionada por Guinevere, quando responde:
 
De súbito, Morgana manifestou-se:
 
 – Se Maria Madalena tocava harpa e dançava, ainda assim foi salva, e em lugar nenhum está escrito que Jesus lhe tenha dito para calar-se com humildade! Se ela derramou bálsamo precioso na cabeça do Senhor, e este não permitiu que os discípulos a censurassem, bem poderia ter recebido com agrado seus outros dons. Os Deuses dão aos homens o que têm de melhor, e não o pior. 
 
Patrício retrucou, secamente: 
 
– Se é essa a forma de religião conhecida aqui na Bretanha, estamos realmente necessitados de concílios como o que foi convocado pela nossa Igreja!

Em várias passagens teremos diálogos como este acima, deixando a conclusão para o leitor, pois a autora em nenhum momento se posiciona a favor de uma ou outra forma de pensar, apenas descrevendo os pensamentos, o caráter e as atitudes das personagens, e suas ligações com a religião e a crença.

Teremos um acontecimento decisivo para o futuro de Viviane e de Avalon, pois por causa desse acontecimento, outros se desenrolarão. Isso acontece por todas as linhas da história, vários fatos que nos parecem pequenos e sem grande importância terão consequências futuras gigantescas.

A homossexualidade aqui também é retratada entre Lancelote e Arthur, mas a forma deliciada e respeitosa como a autora tratou o assunto é o ponto alto da história, pois deixa o leitor confuso sobre o que de fato aconteceu entre eles, o que somente se revelerá adiante, em outro volume do livro.

É uma história para ler com atenção e despido de qualquer preconceito porque muitas falas e pensamentos das personagens dialogam com a nossa própria visão de mundo, o que pode nos trazer conclusões surpreendentes.
Gostou da resenha? Deixa seu comentário aqui embaixo para que eu possa fazer outras assim. Se não gostou, deixe também, para que eu possa melhorar. 😉